21/12/2016

Uma nota sobre a Nazaré e o Nazaré Challenge

Quem se lembra do início da explosão da Nazaré e da sua onda? Quando a comunidade internacional dizia que a onda era má, mole e o que nela se fazia era mais snowboard que surf? O #NazareChallenge, que foi a primeira prova WSL a acontecer na Praia do Norte, mostrou a esta malta uma coisa engraçada: aqueles que lá andam e a desbravaram é que, afinal, têm razão. A Nazaré não é para meninos. Nunca foi e dificilmente algum dia será. Não é chegar, ver e vencer. Não foi por acaso que dos 6 surfistas que chegaram à final, 5 eram repetentes naquela praia. Qualquer pessoa, nem falo apenas de surfistas, consegue ver a potência daquela onda. O público generalista sempre admirou a onda, a sua força, e esta sempre lhe suscitou o medo. As pessoas desde o início admiraram a coragem dos que lá ousam surfar. Estranho como a tal comunidade internacional, que nunca lá tinha estado, tão rapidamente sentenciava a onda. Era só tamanho diziam! Agora, a história é outra. No meio disto tudo, houve quem acreditasse que a Nazaré tem alguma coisa a dar à modalidade. Houve quem tivesse a coragem de querer lá surfar e fazer uma competição e de ondas grandes. O #NazareChallege garantiu que a Nazaré tem mais um capítulo no livro do surf mundial. Na final do evento, estavam 5 surfistas que já surfaram na Nazaré. O outro, o sexto, que por acaso até foi 4º, é o brasileiro Pedro Calado. Entrevistei-o por motivos profissionais e nesta ocasião, admitindo que perdeu a virgindade da Nazaré quando entrou na água para a sua primeira bateria, falou de humildade, revelou-se apaixonado pela vila e comparou a onda a Jaws, Mavericks e Puerto Escondido, considerando a Praia do Norte uma mistura das três. Estava sorridente e com vontade de mais.

Obrigado àqueles que tornaram possível que um novo capítulo começasse e que eu lá estivesse para o virar da sua primeira página.

http://www.surfingmagazine.com/news/the-story-of-damien-hobgood-a-jet-ski-and-a-nazare-teepee/#d0GKwEVFbbffFPL4.97

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