17/04/2016

Tocaram as campainhas XI: o regresso

Meses e meses depois (a última edição foi em Agosto...) eis que as campainhas do Como É Que Está O Surf? voltam a tocar. Felizmente, como espero que saibam, o blog não esteve parado. Houve posts interessantes e, sobretudo, o lançamento do podcast que, espero, seja algo que já seguem e apreciam.

Desde já lamento o atraso na publicação destes posts mas, bom, a vida é assim. A pior parte, na verdade, é que eu continuei a recolher links e links, estando muitos deles agora desactualizados. Isto obrigou-me a uma selecção criteriosa e, dos mais de 300 que tinha posto de parte, sobram menos de cinquenta. Espero que seja uma boa selecção e sacie a vossa sede por saber mais.

Vamos começar pelo assunto do momento?

Não liguem a conversas de Tour, do Wilko ou do Seabass e, muito menos, do Glenn Hall. Ou melhor, liguem, mas não agora. Vamos focar-nos em Kelly Slater, o homem que começou 2016 no World Tour com a sua pior série de resultados de sempre.

Em entrevista, ele repetidamente tira das suas distracções empresariais a culpa dos maus resultados. Mas, por outro lado, confirma que "não tem tomado as decisões correctas" quando está a surfar em competição. Isto soa-me a falta de concentração, logo...distracção, certo? Tirem as vossas ilações nesta entrevista do careca ao site da Red Bull. 

Se não chegaram a nenhuma conclusão, viajem até à Surfer Magazine para lerem a história e verem as fotos de lançamento da piscina de ondas do Kelly. Se tal coisa fosse minha, como poderia andar focado em mais qualquer coisa que fosse?!

Por último, gostei bastante desta reflexão do Justin Housman também no site da Surfer Magazine. A premissa base é a de que o Kelly poderá ser o último "melhor surfista do Mundo". Isto porque, diz o autor, dificilmente voltaremos a ver um surfista que, no seu apogeu, foi tão evidentemente melhor que os restantes. Mas não só. É que o talento nunca foi tão vasto como hoje. Artigo imperdível, rapaziada.

E, já agora, será que ele está mesmo para casar?

Saltamos agora para o outro assunto, intimamente ligado a Slater, que é o a da "reforma" de alguns surfistas do World Tour. Primeiro foi o C.J. Hobgood, depois o Freddy Patacchia, seguiu-se o Tiago Pires (já fora do Tour) e, agora, o Taj Burrow (sigam este link).

Quero destacar sobre o C.J. e o Freddy P, esta entrevista a dois no Surfline. Sigam o link e vão encontrar uma reflexão sobre o tempo que passaram no Tour, conselhos para os jovens que estão a aparecer e, o melhor, opiniões sobre o julgamento na WSL. Um destaque, vindo do havaiano:

"(...) At times I feel like they [judges] are not accountable, and I feel like they should be. But it’s hard, so I came to the conclusion that as a pro surfer, this is what you sign up for. It sucks, but there’s going to be shitty judging; there’s going to be good judging (...)"

Sobre o Tiago Pires, destaque para esta entrevista reveladora e curiosa feita pelo Observador.

Voltando ao C.J., agora acompanhado pelo Dane Reynolds, gostei deste conteúdo da Surfing. Procurei uma passagem mas preferi não colocar nenhuma. Espero que o vídeo em baixo vos convença a ler a entrevista.



Entramos agora no capítulo da competição pura e crua da World Surf League. Mas, antes disso, regressemos aos tempos da ASP e de um dos melhores eventos de sempre no World Tour. E, honestamente, não me podia estar mais a borrifar se concordam ou não com esta afirmação. É evidente que foi um campeonato sem precedentes e que teve fortes e visíveis repercussões no surf contemporâneo.

Senhoras e senhores...

Start spreading the news, I'm leaving today. 
I want to be a part of it, New York, New York.

Depois da cantoria, a estética. Gostam do logo da WSL? Eu até gosto. Contudo, o icónico designer gráfico David Carson não pode com ele e disponibilizou algumas alternativas no site Beach Grit. E, aqui me confesso, há várias sugestões mais apelativas que o logo actual.

Na grafia, não descurem o site da WSL quanto a conteúdos, ok? Vai na volta vão fazendo coisas engraçadas, mesmo que sem grande profundidade. E há também quem goste do que eles andam a fazer em termos de estratégia digital, aqui e aqui. Sendo que, neste último link, há também uma entrevista ao CMO da WSL, onde o dito revela que de acordo com as suas investigações, há 120 milhões de fãs de surf no Mundo. Exagerado? Nãaaaaao...

Agora, se continuarem a pôr a Rosy Hodge de bikini nas transmissões, parece-me que rapidamente vão chegar àquele número. E, entretanto, espreitem esta entrevista da Australia's Surfing Life com a ex-WWT e agora entrevistadora oficial.

Ainda sobre o mundo online da WSL, palmas para Dave Prodan, VP of Communications, que não foge às perguntas do Beach Grit, que o convidou a responder a vários pontos de crítica de uma petição online para tornar mais transparente o julgamento dos circuitos máximos do surf profissional.

Excerto:

"(...) 3. Have the Judges deliver the score within 15-20 seconds from the finish of the ride. Unless a replay is required. 

That’s certainly the goal and it happens the majority of the time. However, the petition’s author is correct – occasionally, replays are required to ensure the score is accurate and within the scale of the current heat. Additionally, there are a number of extenuating circumstances that may delay a score from dropping – multiple surfers up at the same time is a frequent one. However, to track back to the initial point, the judges endeavor to deliver the most accurate score in the fastest way possible on every ride – it’s not only essential to the viewers at home but also to the athletes in the water. (...)"




Regressando ao mundo analógico, será que esta história das t-shirts com os nomes e números dos surfistas faz sentido?

E como é ser o médico de um circuito onde os competidores tentam, antes de vencer, sobreviver? Apresento-vos, com a ajuda da Surfer Mag, o médico do Big Wave Tour.

E quanto a drogas? Há muitos drogados no World Tour? Há surfistas a usar drogas para melhorar a sua performance? E o doping? É real? Traz vantagem? Foram estas algumas das perguntas que a Tracks perguntou ao único homem a que as sabe responder, Joe Barranco da Sports Drug Testing International. Claro, a não perder, aqui.

"(...) How does the actual testing process work within surfing? 

Selections on who will be tested are made by the WSL for both in competition and out of competition testing. All surfers who compete in any WSL event can be tested at any time whether it is at an event or at their home even. 

What about when you are testing multiple athletes at an event? 

Selections can be random or be targeted. This as mentioned is determined by the WSL. But as an example, we might show up at the Quiky Pro and are informed that we are going to test all the losers from the fourth round, or we’re going to do the winner and loser of the final and the winners of the first round. There’s no actual set formula because you are trying to keep the athletes guessing.

However, it’s the WSL who decide when an event will actually be tested? 

Yes 

How have you been received by the surfers? It was a little bit tricky at first until they had a better understanding of the policy and process. But now they are supportive and great with it. (...)"

E porque a última grande rivalidade do surf incluía um drogado (segundo dizem), salto para outro conteúdo da Tracks que tem um título que, por si só, atrai o internauta incauto: Onde foram as rivalidades?!

Destaco agora um assunto que me é querido (algo que já sabiam se têm ouvido o podcast!): as requalificações de surfistas do WT via WQS. A ESPN Brasil diz que isto é uma "brecha" nas regras, o que não é bem verdade tendo em conta a legalidade da coisa, mas, de qualquer forma, é esta a imagem que a WSL quer passar ao mainstream? Um pertinente artigo vindo do outro lado do Atlântico.

E porque há mais coisas boas vindas do Atlântico Este, a beleza do título mundial de Adriano de Souza vista por um americano e por um brasileiro. Notas máximas!

Hey tu! Obrigado por leres o blog do Diogo. És um campeão!
(Porque está o Bill Murray aqui em cima? Descubram aqui.)

Num capítulo totalmente diferente da esfera competitiva, mais uma prova de que a internet contribuiu para democratizar o idiota. Mesmo sendo uma justa campeã mundial, a Carissa Moore teve de apanhar com malta que critica o seu físico. O artigo é, claro, do Huffington Post.

O não-jornalista Sean Doherty diz à Stab que "não há ninguém no mundo do surf a fazer jornalismo". Salvo uma ou outra excepção, tenho de concordar. Por outro lado, há boas entrevistas, como é o caso desta feita no Expresso à Teresa Abraços, surfista icónica da nossa praça.

Aproveitando a boleia da Teresa, destaquemos outras personagens relevantes no mundo do surf, como por exemplo...

... Mark Renneker, protagonista dos já famosos "Playing Doc's Games" de Bill Finnegan na revista The New Yorker, respondeu a algumas questões da Surfer Magazine.

... Morgan Masssen, que, apesar da sua juventude, é um dos fotógrafos de surf mais marcantes dos últimos dez anos, e, aqui, fala um bocadinho do seu método.

... Michael Oblowitz, o realizador do polémico, incendiário e controverso Sea Of Darkness, numa entrevista sobre este filme à Surf Europe.

... Mike Stewart, o Sr. Bodyboard e um dos mais influentes surfistas de sempre, em entrevista ao Público.

... Harley Taich, jovem que era uma das melhores surfistas dos Estados Unidos da América até uma concussão ter travado a fundo a sua carreira. Foram precisos quatros anos (!!!) e um artigo da própria na revista juvenil Seventeen para a sua história ser contada num órgão de comunicação do surf. Como se as concussões nem estivessem na ordem do dia no surf ou no desporto de uma forma geral.

... Ace Cool! Ace Cool! Que nome! Obrigado, Encyclopedia Of Surfing!

... as mulheres que surfam ondas grandes e que estão a fazer um crowd funding para conseguir percorrer o planeta atrás dessas ondas. Alguém as patrocine, porra!

... Hayden Cox, jovem shaper da multipremiada prancha Hypto Crypto, que, das duas...as duas! Abriu a mais estranha surf shop de sempre E revolucionou a forma como se vendem pranchas.



Aproveitando que se fala no futuro, atenção à existência de cientistas na Califórnia que estão a estudar o surf de forma profunda e...científica. E desenvolveram um Surf Lab. A Surfer Mag explica tudo.

E para um futuro melhor... O mundo está cada vez mais liberal e mais justo, pelo que é tempo de os desportos de acção começarem a resolver os seus problemas de descriminação. A próxima etapa? Homossexualidade.

Termino por hoje com três saudações:

1 - Uma saudação à revista ONFIRE por disponibilizar online e de forma gratuita as suas edições anteriores à em banca.

2 - Às autoridades bascas por, finalmente, consagrarem Mundaka como uma Reserva de Surf.

3 - Ao fotógrafo Aaron Checkwood pelo seu notável trabalho fotográfico de duplas exposições que cruzam ondas e flores.

Esta edição das campainhas é extensa, eu sei. Espero que aqui cheguem satisfeitos. Até às próximas!

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