21/11/2015

A razão pela qual ficámos

  Eu nem acredito que vou escrever isto mas bom, aqui vai. Todos sabemos a razão pela qual ficámos no surf. Não importa se começámos porque os nossos amigos nos convenceram, se foi por causa de uma série de televisão ou se porque alguém na família já o fazia. Não importa. O motivo pelo qual ficámos, e quando falo de nós refiro-me aos surfistas à séria (seja lá o que isto significar), é o quanto nos divertimos no surf. As gargalhadas, as manobras, os wipeouts, enfim, aquilo que vos faz rir, sorrir, pensar, quando estamos em modo de surf. A ir para a água, já dentro dela ou fora. No carro, num barco, no autocarro da rodoviária ou no comboio. Sozinhos ou acompanhados. Surfar é muito, muito divertido. O que me leva à pergunta: desde quando é que ficámos tão sérios? E desde quando é que a seriedade (leia-se competição e os seus modelos) implica que não se mostre quão divertido é estar em pé num bocado de esferovite? Eu adoro a WSL. Adoro as revistas e as marcas, os surfistas e os shapers. Adoro tudo o que criaram e o facto de terem levado - e levarem - o surf até mim todos os dias. Pelo que me questiono qual a razão que vos leva e nos leva (enquanto membro do meio do surf, tenho responsabilidade) a mostrar tão poucas vezes quão divertido o surf é? É o dinheiro? As acções na bolsa? A nova colecção que saiu da fábrica cheia de defeitos? Porque é que têm de ser tão sérios a toda a hora? Um profissional não se diverte? 

  Obrigado à Rip Curl por recordar esse lado que tão poucas vezes se vê. Sim, é super divertido apanhar ondas perfeitas na Indonésia numa prancha nunca antes usada, mas quando cheguei à praia e o meu amigo se esbardalhou de fronha a correr na areia, eu juro que achei que me ia ficar ali de tanto rir. Também foi divertido. Também é surf. E acontece a todos. Até ao Mick Fanning.

 

Sem comentários: