24/10/2015

Alguma aposta no resultado final?

Pela primeira vez desde que o World Tour regressou a Portugal em 2009, não vos escrevo a partir de Peniche e do Moche Rip Curl Pro Portugal. Na verdade, não escrevo de todo - só aqui. Como sempre, para gozo e gáudio de outros, no fim da prova no ano passado queixava-me da deslocação, pele queimada, falta de sono, comida caseira, enfim: depois de quase 10 dias, estava pronto para regressar a casa (eu sei, conversa de quem teve a sorte de lá ir, mas não se esqueçam que a relva é sempre mais verde do outro lado). Mas o tempo (quase) tudo cura e agora, em Outubro de 2015, dou por mim a perguntar-me: onde gostava de estar? 0-0.

Os primeiros dias, felizmente, foram lay days. Pelo que fiquei contente por estar por casa, pelo trabalho, com a vida normal. As sessões de freesurf que foram aparecendo também não eram assim tão convidativas pelo que esses dias nem custaram a passar. O sol brilhou por estas bandas - até literalmente. 1-0. 

Depois, o Vasco, o Kikas e o Kelly ganharam os seus heats na primeira ronda. Isto já doeu um bocadinho. Costumo ver o campeonato perto da zona de entrevistas para os media, numa espécie de alpendre (ha!) com um grupo de pessoas com quem me cruzo sempre por lá. Trocamos piadas, cumprimentos, interjeições, análises, citações, dicas. A segunda ronda vi no meu sofá de casa, sozinho. 1-1.

Não que seja mau! Tenho repetições, os comentadores, acesso (mais) rápido aos rankings, não me queixo. 2-1.

Mas não me importava de estar a trocar umas bolas com a malta. 2-2.

Hoje fiz surf. 3-2.

Ainda assim, à distância, também consigo sentir o cheiro de um freesurf de Sábado à tarde em Peniche depois de um campeonato. Especulação, logo, ainda 3-2.

Diria que uma boa parte dos fãs portugueses de surf não conseguem seguir o campeonato in loco pelo que este ano sinto-me mais próximo deles e num lado menos habitual da coisa: espero que o sumo do campeonato venha ter comigo, não tenho de espremer as laranjas como no passado. É uma experiência mais relaxante, sem dúvida. Posso ser fã e não tenho de me preocupar com nada mais. 

...e mesmo assim, sem ter qualquer obrigação de produzir coisa alguma sobre a prova, aqui estou eu a fazê-lo. É que o grupo com quem costumo estar por Peniche (e outros mais que não conheço!) está lá em trabalho...e há bom trabalho a ser feito. Em jeito de campainhas, deixo-vos aqui algum do melhor sumo que tenho bebido sobre esta prova.

Nesta entrevista ao Filipe Toledo, o Surftotal não foi particularmente fundo nas perguntas mas o surfista tratou de mergulhar nas respostas. Esta tirada apanhou-me desprevenido:

"(...) Foi depois de Trestles que tudo mudou para mim, e me comecei a dedicar totalmente ao título mundial, fui para a França com muita determinação e foco, mas acabei por perder logo no segundo round e isso deixou-me muito triste e abalado. (...)"

Ainda nas entrevistas no core, é difícil competir com a SURFPortugal. Se quiserem saber mais sobre o Sebastian Zietz, este é o sítio certo. Leiam:

"(...) Escolhi o 14 porque foi a idade com que regressei ao Kauai e voltei a surfar. Foi aí que tive a noção que talvez pudesse tentar ser surfista profissional. Simboliza isso mas também a idade com que tudo começa a acontecer. (...)"

A competir com a SURFPortugal pelas melhores entrevistas, o Expresso falou com o Adrian Buchan, uma das personagens mais interessantes do Tour, e ainda com Júlio Adler, que dispensa apresentações aqui no blog.

Tirada do Adrian, "(...) se os jornalistas querem ter “boas respostas”, que não envolvam apenas surf, resultados ou mexericos entre atletas, têm de "fazer as perguntas certas”. É preciso perguntar aos surfistas de onde é que eles vieram, onde e como cresceram, que atividades gostam de fazer além de surfar e que interesses têm" exemplifica. (...)";

E agora do Júlio, "(...) Eu sou muito ruim de entrevista, tanto para dar como para fazer. Não me sinto à vontade para entrevistar os surfistas. Gosto de conversar. Se acontecer sentar-me com eles à mesa, então faço muitas perguntas e converso. Mas marcar hora para entrevista, isso não fiz muitas vezes.(...)";

Para completar o ramalhete dos media portugueses, bem apanhado este post da Onfire. À partida para a edição de 2015 do campeonato de Peniche, onde competiram 3 portugueses, a revista da Linha de Cascais compilou algumas curiosidades e números sobre a história da prestação dos portugueses em provas do World Tour.

Fecho com a merecida atenção dada pela Surfer Magazine, revista norte-americana, a precisamente um dos três wildcards portugueses do Moche Rip Curl Pro Portugal, Frederico Morais. É bom ver os nossos nos grande meios de comunicação mundiais da especialidade.

Voltando ao início do texto, com o passar dos dias, logo vemos como fica o resultado final. Mas desafio-vos a lançar as vossas apostas!

Se uma vez podia ser sorte de principiante, a segunda dificilmente o é. Bora, Kikas! Foto: WSL/Aquashot/Poullenot

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