12/05/2015

Tocaram as campainhas VII

Estou em pulgas. Vocês sabem quanto me custa aguentar aqui links? O que me custa não escrever um destes todos os dias? Não sabem...! Vamos começar? 'bora. E no início estão desenvolvimentos de campainhas anteriores.

Lembram-se de ter falado sobre a ausência de webcast na primeira etapa desta temporada de Big Wave World Tour? A Stab (alguém se mexe neste mundo!) foi atrás das respostas e o Dave Prodan, VP de Comunicações da WSL, deu-lhas aqui.

E eu filtro o que há a reter: "“(...) The goal of the 2015/2016 WSL Big Wave Tour is to run as many events as possible in the biggest waves possible,” the WSL’s Dave Prodan tells Stab. “Prior to this season, organizers looked at the schedule and decided that to accomplish this, they would commit to live webcasting Puerto Escondido and Jaws and providing comprehensive video and photo highlights for Punta Galea, Todos Santos, Pico Alto, Lincoln City and Punta de Lobos. Primary reason being logistical – getting the live broadcast equipment in early enough for most locations presents a liability to actually greenlighting events. When faced with the choice of broadcasting fewer events or running as many events as possible, the Commissioner’s Office voted for the latter.”(...)"

Resumindo, a WSL assume que o webcast é um empecilho à realização destes eventos e que compromete a sua realização, logo, só fará transmissões quando conseguir montar uma estrutura antecipadamente e de forma duradoura. A minha opinião? Bom, estou do lado da WSL e acho que é uma decisão bem interessante. Põe-se do lado dos surfistas e dos eventos, quer coroar um campeão com mais do que dois eventos (Olá Makua!) e essa é a sua prioridade. O facto de os heats terem uma hora e haver poucas ondas surfadas também não ajuda ao produto, logo, o compacto que sai das etapas não transmitidas até é capaz de beneficiar o BWWT de uma forma geral. Bom trabalho de backstage da WSL, péssimo trabalho no que toca a relações públicas. Tivesse a empresa anunciado isto de forma oficial, tinha feito um melhor trabalho e ganho fãs. Garanto-vos.

Noutras campainhas tinha falado sobre os novos rankings Jeep, lembram-se? Poucos dias depois do meu post, a WSL anunciava o acordo. Só não percebo a razão pela qual primeiro fazem as coisas e só depois as anunciam. De qualquer forma, bom trabalho da WSL na angariação de patrocinadores (ui, Diogo, deves estar doente, outra vez do lado da empresa?). O site que sai da parceria também é giro.

"(...) The Jeep brand will use its frontrunner status to infuse professional surfing's most sought-after properties including sponsorship of the Tour Leaderboard and the yellow jersey indicating the rankings leader. In addition to on-site activations as the ultimate surf vehicle and specialized content offerings, Jeep will be awarding two vehicles, one to each of the 2015 Champions, come end of year and has signed on as the title sponsor for the WSL Longboard Championships in China. (...)"

Ainda no capítulo dos patrocínios, a etapa do Rio do WT e WWT, até há poucas semanas, estava sem patrocinador... Isto até a WSL anunciar a Oi, empresa gigante das telecomunicações (é tipo a Moche lá do sítio). Novamente, bom trabalho de quem gere a angariação dos patrocínios...

Já que falamos do Oi Rio Pro, que começou esta terça-feira, acho uma enorme falta de respeito o título e destaque do press release de resumo de primeiro dia de acção: "Brazilian Storm’ Rages for Round 1 of Oi Rio Pro". Eu estou-me a cagar para o facto do Adriano, Medina, Filipe, Wiggolly, Ítalo e Jádson terem ganho os seus heats. OH WSL! VOCÊS VIRAM O HEAT DO KELLY SLATER?! VIRAM OS TUBOS DELE? A LEITURA DE MAR? OI?! VIRAM, CAR*LHO?!



Falando no Kelly, recordo que há algumas campainhas atrás comentei o seu futuro...e agora, vem um novo e melhor comentário, no site da Tracks, da autoria de Phil Jarratt. E quando o Jarratt fala, os burros baixam as orelhas.

"(...) And on death: “Maybe the fear of death is really the fear that we haven’t achieved the things we wanted to in life – not necessarily the material things, but those regrets about what we didn’t do, the people we weren’t there for, the conversations we didn’t listen to. It’s all about what you leave behind, the memory of who you were, and the better that memory, the easier it is to accept dying.” 

That’s who Kelly is. What will he do next? Well, he won’t be talking story in the cushy corner of a trade show booth, that’s for sure. He’ll be making a difference, as he always has. (...)"

Voltemos atrás e fechemos o capítulo da WSL e do seu Big Wave World Tour com uma óptima notícia: foi pedida uma licença para que a onda de Mavericks faça parte deste circuito. A história é do Surfline e não podia deixar-me mais contente. Espero que corra tudo bem...mas o caminho não será fácil, até porque há quem tenha a licença, mesmo não a estando a usar.

"The World Surf League (WSL) and organizers of the Titans of Maverick's contest could be set to battle for the permit to control the big-wave event at the legendary Half Moon Bay big-wave locale. 

The Maverick’s contest has been a political hot potato for years. Most recently, the WSL has filed an application “to host its own contest as part of the renowned Big Wave World Tour,” reports SMDailyJournal.com. (...)"

Ainda no capítulo da competição, via Surfer Mag, uma nota deliciosa vinda da Encyclopedia Of Surfing e do inevitável Matt Warshaw sobre a origem do circuito profissional de surf, IPS, em 1976. Deixo em baixo o arranque do texto que espero ser o suficiente para vos convencer a ler o resto...

"Come for the surfing. Stay for the comedy. Three out of four times, when I dial up the latest WSL webcast and begin lopping off irreplaceable half-hour chunks of my life for the privilege of watching two surfers float on their boards artfully ignoring each other while two more surfers sit in a booth and warp my laptop speakers with torrents of fetid-mellow brospeak, I’m in it for the comedy. For the Twitter feed. For zinger two-paragraph web posts. Just the whole delightful, futile, nailing-Jello-to-the-wall insanity of trying to recast surfing, even if just for a few hours at a time, into a consumable and schedule-friendly professional sporting commodity. (...)" 

Tão maravilhoso!

Aproveitando a boleia do IPS, uma justa saudação ao (antes de mais) surfista e organizador Randy Rarick que acaba de se reformar de uma longa vida na WSL.

Por último na esfera da competição, quem reparou na frase em baixo no artigo da Stab sobre como é que os surfistas profissionais gastam os seus milhões? (Mesmo sem esta frase, o artigo vale a pena pela cusquice...qual é problema de um bocadinho disso? Hahaha!)

"(...)Luke Egan’s stake in the Komune hotel chain started with the first property on the Gold Coast and still beats today. (...) News Corp reports the QLD property was put on the market in February 2014 to unlock some capital. They’re after $15m to expand into the Pacific, and have also been approached by that surf-mad Mayor of Portugal, and a Japanese ski facility, Cannon tells News Corp. (...)"

Quero destacar ainda um artigo sobre a base do surf brasileiro que chegou até mim vindo de várias pessoas (obrigado a elas). O título do artigo, escrito por André Sender e Bruno Ceccon na Gazeta Esportiva, é "Apoteose no WCT esconde agonia do surf de base no Brasil" e trata isto mesmo. Num momento em que Portugal está a revolucionar os seus escalões de base, talvez tenha chegado o tempo de o Brasil fazer o mesmo. Atenção à primeira frase que é logo um balde de água fria:

"O surfe brasileiro vive uma das piores crises de sua história, mascarada pelo título de Gabriel Medina na última edição do Circuito Mundial (WCT). Nacionalmente, o esporte ainda tem gestão amadora e não consegue atrair patrocinadores, dificultando o desenvolvimento de novos talentos no deserto que a modalidade se tornou dentro do Brasil. (...)"

Não termino os destaques de hoje sem mencionar o Justin Housman, a maior descoberta na escrita de surf dos últimos anos, e o seu artigo "Surfers: Handle With Care" na Surfer Mag. Ele diz, e bem, que nós surfistas somos uma cambada de gente sensível que não pode ser criticada e está sempre a pensar na sua imagem e satisfação.

"(...)As a group, surfers have to be some of the most overly sensitive, anxious, easily offended people on the planet. We could probably use a sweet little pug to hold every now and then. 

I’m talking all levels of surfer, too. Well, not you newcomers. You’re still too pumped to scramble to your feet on an unbroken wave to worry much about what you look like once you get there. But trust me, the moment you realize that judgmental eyes are watching you awkwardly flail down the line, you’ll join our tight-assed, thin-skinned ranks. And once that surfing sensitivity grabs hold, it stays with you forever. It’s a wonder that the people at Mr. Zog’s haven’t made a Xanax-laced line of surf wax. Yet. (...)".

Para arrumar as campainhas de hoje, duas notas. Em primeiro lugar, vindo do mundo do skate, que com certeza já perceberam ser capaz de me seduzir, a crítica e análise de Kyle Beachy a Propeller,  primeiro filme de skate feito pela Vans, no site Jenkem Mag. O que eu gostava de ler uma crítica assim sobre um filme de surf...

Por último, o link para um óptimo trabalho do fotógrafo português João "Brek" Bracourt que foi publicado no site da Surfing Magazine. O Brek, que também assina a fotografia de cabeçalho deste blog, mostra que uma boa ideia é tão ou mais capaz de impressionar que uma boa técnica (que também tem) ou um bom equipamento (que acredito que também tenha). Uma amostra em baixo.

Foto: Brek
Até ao próximo capítulo.

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