30/05/2015

Tocaram as campainhas VIII

Uma coisa de que gosto nestas minhas campainhas é a sua versatilidade. Eu posso fazer delas o que quiser. Aqui, cabem tanto notícias como opiniões, tanto textos como ensaios, artigos e/ou fotografias. Críticas ou contemplações. E, hoje, sinto-me contemplativo. Podes respirar de alívio WSL, hoje não vou atrás de ti.

Comecemos.

Quem me conhece saberá que sou fã de conteúdos online e de peças bem montadas onde o design flui naturalmente com o texto. Isto tanto se pode traduzir em complexos sites como a uma mera fonte preta em fundo branco. Neste sentido, sugiro-vos dois conteúdos que per si já valem a pena ler e que, graças à forma como foram publicados, ganharam uma nova dimensão. São eles o The Fjord da revista norte-americana Surfer Mag (que por sinal está ilustrado com fotografias do homem do momento Chris Burkard) e o Tijuana Surfers da também gringa Surfing Magazine.  A primeira é sobre as Ilhas Faroé, a outra sobre o que é ser surfista numa das mais perigosas cidades do México. Para descobrirem em duas peças belíssimas.

Já que falamos na admiração por conteúdos, sugiro-vos agora um outro que chegou até mim através da lente do Júlio Adler, com um recado para a WSL (estão a ver como se faz?). A Red Bull (quem mais?) pegou em mais uma maluqueira do Jamie O'Brien, a mudança de prancha durante uma onda na Wedge no mais swell da temporada, e fez um vídeo de encher o olho de quem não percebe nada de surf e de quem é especialista. Uma coisa tão simples, um conteúdo tão curtido. Quando tiverem três minutos para aproveitar, carreguem aqui.

Outra sugestão de um conteúdo, que chegou até mim pelo ex-editor online da SURFPortugal e uma das pessoas mais criativas que conheço, o Vasco Mendonça, é esta maravilhosa história da The New Yorker. É um daqueles casos em que o preto no branco do texto é apagado depois da segunda linha tais são as maravilhosas cores que emanam da história. Intitulado "Surfing Into The Adolescence", este artigo autobiográfico descreve a chegada do autor, William Finnegan, na altura com 13 anos, já surfista, a Oahu em plenos anos 70. Finnegan já era surfista mas a forma como a magia das ilhas o contagiou... contagia-nos a nós também. Pessoalmente, senti-me transportado para a época e não pude ficar mais preenchido ao ler o texto. Tudo aquilo que leram sobre o Havaí e a sua evolução histórica (racismo, violência, etc) está aqui transposto mas é apenas um pormenor na história de uma criança que tem o surf como...tudo. Eis o primeiro parágrafo deste que é um dos mais incríveis textos de surf que li na minha vida:

"The budget for moving our family to Honolulu was tight, judging from the tiny cottage we rented and the rusted-out Ford Fairlane we bought to get around. My brother Kevin and I took turns sleeping on the couch. I was thirteen; he was nine. But the cottage was near the beach—just up a driveway lined with other cottages, on a street called Kulamanu—and the weather, which was warm even in January, when we arrived, felt like wanton luxury. (...)"

Deixem-me recuperar o fôlego, que o texto de cima é maravilhoso.

Se já forem pais ou tiverem vontade de o ser e têm a ambição de ter o próximo Gabriel Medina, Nyjah Huston. Kelly Slater, Travis Pastrana ou Tony Hawk em casa, recomendo-vos este artigo do The New York Times intitulado "Is It Wrong to Let Children Do Extreme Sports?". O título do artigo explica bem o que trata e não tenham dúvidas, é um dos assuntos mais prementes da actualidade dos desportos modernos. O assunto merecia mais uns milhares de caracteres mas, enfim, só pelo facto de ter sido abordado vale a pena ler. Talvez assim se sensibilize também mais gente para a questão.

Um parágrafo do texto que vos deve convencer a ler o resto:

"(...) Vani Sabesan, an associate professor of orthopedics at Wayne State University School of Medicine and the lead author of a study on head and neck injuries in extreme sports, worries that kids aren’t mentally ready for these activities. They tend to underestimate risk, and their parents can’t always be trusted to keep them in check. She is especially concerned about adolescents who imitate things they see on TV or in videos, without proper training. “What we’re seeing is a lot of kids thinking maybe they can do what these professional athletes can do,” Sabesan says. (...)"

Desastres ambientais! Que coisa mais maravilhosa, não é? Fiquei bastante aborrecido com as notícias de mais uma enorme fuga de petróleo a atingir uma uma região rica em vida marinha...e surf: Santa Barbara, Califórnia. Foram só 80.000 mil litros de crude. Saibam o que aconteceu nesta notícia da Surfer Magnesta notícia do Surfline e, em português, nesta notícia do Público. É preciso manter o olhar atento aos monstros que permitem que isto aconteça. Um excerto da notícia do Surfline:

"(...) The spill covered about four miles, and beaches in the area remain closed while emergency crews attempt to clean up the mess. Surf spots affected include El Cap and Refugio, and it is unclear whether the area will open up for the upcoming holiday weekend. (...)"

Um sonho. Photo: Oscar Diego Martinez
E já que falamos de ameaças ao mar e às ondas, que tal abordar o regresso das dragagens à quilométrica esquerda de Mundaka? Ao contrário de Portugal, parece que nuestros hermanos estão a ter mais problemas em mostrar ao governo regional o potencial económico de ter uma das melhores ondas do planeta ali à porta de casa. Tendo crescido para o surf com o sonho de surfar esta onda e tendo ficado satisfeito por a ter visto voltar à vida depois das últimas dragagens em 2004, acho isto especialmente tenebroso e apoio completamente o movimento dos irmãos bascos Acero de tentar proteger a onda. Saibam qué pasa aqui (Surfing Life) e aqui Surfer Mag. Um tease: 

"(...) Remember when Mundaka just seemed to disappear back in the mid-00s? It’s always been a fickle wave, sure. But after the wave failed to show up in 2004 following a huge dredging project stripped away some 300,000 cubic meters of magic barrel-making sand from the mouth of the Oka river, Mundaka’s left was simply gone. For two years. Then, slowly, it began to come back to life as its precious sand was naturally replenished, and it resumed its freight-training ways, much to the delight of Europe. (...)"

Ainda sobre ondas, mas numa nota mais positiva, destaque para o conteúdo do Surfline sobre a portuguesa Cave e a australiana The Box. Num mano a mano entre duas ondas igualmente medonhas, venceu a portuguesa. O resultado chegou após consulta de alguns dos maiores especialistas em tubos do planeta. O conteúdo não é fantástico mas não deixa de ser interessante ter alguns surfistas do Tour a falar sobre uma das ondas menos surfadas e mais mediáticas da costa portuguesa. Perdoem-me o ufanismo...

Entretanto, lembram-se do Mickey Smith? Eu não o esqueci, até porque este fotógrafo é o autor de um multi-premiado trabalho que correu o Mundo e do qual sou fã, o vídeo Dark Side of The Lens (se não conhecem, vejam aqui). Mas há muito que me andava a perguntar onde raio ele andava. E não é que a Grind Tv respondeu à minha dúvida? He's a fucking rockstar, man! Confesso que tenho um fraquinho por reviravoltas como esta.

"The music ends, the lights go off in London’s cavernous Alexandra Palace, and, in the darkness, 7,000 people scream in approval. Suddenly the stage lights flash back on, illuminating the UK singer Ben Howard and his band. Just to the left of Howard, Mickey Smith, red guitar in hand, blinks into the light and bows in thanks to the roar of the crowd. 

It seems that one of surfing’s best-ever photographers and filmmakers has morphed into a rock star. (...)"

Saltemos agora para o vasto capítulo das entrevistas. Eu sou fã deste género jornalístico e apanhei várias que, por um motivo ou outro, me convenceram. Não me vou alongar porque acredito que para a maior parte das pessoas o interesse em ler uma entrevista a alguém reside na atracção que o entrevistado, a priori, causa em nós.

Comecemos pelo Beach Grit que entrevistou Peter King, autor dos badalados #TourNotes da Hurley. Uma coisa tão simples e porreira que até a WSL promove...

"(...) BeachGrit: Tell me about making documentaries. 
PK: It works because it’s me. I’ve been around the tour, I know it. I was on tour for three-and-a-half years, back when girls wanted to hang with Shaun Tomson and Rabbit Bartholomew and were 35 years old and wore high-waisted bikinis, do cocaine and all those things I didn’t know about. And what do I remember about my time on the tour? It isn’t the heats. I wanna show the fun. I want to show the silly little conversations. 

BeachGrit: How did you make Tour Notes happen? Even low-budget takes money. 

PK: I’m persistent. And overweight. It’s a deadly combination. Oh, but seriously, Evan Slater (from Hurley, the sponsor of Tour Notes) is a real journalist. He appreciated my ability to deliver something. I just have my iPhone running. Most of Tour Notes is shot on an iPhone. I have a RED camera but I just look at it. (...)"

Num artigo da Stab Mag com o havaiano e surfista do World Tour Freddy Patacchia, gostei de ler esta tirada do goofy. Curioso, não é?


"(...) As far as his last batch of boards, like so many surfers he’s tapped Matt ‘Mayhem’ Biolos. And, he wants the same shapes as Carissa Moore. 

“I asked Matt for a Carissa model because Carissa puts it on rail, full on. She is an aggressive rail surfer. I look at her boards and I’m like, man, she’s really throwing those things around.” (...)"


Foto: The Inertia.

No BeachGrit e sobre o localismo em Lunada Bay na Califórnia, uma onda que é tida como das melhores daquele estado, o controverso designer David Carson, que pode falar sobre o assunto porque lá viveu na juventude, tem esta corajosa tirada:

"(...) BeachGrit: What’s the wildest stuff, specifically, you’ve seen?

 Carson: Lots of ugly, dumb shit. Localism taken to the absurd extreme. The only way you can kinda rationalize it is well, thats them, they are just as big a kook, asshole and jerk wether they are driving, standing in a check-out line, ordering fast food, on dates, at parties, at their kids sporting event or attempting to surf. Always miserable, always jerks. Always assholes. (...)"

Ainda nas tiradas, há que adorar esta do rookie do World Tour Matt Banting que revela bem a filosofia da WSL quanto ao que constitui entretenimento. A entrevista é da Stab.

"(...) “The waves have shit me a little bit. It seems like they just want to run in the biggest, most dramatic conditions possible, which aren’t necessarily the best conditions to compete in. A couple of the afternoons I surfed Margarets and it was 10 foot, windblown and shit happening everywhere. And I couldn’t help thinking, is this really the the dream tour? Then at Bells I had a heat with Joel coming into the high tide and we only got one decent set in the whole heat. But I mean, you can’t blame the waves, cause then in Rio it kinda helped me beat Slater.” (...)"

Agora, ao Coastal Watch, o Luke Egan, ex-surfista do World Tour, mostra MAIS uma vez, quão sortudos são os surfistas profissionais.

"(...) Retiring was the hardest thing I’ve had to do in my life but surfers are lucky because we always have our passion. Rugby League Immortal Andrew Johns said to me, “You’re retired but you can pick up a surfboard right now and go surf as hard as you surfed any heat in your whole career and you get that release. I can’t walk out onto the field and play football as hard as I did ever again.” I wasn’t training much or enjoying my new life but what he said really struck a chord. After that I thought, “No more rest. I have to train my arse off and still surf to the level I gotta surf.” (...)"

Fechamos este capítulo com uma entrevista da What Youth à namorada e mãe do filho de Dane Reynolds, Courtney Jaedke aka Napkin Apocalypse. Se aqueles dois sempre vos pareceram estranhos, sobretudo com aquela história de vestir os seus cães e pombos (!!!), ainda mais vão parecer agora.

"(...) Do you remember the first time you got the dogs together and were taking photos? Have you always been doing that? 

 No, and All of this was never a conscious decision. Even photographing the dogs. It’s just gotten more and more fine-tuned or more elaborate. I have photos of me from when I’m like 9 putting glasses on my dog. I’ve always dressed up dogs and I’ll look back at some of the photos and be like, “Ugh, I can’t believe the lighting in that one,” or, like, “Oh, the dog wasn’t looking at the camera.” So I’ve gotten more particular about how things look, which could be a bad thing but it was never conscious. The more you do anything you just get more particular and fanatical about it. (...)".


Foto: Aframe/Ted Grambeau

Já que falamos de Dane Reynolds, o que dizer da decisão da WSL em lhe dar um wildcard para competir no Fiji Pro? É que não há qualquer tipo de justificação! Nem de ranking, nem de passado histórico no evento, nada! Não me entendam mal, eu adoro o surf do Dane e não podia estar mais contente. Mas parece-me evidente que a decisão é interessante. Creio que a WSL sabe bem onde estão os fãs e está a fazer um esforço para meter o Dane no Tour. Até porque, não sei se se recordam, a prestação dos wildcards já dá pontos para o ranking do WQS...e do Tour. Resta saber se o Dane quer voltar à estrada do Tour...

"(...) Reynolds, a former CT competitor and celebrated innovator of high-performance surfing, has been allocated the wildcard for the 2015 Fiji Pro, which runs June 7-19. Reynolds will face three-time WSL Champion Mick Fanning (AUS) and rookie sensation Wiggolly Dantas (BRA) in Round 1 of competition. This will be Reynolds' second CT event of the season. He competed in the Quiksilver Pro Gold Coast and was eliminated in Round 2 by his upcoming Fiji opponent, Fanning. (...)"

E já que falamos na WSL... Não resisto. A história da WSL se ter candidatado a uma licença de competição em Mavericks (só há uma disponível por ano) parece ter chegado ao fim...este ano. Parece-me que isto é algo rocambolesco. Sabendo que só há uma licença disponível por ano e que nesta temporada esta estava já entregue aos Titans Of Mavericks, porquê a candidatura? Para ver se colava o barro à parede e criavam mais uma? De qualquer forma, parece-me que a WSL não é nada parva e que reconhece a importância de ter um evento do Big Wave World Tour em plena Califórnia.  Por outro lado, creio que quem atribui a licença está doido para a atribuir à WSL e retirar aos Titans Of Mavericks, que nada ainda fizeram pela competição na pesada onda. O Surfline contava-vos o que aconteceu neste capítulo.

"(...) Meanwhile, the WSL “respectfully withdrew” their permit two days ago. 

Turns out, there was an administrative error on the part of the SMCHD. The permit should’ve never been offered in the first place, as Titans of Mavericks already had preexisting terms through 2015-16 as they inherited the Maverick’s Invitational permit. (Check the YouTube of the SMCHD meeting from 2013.) 

"We understood there was a permit available, but came to find out that this wasn't the case," BWWT commissioner (and former event winner) Pete Mel said. "And after long discussions within the WSL, we felt that the best move in the present was to pull the application. That said, most every surfer knows it's one of the best venues in the world and it would enhance the BWWT immensely. We'd love to have it on tour and look forward to that possibility in the future." (...)".

Termino hoje com duas "notícias" que me fizeram rir à grande. Ao melhor jeito de humor brasileiro, do qual sou fã, o Sensacionalista (tipo The Onion nos E.U.A. ou Inimigo Público em Portugal) conta novidades do mundo do surf em terras de Vera-Cruz. Os títulos:



Terminamos por hoje, até breve!

29/05/2015

Um abraço da Volcom internacional



Coloco aqui este vídeo não porque o adoro (meh), não porque são os meus surfistas preferidos (meh), não porque me entreteve particularmente (meh), mas sim porque já devia ter aqui destacado o enorme abraço que a Volcom Internacional está a dar ao brasileiro Yago Dora. Pelo destaque que lhe tem dado nas suas próprias produções e viagens, o que se tem traduzido em notórias e sentidas presenças em revistas internacionais, não me coloca desconforto nenhum dizer que o Yago é já uma das caras mundiais da marca. Aplausos para o miúdo que ele surfa nas horas e tem um estilaço. Bom trabalho Yago, bom trabalho Volcom.

Uma das melhores de sempre

Um dos melhores

... e há mais tempo um dos meus preferidos.
Wade Goodall from CI Surfboards on Vimeo.

26/05/2015

1000 vezes o Jordy ao Filipe Toledo

Jordy Smith California from Steve Kennedy on Vimeo.

Que eles se encontrem na final e façam a vida negra um ao outro. Pelo caminho, gostava que eliminassem o Gabriel Medina e o Julian Wilson, no que seria uma outra maravilhosa final.

12/05/2015

Tocaram as campainhas VII

Estou em pulgas. Vocês sabem quanto me custa aguentar aqui links? O que me custa não escrever um destes todos os dias? Não sabem...! Vamos começar? 'bora. E no início estão desenvolvimentos de campainhas anteriores.

Lembram-se de ter falado sobre a ausência de webcast na primeira etapa desta temporada de Big Wave World Tour? A Stab (alguém se mexe neste mundo!) foi atrás das respostas e o Dave Prodan, VP de Comunicações da WSL, deu-lhas aqui.

E eu filtro o que há a reter: "“(...) The goal of the 2015/2016 WSL Big Wave Tour is to run as many events as possible in the biggest waves possible,” the WSL’s Dave Prodan tells Stab. “Prior to this season, organizers looked at the schedule and decided that to accomplish this, they would commit to live webcasting Puerto Escondido and Jaws and providing comprehensive video and photo highlights for Punta Galea, Todos Santos, Pico Alto, Lincoln City and Punta de Lobos. Primary reason being logistical – getting the live broadcast equipment in early enough for most locations presents a liability to actually greenlighting events. When faced with the choice of broadcasting fewer events or running as many events as possible, the Commissioner’s Office voted for the latter.”(...)"

Resumindo, a WSL assume que o webcast é um empecilho à realização destes eventos e que compromete a sua realização, logo, só fará transmissões quando conseguir montar uma estrutura antecipadamente e de forma duradoura. A minha opinião? Bom, estou do lado da WSL e acho que é uma decisão bem interessante. Põe-se do lado dos surfistas e dos eventos, quer coroar um campeão com mais do que dois eventos (Olá Makua!) e essa é a sua prioridade. O facto de os heats terem uma hora e haver poucas ondas surfadas também não ajuda ao produto, logo, o compacto que sai das etapas não transmitidas até é capaz de beneficiar o BWWT de uma forma geral. Bom trabalho de backstage da WSL, péssimo trabalho no que toca a relações públicas. Tivesse a empresa anunciado isto de forma oficial, tinha feito um melhor trabalho e ganho fãs. Garanto-vos.

Noutras campainhas tinha falado sobre os novos rankings Jeep, lembram-se? Poucos dias depois do meu post, a WSL anunciava o acordo. Só não percebo a razão pela qual primeiro fazem as coisas e só depois as anunciam. De qualquer forma, bom trabalho da WSL na angariação de patrocinadores (ui, Diogo, deves estar doente, outra vez do lado da empresa?). O site que sai da parceria também é giro.

"(...) The Jeep brand will use its frontrunner status to infuse professional surfing's most sought-after properties including sponsorship of the Tour Leaderboard and the yellow jersey indicating the rankings leader. In addition to on-site activations as the ultimate surf vehicle and specialized content offerings, Jeep will be awarding two vehicles, one to each of the 2015 Champions, come end of year and has signed on as the title sponsor for the WSL Longboard Championships in China. (...)"

Ainda no capítulo dos patrocínios, a etapa do Rio do WT e WWT, até há poucas semanas, estava sem patrocinador... Isto até a WSL anunciar a Oi, empresa gigante das telecomunicações (é tipo a Moche lá do sítio). Novamente, bom trabalho de quem gere a angariação dos patrocínios...

Já que falamos do Oi Rio Pro, que começou esta terça-feira, acho uma enorme falta de respeito o título e destaque do press release de resumo de primeiro dia de acção: "Brazilian Storm’ Rages for Round 1 of Oi Rio Pro". Eu estou-me a cagar para o facto do Adriano, Medina, Filipe, Wiggolly, Ítalo e Jádson terem ganho os seus heats. OH WSL! VOCÊS VIRAM O HEAT DO KELLY SLATER?! VIRAM OS TUBOS DELE? A LEITURA DE MAR? OI?! VIRAM, CAR*LHO?!



Falando no Kelly, recordo que há algumas campainhas atrás comentei o seu futuro...e agora, vem um novo e melhor comentário, no site da Tracks, da autoria de Phil Jarratt. E quando o Jarratt fala, os burros baixam as orelhas.

"(...) And on death: “Maybe the fear of death is really the fear that we haven’t achieved the things we wanted to in life – not necessarily the material things, but those regrets about what we didn’t do, the people we weren’t there for, the conversations we didn’t listen to. It’s all about what you leave behind, the memory of who you were, and the better that memory, the easier it is to accept dying.” 

That’s who Kelly is. What will he do next? Well, he won’t be talking story in the cushy corner of a trade show booth, that’s for sure. He’ll be making a difference, as he always has. (...)"

Voltemos atrás e fechemos o capítulo da WSL e do seu Big Wave World Tour com uma óptima notícia: foi pedida uma licença para que a onda de Mavericks faça parte deste circuito. A história é do Surfline e não podia deixar-me mais contente. Espero que corra tudo bem...mas o caminho não será fácil, até porque há quem tenha a licença, mesmo não a estando a usar.

"The World Surf League (WSL) and organizers of the Titans of Maverick's contest could be set to battle for the permit to control the big-wave event at the legendary Half Moon Bay big-wave locale. 

The Maverick’s contest has been a political hot potato for years. Most recently, the WSL has filed an application “to host its own contest as part of the renowned Big Wave World Tour,” reports SMDailyJournal.com. (...)"

Ainda no capítulo da competição, via Surfer Mag, uma nota deliciosa vinda da Encyclopedia Of Surfing e do inevitável Matt Warshaw sobre a origem do circuito profissional de surf, IPS, em 1976. Deixo em baixo o arranque do texto que espero ser o suficiente para vos convencer a ler o resto...

"Come for the surfing. Stay for the comedy. Three out of four times, when I dial up the latest WSL webcast and begin lopping off irreplaceable half-hour chunks of my life for the privilege of watching two surfers float on their boards artfully ignoring each other while two more surfers sit in a booth and warp my laptop speakers with torrents of fetid-mellow brospeak, I’m in it for the comedy. For the Twitter feed. For zinger two-paragraph web posts. Just the whole delightful, futile, nailing-Jello-to-the-wall insanity of trying to recast surfing, even if just for a few hours at a time, into a consumable and schedule-friendly professional sporting commodity. (...)" 

Tão maravilhoso!

Aproveitando a boleia do IPS, uma justa saudação ao (antes de mais) surfista e organizador Randy Rarick que acaba de se reformar de uma longa vida na WSL.

Por último na esfera da competição, quem reparou na frase em baixo no artigo da Stab sobre como é que os surfistas profissionais gastam os seus milhões? (Mesmo sem esta frase, o artigo vale a pena pela cusquice...qual é problema de um bocadinho disso? Hahaha!)

"(...)Luke Egan’s stake in the Komune hotel chain started with the first property on the Gold Coast and still beats today. (...) News Corp reports the QLD property was put on the market in February 2014 to unlock some capital. They’re after $15m to expand into the Pacific, and have also been approached by that surf-mad Mayor of Portugal, and a Japanese ski facility, Cannon tells News Corp. (...)"

Quero destacar ainda um artigo sobre a base do surf brasileiro que chegou até mim vindo de várias pessoas (obrigado a elas). O título do artigo, escrito por André Sender e Bruno Ceccon na Gazeta Esportiva, é "Apoteose no WCT esconde agonia do surf de base no Brasil" e trata isto mesmo. Num momento em que Portugal está a revolucionar os seus escalões de base, talvez tenha chegado o tempo de o Brasil fazer o mesmo. Atenção à primeira frase que é logo um balde de água fria:

"O surfe brasileiro vive uma das piores crises de sua história, mascarada pelo título de Gabriel Medina na última edição do Circuito Mundial (WCT). Nacionalmente, o esporte ainda tem gestão amadora e não consegue atrair patrocinadores, dificultando o desenvolvimento de novos talentos no deserto que a modalidade se tornou dentro do Brasil. (...)"

Não termino os destaques de hoje sem mencionar o Justin Housman, a maior descoberta na escrita de surf dos últimos anos, e o seu artigo "Surfers: Handle With Care" na Surfer Mag. Ele diz, e bem, que nós surfistas somos uma cambada de gente sensível que não pode ser criticada e está sempre a pensar na sua imagem e satisfação.

"(...)As a group, surfers have to be some of the most overly sensitive, anxious, easily offended people on the planet. We could probably use a sweet little pug to hold every now and then. 

I’m talking all levels of surfer, too. Well, not you newcomers. You’re still too pumped to scramble to your feet on an unbroken wave to worry much about what you look like once you get there. But trust me, the moment you realize that judgmental eyes are watching you awkwardly flail down the line, you’ll join our tight-assed, thin-skinned ranks. And once that surfing sensitivity grabs hold, it stays with you forever. It’s a wonder that the people at Mr. Zog’s haven’t made a Xanax-laced line of surf wax. Yet. (...)".

Para arrumar as campainhas de hoje, duas notas. Em primeiro lugar, vindo do mundo do skate, que com certeza já perceberam ser capaz de me seduzir, a crítica e análise de Kyle Beachy a Propeller,  primeiro filme de skate feito pela Vans, no site Jenkem Mag. O que eu gostava de ler uma crítica assim sobre um filme de surf...

Por último, o link para um óptimo trabalho do fotógrafo português João "Brek" Bracourt que foi publicado no site da Surfing Magazine. O Brek, que também assina a fotografia de cabeçalho deste blog, mostra que uma boa ideia é tão ou mais capaz de impressionar que uma boa técnica (que também tem) ou um bom equipamento (que acredito que também tenha). Uma amostra em baixo.

Foto: Brek
Até ao próximo capítulo.

11/05/2015

#TOURNOTES: JJF VS. PAT O



Sobre o vídeo acima, duas coisas. Primeiro, afinal o Joe Turpel consegue ter graça! É só tirá-lo do contexto da WSL e deixá-lo ser ele mesmo. Quem diria?! Segundo, a sério que o Pat O'Connel está a treinar o John John Florence? A sério? Não havia mais ninguém? Alguém mais indicado?

P.S. O Brett Simpson consegue ser tão interessante atrás das câmeras como à frente delas.

The Inertia's HEADSPACE: Lakey Petersen

05/05/2015

Boa, Oakley!

Primeiro, a marca de óculos de sol traz de volta aquele que, muito provavelmente, é o melhor evento Prime do circuito de qualificação do WQS. Depois, destaca aqueles que têm dominado esse mesmo evento (o Prime de Trestles) e o circuito, os surfistas brasileiros.



De qualquer forma, já se acabava com a descriminação positiva, não?

02/05/2015

Tocaram as campainhas VI

As campainhas voltaram!

E vamos continuar a manter a nota da polémica, sim? Afinal, é por causa disso que vocês vêm aqui, não é verdade? *piscar do olho*

Comecemos pelos Olímpicos. De 4 em 4 anos dou por mim embasbacado a ver curling, ginástica rítmica e metros barreiras. Isto para dizer que, por ser os Jogos, acabo por ver qualquer desporto que passe na televisão. Mas será que isso significa que veria também o surf? Claro! Agora, será que quero ver o surf nos Olímpicos? É que eu não tenho qualquer ligação e paixão pelo curling, por isso, em nada me preocupa se a sua presença na "competição grega" afecta o desporto. O mesmo não posso dizer sobre o surf. Claro que vai afectar...e eu não sei se nós, surfistas, precisamos disso. Portanto, ligando o modo cinismo ON, se quero o surf nos Olímpicos? Não! Mas se lá estivesse, será que veria? Sim!

Anyway, numa história do The Inertia, fiquemos com a mais recente vontade do presidente da ISA, Fernando Aguerre, que há 20 anos que defende o surf como desporto olímpico.

"(...) I am sure it will be one of the first Olympic venues to sell out of tickets,” Aguerre told Kyodo News.”Today you go to any beach around the world and people are dressed like surfers, wearing surf brands, and they all want to surf. Surfing is a young sport, it’s practiced by people of all ages, but it’s also a sport that has captivated the hearts and minds of young people around the world. (...)”

Escrevi PPV no google images e foi isto que apareceu.

Bom e agora...vamos para a WSL, sim? Que chatice, ando sempre a apertar com eles. Mas, de facto, a empresa (ainda me que custa a escrever empresa em vez de associação, foram muitos anos...) está sempre na ordem do dia. Hoje há coisas e notícias más, mais ou menos e boas. Vamos começar pelas boas? Siga! Não.Vamos começar pelas mais ou menos. 

Depois do anúncio da WSL sobre o acordo com a NeuLion, sobre o qual falámos aqui, a revista australiana Tracks Mag questionou Dave Prodan, VP de Comunicações da empresa do surf, acerca desse mesmo acordo. E parece que não vai haver pay-per-view!

"(...) “We have no plans to implement a pay-per-view model,” said Dave Prodan, the Vice-President of Communications for the WSL. “The WSL, from the beginning, has been about removing stop signs and putting out welcome mats. We have no plans to prevent our fans from watching the world’s best surfing.” (...)"

Boas notícias, não é? Mas quem é que acredita?! Ninguém! Logo, mais ou menos!

E agora, as boas notícias! Neste capítulo, arranquemos pelo novo patrocinador do "tempo" do Big Wave World Tour, a Tag Heurer, uma das maiores marcas de relógios do planeta, num anúncio feito hoje mesmo (a seguir aos prémios XXL! Que timing!). E parece que é uma parceria de vários anos!

"(...) The World Surf League (WSL) and TAG Heuer today announced the Swiss watchmaker's sponsorship as "Official Timekeeper" of the WSL Big Wave Tour (BWT), lending the company's reputation for "Avant-Garde" to a sport that champions fearlessness, athleticism and places a premium on quality and preparedness. 

This multi-year partnership will see the TAG Heuer inject its #DontCrackUnderPressure campaign into the heart of big wave surfing, serving as the Official Watch of the tour, and supporting the "Biggest Wave" and "Biggest Wipeout" components of the annual WSL Big Wave Awards. (...)".

Noutra coisa boa, lembram-se de aqui ter falado do rumor do choque entre WSL e IMG (a super empresa de eventos de media, moda e desporto?). Quem apanhou o press release (disfarçado...) a revelar que está tudo bem e o U.S. Open vai mesmo acontecer?

"The World Surf League (WSL) is pleased to announce that the Vans US Open of Surfing in Huntington Beach - an elite women's Championship Tour event, a men's QS10000 event and a Pro Junior event - has been confirmed for its 2015 schedule. 

The partnership marks a multi-year commitment between WSL and IMG for the Vans US Open of Surfing, ensuring the "Surf City" event is contested by the world's best surfers for years to come. (...)".

E agora, nas más notícias, não fosse o Júlio Adler no seu Facebook e no livesurfe, quem fora do Brasil saberia da escandaleira ambiental (não há outra palavra que possa usar) que está a acontecer no Rio de Janeiro em antecipação do Oi Rio Pro? E pelo segundo ano consecutivo! A SURFPortugal, aqui, conta muito bem a história.

"A menos de duas semanas do arranque da etapa brasileira do World Tour, a quarta paragem do circuito, começam a aquecer os motores para a chegada dos melhores surfistas do Mundo ao Rio de Janeiro. Contudo, as estrelas da WSL, tal como já havia acontecido no ano passado, não vão competir em São Conrado. Tudo devido aos esgotos que correm diretamente para o mar e que poluem uma das melhores ondas do Rio. (...)".

E, para fechar o capítulo do negativo, o que dizer da WSL que, depois de anunciar ao mundo o regresso da temporada do BWWT com o Quiksilver Ceremonial Punta de Lobos, não consegue transmitir o campeonato? Só o BeachGrit parece ter ter tido bolas para falar da coisa...

"THE PUNTA DE LOBOS BIG-WAVE CONTEST IS ON! 

…and the world's best big-wave surfers are putting their necks on the line in Chile's biggest tubes… Or so the WSL would have us believe. No webcast means no footage means no proof. To call this a fuck-up on the part of surfing’s competitive overlords would be an understatement. (...)"

E fechamos estas campainhas com a expectativa da Stab Magazine relativamente ao campeão mundial de 2015. Será mais um brasileiro? Que medo! Para responder a esta questão, a revista foi buscar um especialista conhecido por ser algo...tendencioso, o ex-Pipe Master australiano Jake Paterson. Só que, curiosamente, desta vez, o "The Snake" não o foi...muito.

"(...) What’s the percentage chance of a Brazilian world champ this year?
Sixty percent chance of a Brazilian world champ, I’d say.

What does the Brazilian Storm mean to Snake? 
I love it! They bring a whole new passion to the sport. Well, when I say new, I should say old: Back in the Rabbit, Pottz, Gerr, Dooma Hardman days it was dog eat dog. Everyone on tour these days are way too chummy… I want to see some hatred and pure fire back in the sport. (...)".

E já não soa mais nenhuma campainha! Acabou por hoje. Até breve.

Os campeões da maluqueira

2015 WSL Big Wave Awards Winners

2014/15 ASP Big Wave Tour Champion: Makuakai Rothman (HAW)

Tube of the Year: Matahi Drollet Photographer: Tim McKenna

Billabong Women's Best Overall Performance: Paige Alms (HAW)

Wipeout of the Year Award: Benjamin Sanchis (FRA) Videographer: Michael Darrigade

Biggest Paddle: Jamie Mitchell (AUS) Photographer: Frank Pompermayer

Surfline Best Overall Performance: Shane Dorian (HAW)

XXL Biggest Wave: Sebastian Steudtner (GER) Photographer: Mike Jones

Billabong Ride of the Year: Shane Dorian (HAW)



Alguém viu a transmissão? Eu não vi. O que acharam? Vamos falar sobre isto.