07/04/2015

Tocaram as campainhas, III

Não consegui aguentar até ao fim da etapa de Bells Beach para escrever mais um destes. A verdade é que a minha lista de leitura estava cheia de mais e a minha compulsão obsessiva estava a entrar em modo ON. Por isso, vamos meter a mão na massa?

Antes de mais, envio-vos JÁ para o blog da Encyclopedia Of Surfing onde o histórico, jornalista e ex-pro surfer Matt Warshaw está a partir a loiça com histórias e episódios maravilhosos vindos das várias décadas de competição em Bells. Nem vou pegar em excertos ou coisas similares, tudo daquilo é bom.

Agora sim comecemos pelas recomendações (a de cima é uma obrigação!) e pela revista australiana Tracks Mag que se junta ao grupo daqueles que exigem mudanças ao World Tour da WSL. As propostas são as mesmas de sempre e parecem estar a ganhar cada vez mais fãs. Em resumo, menos surfistas, menos rondas, menos eventos. Mas será que tantos menos vão resultar num "mais espectáculo"? Leiam o artigo da revista e decidam, contudo, uma coisa parece óbvia: os desportos, como tudo na vida, devem evoluir...

"While sports like rugby and cricket, for example, have always had the same basic gaming rules (15 men trying to get a ball over a line, 11 men trying to get a ball over a line) they have also evolved drastically over the last three decades to keep up with market demands and sports fan preferences.
Limited overs tournaments and T20 in cricket. Sevens Rugby, which everyone loves, and rule changes with regards to substitutes, Television Match Officials, and many other little changes to the games that are designed to help sustain public interest. For is that not what professional sport is all about? Entertaining the existing fans, attracting more of them to the game, and keeping them enthralled once they arrive? (...)"

O Beach Grit (quem mais?) recorda neste artigo um importante dado sobre a prova de Bells: é a única do circuito mundial e da WSL que cobra entrada para o seu recinto, ou seja, quem vai, tem de pagar para ver os melhores do Mundo em acção. Cada um pode dar a sua opinião, mas o autor, Chas Smith, explica-nos, com todos os seus floreados, por que não adorou pagar 25 dólares por um dia de seca...molhada.

"(...)"$25? For this?" (...)"

E já que estamos no Beach Grit com Chas Smith, passemos os olhos pela sua estrambólica solução para animar os eventos de surf (e sobretudo o de Bells Beach):

"(...) What if the WSL allowed surfers in the water during these sorts of days to ride the pretty good looking waves? It would be amazing. (...)"

Por último deste site e do Chas, este indaga-se sobre a possibilidade de o presidente da WSL, Paul Speaker, ter tomado ecstasy antes de escrever um press release sobre uma nova parceria da organização no Brasil (já lá vamos):

"(...) The WSL’s CEO Paul Speaker issued a press release today and wow! So happy! The content is standard hyperbole, announcing some partnership with a Brazilian television somethingratherelse, until Mr. Speaker takes it to the moon! 

"It is the most exciting time in the history of the sport right now,” he says. 

“The most EXCITING TIME IN THE HISTORY OF THE SPORT RIGHT NOW.” 

Post-2 inch Snapper and right in the middle of whatever burger Bells. Samsung partnership. For no money. 

The 

Most 

Exciting 

Time 

In 

The 

History 

Of 

The 

Sport 

RIGHT 

NOW! 

Is it though? The most exciting time? In the history of the sport? Right now?  (...)"

A minha resposta é não, não é.

Como vos disse, a WSL anunciou uma nova parceria no Brasil. Os detalhes são curtos como sempre mas no fundo é o anúncio de um novo acordo para a transmissão dos eventos do World Tour e World Women's Tour (..suponho?) com a cadeia Globosat. Giro giro é que entretanto, em Bells Beach, o evento está a ser transmitido na ESPN...que não pertence à cadeia Globo. Terá sido apenas mau timing? Ejaculação precoce? Mais uma seta na testa do barman e não no alvo? Leiam o comunicado e divirtam-se. Em baixo, um tease.

"(...)A pioneer in live webcasting and digital content, the WSL has seen unprecedented growth over the past 24 months in terms of audience aggregation, growth and engagement. Today's announcement of the WSL's partnership with Globosat is further indicative of the League's commitment to fostering relationships with top-of-class entities and delivering an unparalleled sporting experience to the largest possible audience. (...)"

Bom e aproveitando que estamos no mundo da competição de surf, nele fiquemos por mais uns minutos...e com um dado sinistro sobre o principal investidor da WSL (e ZoSea), o gazilionário Dirk Ziff. É que parece que o americano anda a tentar destruir uma das principais maravilhas do mundo natural: a Grande Barreira de Coral. A história é inevitavelmente do The FreeRide Voice, talvez o único site de surf no Mundo a fazer jornalismo de investigação:

"(...) So while the impact Ziff’s project will have on the Great Barrier Reef and surrounding waterways and environment remains to be seen, here we are in Pro Surfing living off Ziff’s handouts sunning our nuts in magnificent Ziff-built beach structures on tour without a care in the world. 

I wonder how many Pro tour surfers are aware where the money comes from, and if they’re stoked on how dirty it is? Would they even care? 

Although there are better questions to ask in surfing right now, and with the increased silence and reclusive illusiveness from Ziff and Speaker … we’re back to my original question where one can only possibly speculate. 

Why did Dirk choose to invest millions into pro surfing? 

On one hand he gives the superficial world of tournament surfing its life, and then literally takes away life and sustainability of one of the World’s Seven Wonders, with the other. It’s a confounding contradiction. (...)".

Por último, entremos no Mundo Kelly Slater. É que não sei se já repararam mas não se fala de outra coisa desde o início do ano. Ainda nem percebi se o ano do World Tour já começou ou não.

Como diz o Beach Grit sobre o 11x campeão mundial - e se ainda não tinham reparado, concentrem-se - o homem faz o que bem lhe apetece! É isso que vai fazer quando se retirar! Parem de lhe perguntar isso! É ISSO QUE VAI FAZER! TUDO! FILMES! ROUPA! PRANCHAS! PISCINAS! E nós vamos cá estar para assistir a tudo isso...

"(...) If this is the twilight of your career, as so many seem so certain is the case, then fuck it. You do you, brother. Have the fun you so deserve. We’ll be watching until the last curtain closes. And probably long after that, disbelieving til the end. (...)"

Portanto, e numa história do NY Times, Kelly vai estar no Mundo da roupa. E vai estar também no mundo dos filmes, com uma longa-metragem/documentário sobre as ligações entre o surf e o tráfico de droga, diz-nos a Stab Mag nesta história. E não se esqueçam do negócio das piscinas de ondas...

Carreguemos agora no play do primeiro de dois vídeos (da WSL!) que estão neste post, ambos com Slater. É que ouvir o campeão falar é sempre a melhor das lições de surf e neste podemos vê-lo analisar uma sua onda.



Antes do próximo vídeo, saltemos novamente para o Beach Grit (espero que já tenham percebido que este site TEM de estar nos vossos favoritos) que nos conta que Slater encomendou pranchas em forma de banana do shaper Greg Webber, um tipo que estava muito na moda aí há uns 20 anos atrás (shapava até para o Taj).

A razão? De uma forma geral, como estas pranchas se comportam quando estão em movimento e, de uma forma mais específica, nos carves. O fundador da Stab (e do Beach Grit) Derek Rielly viu uma foto recente de Slater em acção numa destas pranchas e a sua reacção deixa água na boca:

"(...) We see a wave, maybe four feet, and Kelly is 10 metres out on the face, rail buried from nose to tail. He is two-thirds of the way through a cutback, and if one imagines the final few frames, Kelly has transmitted a turn so experimental it is, absolutely, one of the best I’ve seen in surfing. (...)"

Ainda sobre pranchas, a Tracks Mag faz neste artigo um resumo alargado de tudo (e acreditem, é muito) o que se passa debaixo dos pés do melhor surfista de todos os tempos. Um curto parágrafo do recomendável texto:

"(...) Channel Islands global team and marketing manager, Travis Lee, shed some light on where Kelly stands with Channel Islands. Putting aside his lengthy job title it’s worth noting that Trav is probably still Kelly’s most trusted board consultant. 

“He was with the brand for 25 years and there will always be a relationship,” indicates Travis. “But I think now it’s not about having a sponsorship for Kelly, it’s about having the freedom to ride the boards he wants to without feeling guilty.” (...)".

Encerremos o assunto das pranchas com o segundo vídeo deste post. Neste bom trabalho da WSL (não podem só fazer coisas más, não é?) vão ter acesso (limitado, que o homem não é maluco) ao saco de pranchas e à mente do Kelly. No que à partida aparentava ser apenas uma mera análise às pranchas com que anda a viajar, acaba por ser muito que isso: é uma reflexão sobre o design do objecto sagrado de qualquer surfista, sobre o que vai na mente de Slater nos dias que correm, sobre as suas aventuras no mundo dos negócios na indústria de surf (o careca confirma a Firewire!) e com que motivação e concentração compete nos dias de hoje.



Concluído o assunto das pranchas, fechemos este post com mais um link para algo com Slater à mistura. Desta vez, uma pequena análise ao World Tour deste ano numa entrevista dada a Peter Mel no webcast do Rip Curl Pro Bells Beach que a Stab tão sabiamente apanhou e transcreveu. Diz o careca que...

"(...) "Obviously Filipe (Toledo)’s been really impressive this year so far, everyone’s talking about him. But I think he’s going to really be tested in those really good barrel waves, that he talked about too that were his challenges. He’s going to come out of Australia with at least two good results if not three. If I had my crystal ball I’d say we’ll all be chasing him. But we’ll see what happens." (...)".

Despedimo-nos assim por hoje e até ao próximo toque de campainhas. Fiquem bem.

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