12/03/2015

O que escrever? E que título dar? O terceiro dia de festa no Quik Pro Gold Coast

Acima de tudo, ri-me. Ri-me e bem, pelas 9:00 da manhã, com a minha namorada ao meu lado a olhar para mim de olhos sonolentos e ligeiramente incrédulos. A primeira coisa que vi foi o vídeo da Australia's Surfing Life e, por esta altura, só sabia os resultados dos heats - e que o mar tinha estado uma merda (por algum motivo me deitei cedo).


Hilariante. Tudo, desde a música à edição. E o que dizer do "surf"? Primeiro e, arrisco, finalmente, o Gabriel Medina ganhou a minha total simpatia. Como continuar a dizer que "não" ao actual campeão do Mundo depois daquela entrevista? Destrói o livro de regras da WSL, destrói o Kieren Perrow e destrói um colega "menor". No fundo, o brasileiro disparou a flecha que todos os Robin Hood do Twitter andam há anos a tentar disparar sem sequer ser ouvidos. Good job, boy! Valeu, moleque! E sejamos honestos, o mar estava de facto pouco digno. E o Twitter já estava fartos de nos queixar sem qualquer reacção. Se a flecha acertou ou não no alvo, bom, mais tarde saberemos.

Segundo, é evidente que se o Jeremy Flores foi multado e suspenso por uma explosão de emoções em privado, o jovem brasileiro também o terá de ser. É uma questão de justiça e será uma boa oportunidade de saber quão pesada, firme e americana é a mão da WSL. Por que razão "americana"? Bom, nos desportos americanos como a NFL ou NHL, as multas, as suspensões, as quebras de regras, são amplamente publicitadas e noticiadas, fazem parte do argumento do filme. Será assim também com a WSL? Os primeiros sinais, como por exemplo o da censura à entrevista acima exposta, parecem dizer que não. Mas será isso uma coisa má? Bom, a organização tem um produto que procura vender e para conseguir fazer um bom negócio (enfim...) há que o defender. Por isso, é totalmente natural a censura, mas bom bom seria usar isto para espalhar a imagem da WSL pelo Mundo. Aposto que faria mais pela instituição que a tal notícia que saiu no New York Times.

A reposta do Kieren Perrow é acertada: "This is professional surfing’s biggest stage, the stakes are high and there is no shortage of passion. Gabriel’s post-heat interview was not worthy conduct of an athlete at this level and the league has engaged in discussions with him and will take further action if necessary."

Sobre a interferência, parece-me evidente. O Glenn Hall tinha prioridade, o Gabriel esticou-se e o australiano usou as regras a seu favor. Simples. Rato? Rato. Embora de acordo com as regras.

Portanto, no fundo, isto foi tudo muito divertido, mas não é mais que isso: uma diversão.

Terceiro, voltemos às ondas más. Se eu fosse um dos melhores surfistas do Mundo e tivesse de surfar Snapper naquelas condições, também iria contra uma rocha ou espancava uma prancha. Mas não façamos um assunto disto, sempre aconteceu, continuará a acontecer. Tanto as más ondas, como as reacções inusitadas. Foi divertido de ver e compôs um dia animado, é tudo.

Quando se tem um lema como "Os Melhores Surfistas do Mundo nas Melhores Ondas do Mundo" e se começa uma nova época com ondas assim é demasiado difícil não ironizar. É lógico que a WSL (ainda) não controla as ondas e que coisas destas podem sempre acontecer numa competição de surf. E claro que um surfista que seja "um dos melhores do Mundo" deve saber sempre surfar todo o tipo de condições. Mas é tão difícil não ironizar com um lema daqueles num dia como este...

Ainda na ordem do dia, apesar de talvez um pouco atrasado, deixem-me dizer que a extensão do período de espera não é grande notícia e definitivamente não mostra quão flexível e simpática é a WSL. Ainda há meia dúzia de anos, em Teahupoo, um sítio onde é bem mais caro fazer campeonatos, a ASP e o director de prova Luke Egan tiveram de o fazer para acabar o Billabong Pro.

E acho que é tudo. Fun, fun, fun...

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