26/03/2015

Tocaram as campainhas, II

A vistoria pela internet do surf ™ continua a oferecer-me interessantes ideias, reflexões e constatações sobre o estado do mundo da competição e da instituição (empresa? associação? whatever!) que o rege. O primeiro artigo desta nova rubrica focou-se na antevisão do Quiksilver/Roxy Pro Gold Coast e nas actividades que a WSL ia, ou não, oferecer ao surfista e ao espectador de surf. No fim de contas não houve nada a destacar-se e a etapa de Snapper foi uma seca (ou quase).

Infelizmente para nós espectadores, e para os surfistas da elite, parece que a seca vai continuar, pelo menos que toca à qualidade das ondas que vamos ter à disposição na praia rainha das provas de surf, Bells Beach. É que parece que vai acontecer exactamente a mesma coisa que aconteceu na Goldie, como nos conta o Swellnet:

"(...) The last couple of weeks have seen many fun days across Bells and Winki, but as we move into the middle of next week (the waiting period begins on Wednesday), an unfavourable atmospheric blocking pattern is forecast to develop. What this means is that we'll likely see a suppression of Southern Ocean frontal activity along with a 'blocking' high pressure moving in across the south of the country.

 This doesn't bode well for the Rip Curl Pro as classic Surf Coast conditions are the result of strong polar frontal systems pushing one after the other up and into Victoria (...)".

Quem não se parece importar muito com isso - às tantas ainda agradece porque pode culpar o mar e não o equipamento - é Kelly Slater que, diz a Tracks Mag, vai continuar a experimentar as Tomo Surfboards, aquelas pranchas de aspecto esquisito feitas pelo australiano Daniel Thompson:

"(...) Meanwhile Daniel Thompson told Tracks he’s made Kelly a batch of boards but couldn’t elaborate further. 

“Mate, it’s very early days with KS. I’ve been asked to build him a couple boards to play with but there’s no certainties to if or when he may choose to ride one in an event as he is also experimenting with boards from other shapers.” (...)"

Isto reveste-se de importância não só por ser o equipamento que Slater poderá usar em Bells como por dar força ao rumor de que o onze vezes campeão mundial está próximo de adquirir parte da Firewire, rumor esse que ganhou força nos últimos dias graças ao inevitável BeachGrit:

"(...) On Thursday, April 2, on exactly the same day the prophet Jesus Christ ate his last supper (Maundy Thursday) almost 2000 years previous, Kelly Slater and, one suspects, some kind of consortium, will take full control of Firewire Surfboards. A few more signatures with a deadline of April 2, y’see, and the deal is sealed. (...)"

Estás à espera de que fale de gajas? Estão já em baixo! Esta gaja! Courtney Conlogue! Foto: WSL

Saltemos para o outro lado da sebe e mergulhemos no mundo especulativo do que se passa na World Surf League e dos número com que a instituição (organização? agregado de pessoas?) anda a tentar vender os seus eventos e espaços publicitários. O freguês que escolha o que quer ler que há muitas opções.

Temos, para abrir o apetite, a dureza dos números e dos factos do Stu Nettle no Swellnet que nos dizem que a WSL vai receber mais dinheiro da cidade da Gold Coast à conta do Quiksilver e Roxy Pro. Não será isso bom, pensam vocês? Não, se essa decisão tiver sido tomada após uma quasi-chantagem da WSL que, ainda por cima, terá apresentado número irrealistas para o impacto do seus eventos na região:

"(...) This year the Quiksilver and Roxy Pros received $45,000 from the Queensland State Government via Tourism and Events Queensland (TEQ). Next year they were slated to receive $50,000 however it now appears this amount will be doubled to $100,000. Not a significant amount in the scope of the tour but it's worth pondering the Council's justification for paying.

In a council report, the GCCC Events Advisory Commitee details ongoing negotiations in order to secure the event for the City. "Although a smaller amount is preferred," the report states, "the event is unique in the benefits it provides to the City as a surfing destination and the risk of losing it is significant."

When asked, a spokesperson for the GCCC couldn't identify why it was in risk of losing the Quiksilver Pro.

The report detailed what TEQ had received in exchange for their financial support. Those details were supplied by the WSL who claim the contests generate "approximately $19 million in tangible media value for Tourism and Events Queensland". More than $10 million of the "tangible" amount - $10,131,631 in fact - was attributed to "Social Media Buzz Value. (...)"

Ainda neste mesmo capítulo, Craig Braithwhite no TheFreeRideVoice não se escusa a acusações à ASP e WSL pela forma como foi tratado quando acompanhou alguns eventos do World Tour e tentou entrevistar os seus protagonistas:

"(...) In 2013-‘14 the ASP media managers for the eight events I attended – with an official media pass – heavily guarded the surfers more than at any point I’ve covered professional surfing. In fact out of those events I went to I was turned down on all twelve official requests to talk to the surfers. I was told if I want to talk, there were the post heat interviews in the media scrums with the winners of each heat. At one point in Bali, I was actually told by the then ASP, the publication I was writing for just isn’t big enough to warrant the surfer’s time. (...)"

E, por último neste capítulo da infâmia do grupo de Paul Speaker, temos novamente o Beachgrit que, com ajuda do podcast SurfSplendor, conseguiu ligar com sucesso a WSL a Monica Lewinsky, a jovem que foi apanhada com a boca no trombone do democrata Bill Clinton quando este era presidente da nação norte-americana.

Permitam-me agora regressar ao texto de Stu Nettle que termina com uma nota preocupante sobre o circuito mundial feminino da WSL, partindo de um exemplo à vista de todos:

"(...) At the beginning of last year the WSL put the Maui Pro back on Women's tour after a three year hiatus. Scheduled for November it took until August to find a sponsor when US shopping chain Target came aboard as presenting sponsor. It was the first time they'd sponsored a surfing event. 

Yet despite Target's number one female athlete Carissa Moore winning the event Target are yet to commit sponsorship second time around. 

The Women's tour has nine competitions this year, four of them have no sponsor as yet: Rio, Fiji, Trestles, and Maui. The rejuvenation of the Women's tour is yet to receive commercial blessing. (...)"

E como nem tudo pode ser mau e não quero ser acusado de estar a compactuar com a Cruzada Anti-WSL, destaquem-se duas passagens da entrevista da revista australiana Surfing Life à californiana Courtney Conlogue, que, a serem verdade, parecem mostrar um esforço sincero da WSL em fazer um Tour melhor para as meninas:

"(...)The WSL asked us what locations we wanted on tour, and the three locations I put on my list are now on tour – Trestles, Fiji and Maui. (...)"

"(...) [sic] I love WSL. People can say what they want but as a surfer, and a fan, it’s better. (...)"

Fecho com o já referido texto do TheFreeRideVoice e com um parágrafo que me é muito querido e com o qual não consigo deixar de concordar:

"(...)While judges are inexplicably giving 5.83’s for Slater’s 360 carves straight into a barrel with a full power rotation cutback upon exit of said barrel and finishing with a lip tap. Meanwhile Freddy P’s backhand lip taps and whacks down the line, rinse and repeat for 30-minutes to ad nauseam are rewarded with the heat win(...).

Até à próxima!

The Inertia's HEADSPACE: Shaun Tomson

(HEADSPACE): Shaun Tomson from The Inertia on Vimeo.

24/03/2015

Tirem um minuto do vosso dia para...

...admirar esta fotografia. Tudo sobre ela, mas sobretudo o estilo do Craig Anderson. Um minuto. Carreguem na fotografia para a expandir. Fotografia do Morgan Maassen, publicada no seu facebook.


Oop

19/03/2015

Por que razão a amargura, mate?

Pode ser por lá ter nascido o surf moderno, o IPS e até a ASP. Pode ainda ser à conta da shortboard revolution, de Bells Beach ou de qualquer outro motivo histórico, técnico, demográfico ou de qualquer área outra do surf. Mas eu não sei qual é esse motivo e a verdade é que a arrogância sobranceira raramente tem uma explicação, quanto mais uma explicação lógica. Diga-se apenas que os australianos acreditam ser a ponta da lança do surf mundial. 

O assunto é extenso mas visto estar a chegar a níveis demasiado evidentes nos últimos tempos (Hi, Gabs!), foquemo-nos na ASP e na sua história recente. Mas antes, uma breve lição de História (na qual, por motivos que já vão entender, nos vamos focar nos homens). 

Down Under dominou os primeiros 10 anos de circuito (IPS) num ciclo que foi apenas interrompido por Tom Curren. O pós-Curren foi uma misturada mas a Austrália não deixou de ser o país dominador com quatro vitórias em cinco possíveis até à chegada do alien. Daí para a frente a Down Under foi largamente humilhada pelos americanos. Quão dominada? Permitam-me ignorar a aberração que é o Havaí ser considerado terra própria para aqui escrever que desde o primeiro título de Slater em 1992 e até 2014, ou seja, em 23 títulos possíveis, a Austrália ganhou cinco. 5. Os E.U.A. ganharam 17. 17!

Estou a cobrir um período temporal demasiado longo? Vamos aos últimos 10 anos. 6-4 para o país do Kennedy. Últimos 5? Aí têm caso, 2-2...mas os dois americanos foram do Kelly e dá para falar de apenas um par dos 11 que ele tem?

Isto tudo para dizer que se há alguém que tem motivos para, recentemente, se sentir aborrecido, humilhado, vilipendiado ou derrotado, são os americanos. Os queridos americanos. Que têm o Kelly Slater, o super atleta, cada vez menos super, mais próximo da reforma, que dominou o desporto de forma tão maravilhosa; que não têm ninguém como o Mick Fanning ou Joel Parkinson ou o Julian Wilson para disputar títulos mundiais nos próximos tempos (sorry, Kolohe!); que dominam o corporate mas não têm surfistas. 

E sabem o que fizeram os americanos acerca da conquista do título mundial pelo Gabriel Medina? Rigorosamente nada. Não foram chorar para os seus sites. Não foram fazer troça do mau inglês. Não ficaram ansiosos pela próxima falha do brasileiro para o atacar. Os americanos não fizeram nada.

Estou a mentir. Na verdade fizeram. O Gabriel apareceu numa capa da Surfing Magazine em 2013. Foi número 1 dos Hot 100. Foi aplaudido. Comedidamente, é certo (afinal, ele não é gringo...), mas é respeitado como só um fã americano de desporto - pragmático, pouco vinculado, reconhecido - parece conseguir ser. 

Na Austrália, o caso parece ser outro. O título de Medina parece ter sido uma afronta pessoal a todo o australiano e seu koala ou canguru. Bom, talvez não a todos: a Surfing Life, talvez por ter Nick Carroll no comando, vê que Medina é o futuro. É um brasileiro, é certo, mas é um surfista. É um campeão mundial. É O campeão mundial. Onde estão Julian? Jack? Mick, Parko e Taj são velhos demais para apregoar.

Mas, em (antepen)última instância, tudo isto que escrevi não importa. E o que importa vem agora.

Considero racismo uma palavra demasiado forte para descrever alguns dos comportamentos do media australianos nos últimos tempos e, ainda assim, aí anda a palavra a ser usada gratuitamente. Prefiro denotar uma certa acidez ou amargura nas linhas da Tracks e da Stab. Um certo desprezo. Como se o título de Medina valesse menos ou o brasileiro precisasse de prestar contas a alguém. 

Não precisa.

Medina não esteve bem em Snapper, isso já se sabe. Mas o assunto não foi nada mais que uma trivialidade, um momento de entretenimento num evento que rumava pecaminosamente para o estatuto de pior de sempre. Só a Surfing Life foi capaz de não se ver presa nos preconceitos e reconhecer isso. Outros optaram por abraçar a âncora do sentimento mais fácil. Sim, estou a falar para ti, Tracks Mag.  

A Tracks, a Stab, outros, optaram pelo lucro rápido com uma tempestade num copo de água, ignorando a real e verdadeira que a Surfing Life soube destacar no fim do evento. Com classe ainda por cima.

Só é racismo se houver quem o aponte como isso. Que o expresse e verbalize assim. Que o cubra assim. Que o destaque assim. E, para esses, a vitória do Filipe Toledo foi o (segundo) melhor castigo possível.

Venham mais. Foto: WSL

15/03/2015

O que se passa no BWWT?

Reside no Big Wave Tour (BWT) um dos maiores mistérios da WSL. Adquirido em 2013 pela então ASP, a expectativa e promessa era que esta aquisição trouxesse a credibilidade, consistência e mediatização que vinha faltando ao circuito mundial dos alucinados do planeta. 

Saltemos para 2015 e, tal como então, existe um Tour organizado com um número definido de surfistas e seis etapas que, divididas pela metade entre os hemisférios, acontecem havendo as condições mínimas aceitáveis. Ou seja, no fundo, está tudo mais ou menos igual. É que alguém nota alguma diferença para além da entrada de Jaws no circuito? Eu não e as mesmas questões que causavam apreensão em relação ao Big Wave World Tour (BWWT) permanecem:

- como foram (são) escolhidos os surfistas que compõe o Tour?
- como se qualifica alguém para o Tour?
- para onde vai alguém que "caia" do Tour?
- e, até, como comparar um campeão de um ano com quatro etapas (2013/2014) com o de um ano com apenas duas (2014/2015)?
- onde está a justificada atenção global?

A transparência é algo que teima em não chegar ao BWT e notícias como esta mostram que não é o fã que não está a ter acesso às informações; os próprios surfistas não as têm e, quem sabe, a própria WSL não tem claro o rumo que quer seguir. E, já agora, reparem bem quais foram os motivos apresentados pela turma sul-africana para a rejeição de uma etapa do BWT nas suas ondas:

"There is not a reliable open and clear qualifying system meaning that surfers from the media centric areas get chosen over really good surfers from more remote areas. This would mean that in the event of an event happening here a really good and capable South African surfer may have to sit and watch a less capable, but more social media popular surfer from a different area ride waves here. Given that we only get to surf here 5-10 times a year, this is a bitter pill to swallow."

A história está ainda melhor contada no Wavescape sul-africano e recomendo-vos a sua leitura. A lanterna vai continuar apontada às maiores ondas do planeta e ao caos do qual o BWT teima em não conseguir sair...

Tão cedo Dungeons não vai receber uma etapa do BWT. Foto: Nick Wren/Wavescape

Filipe Toledo vence o Quiksilver Pro Gold Coast, Carissa Moore leva o Roxy Pro

Foto: WSL

Foto: WSL

13/03/2015

Still got it



É sempre bom ver o Bobby Martinez a surfar. Pena que a sua carreira no Tour tenha sido tão curta - ainda que meteórica. Arrisco dizer que é um dos mais talentosos que passou pela WT nos últimos dez anos. O seu surf de backside ainda hoje faria estragos, até porque, como se vê, continua a surfar nas horas.

12/03/2015

O que escrever? E que título dar? O terceiro dia de festa no Quik Pro Gold Coast

Acima de tudo, ri-me. Ri-me e bem, pelas 9:00 da manhã, com a minha namorada ao meu lado a olhar para mim de olhos sonolentos e ligeiramente incrédulos. A primeira coisa que vi foi o vídeo da Australia's Surfing Life e, por esta altura, só sabia os resultados dos heats - e que o mar tinha estado uma merda (por algum motivo me deitei cedo).


Hilariante. Tudo, desde a música à edição. E o que dizer do "surf"? Primeiro e, arrisco, finalmente, o Gabriel Medina ganhou a minha total simpatia. Como continuar a dizer que "não" ao actual campeão do Mundo depois daquela entrevista? Destrói o livro de regras da WSL, destrói o Kieren Perrow e destrói um colega "menor". No fundo, o brasileiro disparou a flecha que todos os Robin Hood do Twitter andam há anos a tentar disparar sem sequer ser ouvidos. Good job, boy! Valeu, moleque! E sejamos honestos, o mar estava de facto pouco digno. E o Twitter já estava fartos de nos queixar sem qualquer reacção. Se a flecha acertou ou não no alvo, bom, mais tarde saberemos.

Segundo, é evidente que se o Jeremy Flores foi multado e suspenso por uma explosão de emoções em privado, o jovem brasileiro também o terá de ser. É uma questão de justiça e será uma boa oportunidade de saber quão pesada, firme e americana é a mão da WSL. Por que razão "americana"? Bom, nos desportos americanos como a NFL ou NHL, as multas, as suspensões, as quebras de regras, são amplamente publicitadas e noticiadas, fazem parte do argumento do filme. Será assim também com a WSL? Os primeiros sinais, como por exemplo o da censura à entrevista acima exposta, parecem dizer que não. Mas será isso uma coisa má? Bom, a organização tem um produto que procura vender e para conseguir fazer um bom negócio (enfim...) há que o defender. Por isso, é totalmente natural a censura, mas bom bom seria usar isto para espalhar a imagem da WSL pelo Mundo. Aposto que faria mais pela instituição que a tal notícia que saiu no New York Times.

A reposta do Kieren Perrow é acertada: "This is professional surfing’s biggest stage, the stakes are high and there is no shortage of passion. Gabriel’s post-heat interview was not worthy conduct of an athlete at this level and the league has engaged in discussions with him and will take further action if necessary."

Sobre a interferência, parece-me evidente. O Glenn Hall tinha prioridade, o Gabriel esticou-se e o australiano usou as regras a seu favor. Simples. Rato? Rato. Embora de acordo com as regras.

Portanto, no fundo, isto foi tudo muito divertido, mas não é mais que isso: uma diversão.

Terceiro, voltemos às ondas más. Se eu fosse um dos melhores surfistas do Mundo e tivesse de surfar Snapper naquelas condições, também iria contra uma rocha ou espancava uma prancha. Mas não façamos um assunto disto, sempre aconteceu, continuará a acontecer. Tanto as más ondas, como as reacções inusitadas. Foi divertido de ver e compôs um dia animado, é tudo.

Quando se tem um lema como "Os Melhores Surfistas do Mundo nas Melhores Ondas do Mundo" e se começa uma nova época com ondas assim é demasiado difícil não ironizar. É lógico que a WSL (ainda) não controla as ondas e que coisas destas podem sempre acontecer numa competição de surf. E claro que um surfista que seja "um dos melhores do Mundo" deve saber sempre surfar todo o tipo de condições. Mas é tão difícil não ironizar com um lema daqueles num dia como este...

Ainda na ordem do dia, apesar de talvez um pouco atrasado, deixem-me dizer que a extensão do período de espera não é grande notícia e definitivamente não mostra quão flexível e simpática é a WSL. Ainda há meia dúzia de anos, em Teahupoo, um sítio onde é bem mais caro fazer campeonatos, a ASP e o director de prova Luke Egan tiveram de o fazer para acabar o Billabong Pro.

E acho que é tudo. Fun, fun, fun...

Surfista preferido do dia

Gabriel Medina, como não?!

Caso tenham dúvidas, sugiro que vejam o post de cima.

10/03/2015

Kelly Slater vs Dane Reynolds, o jogo da década



Fantástica ideia e edição do The Inertia.

PIOR vídeo de surf que vi nos últimos anos...cortesia da ASP ou WSL ou lá como se chama

Curiosamente, está privado. Têm de o ver aqui. É mau. Muito mau. Sem ironias.

AQUI.

Vídeo favorito do mês

Free Refills from Turkeymelt on Vimeo.

É Wade Goodall, senhores! Jesus!


Gif cortesia da Vans. E há mais (e maravilhosas!) manobras deste tipo aqui!

Hello, Mason Ho.

Honestamente, estou um bocado a borrifar-me para qual é o logo que o Mason Ho tem no nose da prancha, desde que ele continue a fazer aéreos como os dos minutos 0:37 e 0:54. Acreditem, este homem é dos melhores no Mundo.

01/03/2015

Tocaram as campainhas, I

Foto: Cestari/WSL

Enquanto lia os inúmeros e maioritariamente típicos reports, resumos, análises e outras resenhas sobre a primeira ronda da primeira competição da nova organização do surf mundial (round 1, Quiksilver & Roxy Pro Gold Coast, World Surf League), cruzei-me com algumas ideias, pensamentos, reflexões, informações, que acredito merecerem interesse e que convém manter em mente. Ora vejamos...

"The biggest change we noticed come from this new acronym was numbers. Each surfer now has a number on his or her back. A big, noticeable, white number, which in Dusty Payne’s words, “kinda makes it feel like a golf tournament”. In the near future this bikini and boardshort clad crowd might be parading the beach in jerseys with Kelly Slater #11." retirado deste texto da Surfing Life Australia.

Isto parece dizer-nos que a AS...WSL está seriamente a pensar em como fazer dinheiro com isto do surf (e que provavelmente está bem necessitada desses fundos). Isto é logo uma mudança em relação aos últimos quê...30 anos de circuito? Nesse tempo, a ASP obtinha a esmagadora maioria das suas divisas através da atribuição de licenças para a realização de campeonatos, patrocínios aos campeonatos e patrocínios a si mesma. Tendo em conta que há cada vez menos eventos e que o patrocínio é talvez o apoio menos original em que uma marca pode apostar, o merchandising (tão óbvio que apetece bater no Ian Cairns, Rabbit Bartholomew e Brodie Carr, etc) pode vir a tornar-se em mais uma forma de obtenção de fundos. É importante não esquecer que a janela para o pay-per-view nunca esteve tão aberta...

E já que falamos de pay-per-view, para além do controverso Beach Grit, quem mais reparou nisto?

"Considering how much attention the recent New York Times article on the WSL paid to the organization’s assocaition with YoutTube I was surprised to notice, after the feed went down during Slater’s first sound heat, that the contest was actually being streamed via something called NeuLion.

What is Neulion?  It’s the web player used by the NFL, NBA, NHL and UFC. It is, “the premier solution for delivering live and on-demand sports in an unrivaled interactive digital video experience that gives fans an action packed experience anytime, anywhere.”

(…) Two minutes on Neulion’s website turns up a pretty likely answer. Monetization is the name of the game, and Neulion provides a platform that excels at locking content behind a paywall. Call it a pay-per-view, season pass, or subscription, the move to Neulion is a ZoSea dipping its toes in the water before making another grab at some cash” (…).”

Ainda do primeiro texto da SL sai-nos esta pérola:

"John John Florence got the first nine of the new year and won his heat against Micro and Jadson, which really wasn’t all that surprising. But what WAS surprising was what he told us after said win. We asked about his boards… “I think last year one of the biggest things for me was boards, and this year I’m ready. We’ve been working a lot on boards for each event, and I have a lot that are working really well for me over here,” he said. And then we asked, as you do, what exactly was under his feet. “All I know is that I’m riding a 6’0 squash, and that’s it. Jon (Pyzel) doesn’t write dimensions on my boards and I don’t mess with it – we just work out what needs to be fixed in my surfing and he makes something for it.” To us massive surf nerds, that’s one interesting tidbit of information – one of the world’s hottest surfers doesn’t even know what he’s riding?".

Agora, também da SL, destaca-se este parágrafo que nos diz que WSL e juízes reconhecem algumas das suas maiores falhas e estão a trabalhar para as contornar:

"The panel will have some extra help at all WCTs this year with the addition of a specific cameraman just for them to use in replays –the panel will be able to set the cameraman at whatever angle they feel isn’t being fully covered by replays off the broadcast. 

Rich is also intending to focus on cutting down the drag time between waves and scores. This was sometimes torture in 2014 for both surfers and spectators, as the panel reviewed and re-reviewed and sometimes held off on a score for several minutes. “I’m really aware that people are getting a bit sick of the waiting…I’m not bothered if it happens at the end of a heat. But while a heat is going and the surfers need to make decisions based on the situation, that’s a different matter and we’ll be working on it. Having said that, we’re gonna make sure we get it right.”".

Por último e talvez a mudança que mais impacto imediato (já no próximo heat! Em Snapper!) cause seja esta que a SL discretamente publica numa entrevista com rookie do World Tour Matt Banting e o seu pai:

"(...) Because he didn’t surf right up at the point. 

LB: Yeah but if you can do what Medina does from halfway, I’d still give it to him! Although Parko went out at the point and the one wave he did get was really good, Medina cut him off. He was middle of the lineup, he had priority and he stopped it. 

MB: That’s what they’re gonna change this year, the WSL said if you’ve got priority then you can’t paddle out of the takeoff zone. So you can’t sit halfway down the point and wait for someone. (...)".

Sobre esta nova rubrica do blog, posso dizer-vos que oscila entre uma revista de imprensa e destaques pontuais sobre assuntos de interesse. Não terá uma calendarização definida pois está será orientada pela agulha do interesse (do meu, suponho). Por isso, posso apenas garantir-vos que veio para ficar.

LiveSurfe

O Júlio Adler, o Caio Salles e a Sara Sainz Pinto lançaram, ainda em 2014, um sie de análise e reportagem sobre surf, sobretudo competitivo, sobretudo do World Tour, mas não exclusivo a isso. Quando se tem um analista como o Júlio, sabe-se que a coisa vai ser boa à partida mas a verdade é que o Bruno e Sara não são, de todo!, meros complementos ao produto. É sem dúvida um site a seguir nos próximos tempos e vou rezar, desejar, esperar!, que não desapareça como o Series Fecham, que apesar de não ser só sobre o World Tour e ter muitas outras matérias interessante, apelava-me particularmente pela análise aos 34 surfistas! Força, Júlio! Força, Bruno! Força, Sara!

Em baixo, um dos produtos do LiveSurfe, sobre o primeiro dia de competição do Quiksilver Pro Gold Coast 2015.