21/12/2015

As listas oficiais de 2016

Em breve numa Snapper Rocks perto de si.

2015 Top 22 CT:
1. Adriano de Souza (BRA)
2. Mick Fanning (AUS)
3. Gabriel Medina (BRA)
4. Filipe Toledo (BRA)
5. Owen Wright (AUS)
6. Julian Wilson (AUS)
7. Italo Ferreira (BRA)
8. Jeremy Flores (FRA)
9. Kelly Slater (USA)
10. Nat Young (USA)
11. Josh Kerr (AUS)
12. Bede Durbidge (AUS)
13. Joel Parkinson (AUS)
14. John John Florence (HAW)
15. Wiggolly Dantas (BRA)
16. Taj Burrow (AUS)
17. Kai Otton (AUS)
18. Matt Wilkinson (AUS)
19. Adrian Buchan (AUS)
20. Keanu Asing (HAW)
21. Michel Bourez (PYF)
22. Jadson Andre (BRA)

2015 Top 10 QS (minus double qualifiers from CT):
• Caio Ibelli (BRA)
• Kolohe Andino (USA)
• Jack Freestone (AUS)
• Miguel Pupo (BRA)
• Alejo Muniz (BRA)
• Kanoa Igarashi (USA)
• Alex Ribeiro (BRA)
• Conner Coffin (USA)
• Davey Cathels (AUS)
• Ryan Callinan (AUS)

WSL Wildcards: Jordy Smith (ZAF) and Matt Banting (AUS)

2015 Top 10 CT:
1. Carissa Moore (HAW)
2. Courtney Conlogue (USA)
3. Sally Fitzgibbons (AUS)
4. Bianca Buitendag (ZAF)
5. Tyler Wright (AUS)
6. Lakey Peterson (USA)
7. Tatiana Weston-Webb (HAW)
8. Johanne Defay (FRA)
9. Nikki Van Dijk (AUS)
10. Malia Manuel (HAW)

2015 Top 6 QS (minus double qualifiers from the CT:
• Sage Erickson (USA)
• Chelsea Tuach (BRB)
• Keely Andrew (AUS)
• Alessa Quizon (HAW)
• Coco Ho (HAW)
• Laura Enever (AUS)

WSL Wildcard: Stephanie Gilmore (AUS)

Quero apenas chamar atenção para o facto de tanto a Stephanie Gilmore como o Jordy Smith, candidatos à vitória de qualquer evento (mais ainda no caso da australiana que ainda por cima é 6x campeã mundial), começarem o ano com um seeding muito baixo, o que vai garantir grandes disputas  e derrotas nas primeiras etapas até ao restabelecer dos seedings.

Jordy em acção. Foto: WSL/Cestari

17/12/2015

#BrazilianStorm na WSL: 2015 foi o ano e os números falam por si

Adriano de Souza, campeão do World Tour em 2015;

Ítalo Ferreira, melhor rookie do World Tour 2015;

Caio Ibelli, primeiro do ranking das World Qualifying Series;

Gabriel Medina, vencedor da Vans Triple Crown of Surfing e vice-campeão do Billabong Pipeline Masters pela segunda vez consecutiva;

Dois surfistas no Top 3 do World Tour (Adriano de Souza e Gabriel Medina), três no Top 5 (Gabriel Medina);

10 surfistas qualificados para o World Tour masculino de 2016 (Adriano de Souza, Gabriel Medina, Filipe Toledo, Ítalo Ferreira, Wiggolly Dantas, Jadson André, Caio Ibelli, Miguel Pupo, Alejo Muniz e Alex Ribeiro;

Primeiro Pipeline Master (Adriano de Souza);

Vitória em 6 de 11 etapas do World Tour;

Vitória em 4 de 9 etapas QS10.000 das World Qualifying Series.

Única nota negativa do ano é a da saída de Silvana Lima do World Women's Tour (não conseguiu a manutenção), deixando o circuito mundial feminino vazio de brasileiras em 2016.

É BRASIL!

Foto: WSL

Adriano "Mineiro" de Souza faz uma dobradinha: leva o título mundial e o Billabong Pipeline Masters



Quem não estiver feliz por ele (e com alguma pena do Mick...) não tem coração. E, já agora, como nota final, o Gabriel Medina faz a sua segunda final consecutiva em Pipeline... #VaiAdriano #GoMick #VaiMedina QUE ANO!

Mick Fanning a caminho da reforma? O rumor pode ter força

Caiu que nem uma bomba.

Há algum tempo que oiço e leio rumores que um ou vários surfistas do top 5 do World Tour dos últimos anos podem estar na iminência (tipo, já este ano) de anunciar a sua saída mas, em toda a minha ingenuidade, nunca pensei que um deles fosse o Fanning.

Honestamente, sempre achei que fosse um, dois ou todos dos seguintes: Kelly Slater, Joel Parkinson e Taj Burrow. Os projectos laterais e o aparente desinteresse validam a teoria no primeiro, o ano de merda (como consequência de ter decidido reformar-se?) a teoria no segundo e o nascimento da filha a teoria no terceiro (o Taj não me parece ser um tipo de andar pelo Mundo com a catraia ás costas). Simples. Só que depois aconteceu o ataque do tubarão. Aqui, começou a infiltrar-se no meu esquema a possibilidade de Mick ser um dos que se vai retirar. Mas ainda era remota.

Até esta manhã. A norte-americana Surfing Magazine atordoou o planeta do surf com esta notícia, dizendo que se o australiano igualar já este ano os quatro títulos do compatriota Mark Richards, Fanning pode pendurar as botas. Isto preocupa-me porque o Mick é um surfista do caraças, super difícil de derrotar, um bom modelo para os mais jovens e, sem dúvida, está ainda no auge da sua carreira. E é assim que se calhar se quer retirar, compreendo isso.

Outra coisa que me preocupa é a notícia ter vindo do quartel-general da Surfing. Seria de pensar que uma das revistas australianas (ou o Beach Grit...) conseguiria a notícia primeiro, mas não. A notícia vem da Surfing e isto preocupa-me porque é lá que Corey Wilson é fotógrafo residente. E quem é este tipo? Bom, é "o" fotógrafo da Rip Curl, marca que... patrocina Fanning. Wilson regista a esmagadora maioria das campanhas da marca (incluindo a recentemente re-lançada The Search), faz os catálogos, é quem acompanha os surfistas da marca em viagens para artigos de revistas e... é bom amigo do Gabriel Medina, Matt Wilkinson, Owen Wright e... Mick Fanning. Estão a topar o meu problema?

Eu quero que o Mick ganhe o quarto título mundial mas se isso significa que ele vai pendurar as botas, então #VaiAdriano.

Outra ideia, sugerida pelo Vinícius no Twitter, é a de que tudo isto podem ser jogos psicológicos. E, verdade seja dita, podem mesmo. Fechem os olhos e imaginem... A Rip Curl têm influência sobre o Corey Wilson e sabe que o Mick Fanning é bom amigo dele. Sabe também que o Wilson trabalhar na Surfing... E boom! Já está! Ou melhor... Fanning pede um favorzinho ao amigo e o amigo acede... Ou melhor ainda: o amigo tem iniciativa própria e arranca ele com os jogos psicológicos! Ou ainda melhor, todos trabalham em conjunto no objectivo de dar o 4º caneco ao australiano. Eu sei que pode parecer rebuscado mas se o Slater disse I Love You ao ouvido de Andy Irons antes de um heat decisivo entre ambos, tudo pode acontecer.

É esperar e esperar. #GoMick

Mick e dois ex-colegas do Tour, Beau Emerton e Taylor Knox, fotografados por Corey Wilson, num artigo de Agosto da Surfing Magazine.

O El Niño está mal-diposto e Pipeline irritou-se

Em pouco mais de duas semanas, a rainha do North Shore de Oahu mostrou que está de facto de mau-humor este Inverno. Dentes e garras de fora. Daquilo que se sabe (porque há sempre pequenos acidentes que não chegam às revistas e outros maiores que não são mediáticos) temos:

- o Evan Geiselman inconsciente;

- o Owen Wright com uma pequena hemorragia no cérebro que o forçou a retirar-se do Pipe Masters e da corrida ao título mundial;

- o Bede Durbidge com uma dupla fractura na pélvis durante um heat da já referida competição.

E ainda estamos em Dezembro! Em ano de El Niño! Vamos ter pelo menos mais 4 meses de ondas potentes no Havaí!

Acrescente-se ainda uma menção honrosa ao Mark Matthews que, na manhã do Peahi Challenge e depois de apanhar aquela que pode muito bem ser a maior onda apanhada na remada, basicamente destruiu o ombro, e temos um Inverno com contornos feios.

Sobre o episódio do Evan e Owen, deixem-me deixar-vos aqui este artigo da Stab Mag para o qual a revista australiana falou com um médico sobre estes casos e a eterna iminência do afogamento.

Cuidado convosco, malta.

O bodyboarder sul-africano Andre Botha no momento decisivo em que, provavelmente, salva a vida a Evan Geiselman. Foto: @evangeiselman 

16/12/2015

Stab Mag anuncia saída de Craig Anderson da Quiksilver

O rumor já andava a circular, tendo ganho ainda mais força depois da saída de Dane Reynolds ter saído da marca da onda e da montanha. Hoje, a Stab Mag, que a par do Beach Grit (que também já tinha dado um cheirinho desta possibilidade) parece ser quem mais se deleita com este tipo de notícia, dá o facto como consumado a partir do próximo 31 de Dezembro.

A revista australiana raramente se engana nestas coisas mas o que é facto é que ainda não houve nenhuma confirmação oficial, provas fotográficas (como rapidamente surgiram de Dane) e o surfista continua a aparecer no site da marca.

A Stab aponta como próxima etapa na carreira de Ando a mesma que aponta a Reynolds: uma possível marca própria em parceira com a dupla skater Dylan Rieder e Austyn Gillete. Este rumor é reforçado pelo patrocinador comum que Anderson, Rieder e Gillete têm, a marca de sapatos HUF Footwear. Dane surge como o amigo que todos querem ter e o mais velho do grupo. Conhecendo bem o perfil destes quatro indivíduos, sem dúvida parecidos entre si, confesso que gostaria de ver esta marca nascer...e há quem diga até que já tem nome: Destroyer. 

Seja como for, não haja dúvidas que Ando (e Dane...) merece um patrocinador principal digno do seu talento e estilo em cima da prancha (e há quem diga fora dela também). Fica por saber se, como diz o Beach Grit, foi Anderson que quis sair ou, por outro lado, foi a Quiksilver que o despediu, fruto das recentes dificuldades financeiras.

Fiquemos com atenção às cenas dos próximos capítulos desta matéria e, já agora, espreitem este vídeo da Monster Children que tem estes quatro estilososos como protagonistas. ... Lá vão eles, todos felizes, a caminho de uma viagem onde se conhecem melhor... A lançar as pedras da revolução da indústria...

10/12/2015

O Evan Geiselman ia morrendo em Pipe..mas o Andre Botha não deixou que isso acontecesse



Andre Botha talks about the Evan Geiselman rescue at Pipeline from STAB on Vimeo.

Quando há situações de perigo, não importo se somos surfistas ou bodyboarders, pretos ou roxos, heteros ou gays, europeus ou chineses, ricos ou pobres. Não há maior dádiva que a vida.

05/12/2015

Não vi melhor manobra este ano na WSL...e vocês?



E, em baixo, a onda completa do Mick Fanning em Sunset Beach na quarta ronda da Vans World Cup, segunda jóia da Vans Triple Crown of Surfing. Talvez um prenúncio da sua vitória dias depois, não?

GOLD

Eu gosto do Sterling Spencer. Olhando para as fileiras de surfistas profissionais que há, sinto que há muitos competidores e poucos com personalidade. O Sterling encaixa-se nesta última categoria. Pode não ter tido o talento necessário para chegar ou Tour ou fazer carreira no WQS mas já viram o que se estaria a perder por lá? Nem todos são competidores e tanto as marcas como os surfistas têm de perceber isso. Não vale a pena estar a forçar. Já conhecia o instagram do floridiano e foi por lá que acompanhei a aventura que foi fazer "GOLD", o seu mais recente filme. No fundo, é meia hora daquilo a que ele já nos habitou no seu Vimeo. Humor, skits e surf competente.

Se querem dar uma boa gargalhada, eis o sítio certo. E o surf também não é mau. E as personagens secundárias também não.




Em baixo, uma amostra do tipo de humor.

04/12/2015

O próximo ano vai ser giro



Qualificaram-se três dos meus surfistas preferidos no WQS, o Jack, o Conner e o Jack. Acredito que podem ter impacto imediato. Assim o espero. Por oposição, parece-me que estamos prestes a "livrar-nos" de alguns "pesos-mortos" no Tour. Já ia sendo tempo. Vamos a isto!

Do site da WSL:

"The following Top 10 QS surfers will be guaranteed a spot on the 2016 Championship Tour: 

Caio Ibelli (BRA), 
Jack Freestone (AUS), 
Kolohe Andino (USA), 
Miguel Pupo (BRA), 
Alejo Muniz (BRA), 
Kanoa Igarashi (USA), 
Alex Ribeiro (BRA), 
Conner Coffin (USA), 
Davey Cathels (AUS) 
and Ryan Callinan (AUS)."

Atenção que o Stu Kennedy e o Dusty Payne ainda se podem qualificar (ou requalificar no caso do havaiano), dependendo do que o Kolohe Andino e o Miguel Pupo façam em Pipeline para a semana.

Que fim de ano em GRANDE!

28/11/2015

Paparuco do teclado ou #hatersgonnahate número 1

Tentei sempre incentivar uma discussão saudável no blog e tive a preocupação de manter aqui um registo saudável, amigável e de abertura para que qualquer pessoa pudesse comentar - e pode. Visto que há quem tome a liberdade de desrespeitar este ambiente, eu tomo a liberdade de mostrar, porque nem sempre são visíveis, os comentários dessas pessoas. Assim podemos todos divertir-nos! E, acreditem, eu divirto-me com isto. Se quiserem criticar-me, força, façam-no, porque esses comentários são bem-vindos. Mas se querem resposta, assinem. Regra básica da internet.

Autor: pixamaiorcatua

Poesia: Diogo deixa de tentar ser o Lewis Samuels, não chegas lá. Mantem-te a fazer o que sabes, falar na webcast pois mesmo dando um tiro ao lado a cada 3 frases fazes um bom trabalho. Agora, por mais que tenhas lido sobre surf a verdade é que nao viveste o surf até à pouquissimos anos atrás. A tua opinião é merda e mesmo tentando chamar atenção a ti e ao teu blog a tentar criar polémica, continuas a ser um puto mediocre a dizer merda para um blog que 10 pessoas veem...




25/11/2015

Bruce Irons assina com a RVCA

Se, e apesar da crise de 2008, precisarmos de uma prova de que os mercados, essa entidade metafísica, funcionam de uma forma suis generis, aqui está ela. A Stab noticia esta quarta-feira que a RVCA acaba de juntar Bruce Irons às suas fileiras. O irmão caçula de Andy nem dois meses ficou de nose em branco e esta assinatura mostra que o seu nome e estatuto (aparentemente) ainda têm valor na indústria do surf.

Tirando mexer um bocadinho com o meu texto do outro dia até fico contente por ele. Fica só a faltar tirar um resultado no Pipe Masters, evento para o qual, recordem, acredito que não devia ir ter entrada directa (como dizia o Ivo no Twitter, um wildcard para os trials bastava) para arruinar de vez com a minha carreira no surf.

#prayfordiogo

Será que o Bruce lê o Como É Que Está o Surf? Foto: STAB

24/11/2015

Por favor qualifica-te

Ryan Callinan at home from Jack Taylor on Vimeo.

The Inertia's HEADSPACE: Dane Reynolds

Desculpem mas não faz sentido o Bruce estar no Pipe Masters

Perdoem a minha insensibilidade mas lembram-se da última vez que o Bruce Irons fez alguma coisa digna de nota em competição?

Eu digo-vos.  Há 7 anos atrás. 2008, Indonésia, depois de ter anunciado a sua saída do World Tour. O Bruce estava farto daquilo. Queria fazer outras coisas. Estava farto da pressão. Nesse ano, já com o surfista decidido a pendurar as botas no fim da época, o Tour foi até um dos locais mais livres do mundo do surf e Irons estava em casa. E relaxado. Venceu a prova de forma categórica e teve a sua saída de sonho. Desde então, em competição, há pouco mais a mencionar. Desde 2008. 

No Pipe Masters desde que saiu? 17º, 37º, 37º, 37º, 25º. 
No Volcom Pipe Pro? 9º, 9º, 5º, 9º, 33º.
O ranking dele no WQS desde 2011? 337º, 231º, 250º e 343º.

Novamente, perdoem a minha insensibilidade e acrescento o pedido de não a tomarem como sendo um ódio pessoal. Eu vi o The Bruce Movie, o Dude Cruise e outros mais. Eu sei o surfista que o Bruce foi. E gostava dele! Bastante! Mas é isto mesmo, ele foi este surfista. Já não é. Há um motivo para que ele esteja de nose em branco e um Shane Dorian ou Rob Machado, não. As coisas mudam.

O que me leva precisamente ao ponto a que quero chegar. Como se explica a campanha nas redes sociais? E por que raio lhe vão dar o wildcard para o Pipe Masters? O que é que ele fez para o merecer? É que em competição, como já se viu, não foi de certeza que o fez. E no freesurf, bom, mostrem-me alguma coisa recente que tenha feito e que o Eli Olson ou o Koa Rothman não façam também.

E nem atirem a pedra do Andy, não façam isso. A prova ser em memória do tricampeão faz todo o sentido. O Andy venceu lá por três vezes e foi ali que se consagrou como lenda. Quem não se lembra das finais contra o Kelly? Além disto, a prova é do seu patrocinador de (quase) sempre, a Billabong. É um justa e merecida homenagem que o Pipe Masters aconteça em sua memória. Mas só isto é suficiente. Não temos de dar também o wildcard ao Bruce. 

Está na altura de seguir em frente. Aceitar que a carreira do Bruce chegou ao fim e que ele não vai voltar a ser o surfista que foi. Aceitar que o tempo passou. E aceitar que o Andy já não está connosco. E parar de querer ver no Bruce o seu irmão. O surf do irmão. Os feitos do irmão. O domínio do irmão. Libertá-lo desse fantasma. Dessa pressão até. Vejam qualquer entrevista que o Bruce tenha dado nos últimos anos e vão rapidamente perceber que o fardo da perda do Andy está lá presente. Sonante. Pesado. Esse fardo não vai desaparecer. Nunca. Eu não perdi nenhum irmão mas já perdi pessoas. O desaparecimento anda connosco para sempre, à esquina de qualquer distracção. Há que aceitar isso. Fazer o luto e não tentar tapar o vazio com trivialidades.

Não me quero meter na sua intimidade mas parece-me que o Bruce tem de aceitar esse vazio. E aceitar que o seu tempo passou. Deixar o wildcard do Pipe Masters para alguém que de facto o mereça seria uma boa forma de o começar a fazer. De o começarmos a fazer.

Bruce Irons em tempos mais felizes. Aqui, a caminho da sua primeira e única vitória no World Tour. Foto: WSL/Kirstin

21/11/2015

A razão pela qual ficámos

  Eu nem acredito que vou escrever isto mas bom, aqui vai. Todos sabemos a razão pela qual ficámos no surf. Não importa se começámos porque os nossos amigos nos convenceram, se foi por causa de uma série de televisão ou se porque alguém na família já o fazia. Não importa. O motivo pelo qual ficámos, e quando falo de nós refiro-me aos surfistas à séria (seja lá o que isto significar), é o quanto nos divertimos no surf. As gargalhadas, as manobras, os wipeouts, enfim, aquilo que vos faz rir, sorrir, pensar, quando estamos em modo de surf. A ir para a água, já dentro dela ou fora. No carro, num barco, no autocarro da rodoviária ou no comboio. Sozinhos ou acompanhados. Surfar é muito, muito divertido. O que me leva à pergunta: desde quando é que ficámos tão sérios? E desde quando é que a seriedade (leia-se competição e os seus modelos) implica que não se mostre quão divertido é estar em pé num bocado de esferovite? Eu adoro a WSL. Adoro as revistas e as marcas, os surfistas e os shapers. Adoro tudo o que criaram e o facto de terem levado - e levarem - o surf até mim todos os dias. Pelo que me questiono qual a razão que vos leva e nos leva (enquanto membro do meio do surf, tenho responsabilidade) a mostrar tão poucas vezes quão divertido o surf é? É o dinheiro? As acções na bolsa? A nova colecção que saiu da fábrica cheia de defeitos? Porque é que têm de ser tão sérios a toda a hora? Um profissional não se diverte? 

  Obrigado à Rip Curl por recordar esse lado que tão poucas vezes se vê. Sim, é super divertido apanhar ondas perfeitas na Indonésia numa prancha nunca antes usada, mas quando cheguei à praia e o meu amigo se esbardalhou de fronha a correr na areia, eu juro que achei que me ia ficar ali de tanto rir. Também foi divertido. Também é surf. E acontece a todos. Até ao Mick Fanning.

 

14/11/2015

Assim é que é

Isto dá-vos pica ou não? Querem ver estas provas ou não? Não estão logo à partida entusiasmados? Fuck yeah! Assim é que é!

Até a as entrevistas estão mais entusiasmantes! As declarações do John John! Isto é que é o surf! Assim é que se faz uma coisa entusiasmante! Assim é que se vende este produto! Vamos! Para a frente, camaradas! I AM SURFING!

FOX SPORTS: HURLEY PRO STARRING JOHN JOHN FLORENCE from Luke Farquhar on Vimeo.

FOX SPORTS: I AM SURFING from Luke Farquhar on Vimeo.

08/11/2015

Apito final (isto não é um resumo)

Já lá vai mais de uma semana desde que o árbitro da WSL apitou o fim do Moche Rip Curl Pro Portugal. Eu vi a final, em casa ou na rua, já nem me recordo. Mas acho que não a vi toda em directo, na verdade. E nem sei porquê. 

Esperem, acabei de me lembrar que não vi em directo nem o 10 do Filipe Toledo nem o aéreo do Ítalo. Mas já falamos do Ítalo.

Voltando um bom bocado atrás. No penúltimo dia de competição, terça-feira, o placard marcava 6-7, vantagem para o Oeste. Pois que o Moche Rip Curl Pro Portugal só voltou à água na sexta-feira pelo que... 8-7? Ainda não sei onde prefiro ver o campeonato, mas sei que quando há muitos lay days, prefiro estar pelo sofá ou num lineup mais vazio que os de Peniche.

Sexta-feira. Último dia de prova anunciado de repente. Frederico Morais e Vasco Ribeiro ainda em prova. Tudo pode acontecer. Estou entusiasmado. O que é que eles vão fazer?! A praia, um estádio. O trabalho, um trabalho. Os colegas, trabalhando. A malta do campeonato, vendo o campeonato. 8-8 para Peniche. Aquela malta vale muitos pontos.

O Frederico perdeu nos quartos-de-final. F*dasse... 9-8.

Mas o Vasco chegou às meias-finais, F*DASSE! 9-9.

Abramos parêntesis. (

Perguntem a dez pessoas de nacionalidades diferentes (atenção aos aussies, aussies, aussies...) e garanto que terão outras tantas opiniões sobre a carreira do evento português ao longo dos tempos. Os argumentos revolverão maioritariamente na imprevisibilidade do evento. Um evento que não coroa um campeão mundial (apesar de isso estar sempre na calha) e que não facilita a vida ao ponta-de-lança. Um evento que baralha as contas e que manda o espectáculo para onde deve estar, no Havaí. Um eventos dos underdogs. Um evento que só num ano teve ondas perfeitas. Um evento que tem ondas de QS e que reduz as chances dos bons ganharem a coisa. Um evento mediano.

Sabem o que é curioso? Eu digo-vos. É que os que amam ou odeiam a prova de Peniche, têm os mesmos argumentos. É tudo uma questão de como se olha para o copo. Um exemplo:

Estava entre amigos no outro dia. Um deles não gosta do evento português, apesar de gostar de o ter cá. Ele diz que o evento de Peniche não tem ondas boas com regularidade e que não favorece os favoritos. Um outro amigo, pegou neste argumento. "Campeonatos de ondas perfeitas é o normal no Tour e Peniche também já os teve! Mas quantas oportunidades tens de ver os teus surfistas preferidos em ondas banais? No teu país? E não é fixe ver outros ganhar?!".

Opiniões. Copos. Bebe a água e despacha a coisa. Garanto que quando não houver água para beber, vai haver quem se queixe da sede. 

Mas também haverá quem esteja saciado.

)

Voltemos ao placard.

Chamem-me amargurado ou ressabiado, aceito. Mas ter o Keanu Asing no round 5 e o Brett Simpson nas meias-finais é demasiado para um Diogo só. Não lhes dou sequer a honra de valerem um ponto inteiro. Honestamente, é um ponto que custava ver ao vivo. Antes o Chris Davidson nas meias-finais ou o Kai Otton a levar o caneco. 10-9.

Agora o Ítalo, este, aqui temos um ponto inteirinho e bem dado. Vi-o surfar ao vivo, no ano passado, em Cascais e Ribeira D'Ilhas. Na primeira ocasião, nota para a violência com que atacava as junções do Guincho e os aéreos que aterrava. Na segunda, era só o modafucka que ia ganhar o Mundial Júnior (felizmente que o Vasco o impediu). Não fiquei particularmente impressionado na altura, afinal, não se diz que há muito surfistas bons no WQS?

Um ano depois, a história é outra. O cara, de quem eu pouco esperava, arriscar-se a ser o segundo melhor rookie na história da ASP moderna, atrás apenas do Booby Martinez que foi 5º ou 6º. E a comparação não deixa mal nenhum dos dois. Ambos lutadores, bons nos aéreos, humildes, posição evoluída na prancha e uma falta de complexos que deixa qualquer um boquiaberto. Siga 10-10.

E, apito. Não tenho mais argumentos. Não, a Brazilian Storm ao vivo não é um argumento e o Filipe Toledo também não. Não houve mais comida caseira nem surfadas dignas de pontuar. Já estou habituado à chuva e a verdade é que ela caiu tanto cá como lá. 10-10. Que merda de resultado. Tanta analogia com futebol e nem o resultado faz lembrar os da bola. Só se for os dos interturmas ou lá da empresa.

A verdade é que quem ganha é sempre o raio do copo. E a galinha do vizinho é sempre melhor que a minha. E a relva que a galinácea pisa também é mais verde do outro lado da cerca.

Honestamente, o que é que esperavam? Ou melhor, o que é que eu esperava? Decidir que nunca mais ia a Peniche, quando neste momento ter de esperar um ano (ou mais) para voltar a estar naquelas bancadas me está a dar calafrios? Ou decidir que ficar em Lisboa é a melhor solução, aterrorizado pela memória de dias cinzentos de chuva e sem ondas?

Depois do apito, a campainha.

Falei muito de competição pelo que arranco agora pelos freesurfs. Que foram bons. Que deram boas ondas e boas fotografias, como as que se vêm aqui na Surfer Magazine, capturadas através das lentes do português André Carvalho, e aqui na Surfing Magazine, pelas lentes do Corey Wilson (que foi para dentro de água, o que é sempre curtido de ver).

E sim, todo o Mundo viu que as ondas estavam melhores lá e houve mesmo quem se perguntasse por que razão não foi a prova para aquelas bandas, onde até já foi em anos passados. Há razões e ninguém mais indicado para as explicar que o Francisco Spínola, representante da WSL em Portugal, numa esclarecedora entrevista em duas partes da SURFPortugal. Primeira parte, segunda parte e, em baixo, um excerto daquela.

"(...) É como a questão da aberta, na Lagoa de Óbidos. Estavam todos excitados que a aberta estava com ondas ótimas, diziam que tinham apanhado o melhor surf da vida deles. O Kelly Slater também me disse que apanhou lá das melhores ondas. Tudo bem... então e quantos heats fazemos na aberta? Cheguei lá com o Travis Logie [comissário da WSL] para ver o local e estavam uns closeouts de uma ponta à outra. Aquilo deve ter dado cerca de duas horas de surf. Em duas horas de surf não se faz um WCT. Isto para começar...

Depois, se porventura aquilo desse altas ondas e fosse consistente ao longo do dia para fazer heats e fazer o campeonato, aí sim íamos para a segunda questão: é possível ou não? É possível ir para a Almagreira ou é perigoso por causa das arribas, sendo que este é um evento que coloca 15 a 20 mil pessoas na praia. São este tipo de questões que se têm que levantar. Adorávamos fazer em todo o lado e estar móveis a 100 por cento, mas a realidade é que há questões de natureza técnica e de técnica de surf – uma coisa é apanhar altas ondas quando a maré está a encher duas horas, outra é fazer heats durante oito horas. (...)"

Fico mais uns momentos pela SURFPortugal que, sem surpresa, voltou a ter a melhor (a única?) cobertura do Moche Rip Curl Pro Portugal entre os especialistas. Gostei de várias coisas, nomeadamente desta entrevista ao Filipe Toledo e desta entrevista ao Pinga, treinador do Ítalo Ferreira, do Jadson André e do Caio Ibelli.

Nos generalistas, atenção ao Observador que, obviamente, falou com o coolest mayor on tour e, menos obviamente, falou com Michael e Mason Ho. Já o Expresso foi obviamente atrás do Nuno Jonet que, numa nota pessoal, espero que não se reforme tão cedo. O i foi falar com Chas Smith, personagem menos óbvia quando se trata de WSL mas nem por isso despropositada.

Lá fora, nos especialistas, especial enfoque na Stab. Isto porque se mostraram muito atentos a dois dos mais marcantes momentos do Moche Rip Curl Pro Portugal. A derrota do Mick Fanning e o aéreo do Ítalo Ferreira. Ambos os artigos contam opiniões fortes de pessoas que podem falar pois sabem do que falam. 

E já que falo de um brazzo, se tiverem amigos que não sabem dizer Adriano de Souza, Filipe Toledo ou Ítalo Ferreira, a australiana Monster Children explica.

Fecho Peniche com duas coisas. Uma estimativa de que as ondas portuguesas valem cerca de 400 milhões de euros e a minha resposta a ainda outro conteúdo da SURFPortugal:

É bem possível que seja.

Vai Ítalo! Foto: WSL

Hecho En Cabarita

Já o disse vezes sem conto e volto a dizer as vezes que forem necessárias: este Chippa Wilson é dos surfistas mais técnicos em aéreos do planeta, se não for mesmo o mais técnico. Saibam mais sobre neste vídeo em baixo.

04/11/2015

SAL 2015

Está de volta.
É fixe.
Eu vou.
Tu também devias ir.
Vais?
Vemo-nos lá.
(podem carregar para aumentar as imagens)



02/11/2015

Os rumores eram verdade: Dane sai da Quiksilver, Nyjah deixa a DC Shoes

Os rumores eram verdade: o Dane Reynolds está fora da Quiksilver. Pessoalmente, tal como no caso do Kelly Slater, considero isto uma tragédia, dado que a relação entre as partes era simbiótica e ambos se ajudaram mutuamente ao longo dos 13 anos de relação. Mas enfim, não deu mais, seja por causa dos recentes 30 anos de Reynolds (toda a gente sabe que assim que batemos nos trinta a nossa qualidade começa a cair...) ou por causa daquela história do capítulo 11 e da falência da marca.

À distância, parece-me evidente que o Dane já não vale o seu mais recente contrato (mais de 3 milhões de dólares por ano segunda consta) mas que ainda vale um valor estupendo, valor esse que a marca neste momento não terá tido condições para oferecer. É também esta a opinião do Beach Grit que diz que o homem de Ventura optou por procurar qualquer coisa mais valiosa noutras marcas, nomeadamente, junto da Vans. Veremos pois também já se lêem rumores de RVCA ou até marca própria, ao estilo da antiga Summer Teeth.

Quero acrescentar que este não deve ser um dia feliz no escritório da Quiksilver que, mais do que ninguém (a sério, eles têm acesso aos números!) sabe o valor de Dane. Mas neste momento, não havia como.

Paralelamente, o grupo (a DC Shoes pertence à Quiksilver, inc.) acaba de perder também o norte-americano Nyjah Huston, quem sabe o melhor skater da sua geração e sem dúvida o melhor em competição. Neste caso a pintura está mais esbatida mas diz-se que o valor oferecido pela marca a Huston para a renovação do contrato não foi suficiente para as aspirações do skater que vai agora para....a Nike (nada oficializado ainda). Diga-se que Nyjah, que acaba de lançar uma parte para claramente libertar todas as filmagens que tinha ainda trajado à DC, esteve com esta marca na maior parte da sua ainda jovem carreira.

Porque não sou tipo de carregar só más notícias, quero só dizer que durante o fim‑de‑semana o japonês-americano Kanoa Igarashi derrotou Connor O'Leary na final de um evento 6000 do WQS no Brasil. Kanoa fica assim praticamente garantido no World Tour em 2016 e O'Leary está à distância de um bom resultado. O que é que isto importa para a marca da Montanha e Onda? Ambos fazem parte da sua equipa...que só tem Jeremy Flores, Wiggoly Dantes e Matt Banting (lesionado) na elite do surf mundial.

Em baixo, um jovem Dane.

Olha só que bela ideia

5 anos depois, a Stab agradece ao Andy Irons por tudo o que fez em Thank You, Andy. Um vídeo que não dá para perder.

Thank You, Andy. from STAB on Vimeo.

27/10/2015

Actualização do placard

Bem, onde é que nós íamos? 

Há três dias atrás, Sábado, estava 3-2 para a casa e muito aconteceu desde então. Entretanto, o fim-de-semana já lá vai, a semana arrancou, veio de lá chuva, o Benfica perdeu e os resultados do Moche Rip Curl Pro Portugal, bom, fizeram-me a vida difícil. Se só agora chegaram ao blog, o que se passa é que estou à procura da resposta à seguinte questão: onde prefiro seguir o campeonato, em casa ou em Peniche? Contexto aqui.

Para começar, o Vasco e o Frederico venceram os seus heats do round 3 e este último ainda se qualificou para os quartos-de-final. Dois surfistas, três rondas, três pontos? Reviravolta, Coreia do Sul vs Portugal. 3-5. 

Enquanto o Kikas surfava o round 4, o Benfica perdia com o Sporting. O cérebro levou a melhor sobre a arte da guerra. Que surpresa. Por estar por cá, podia ir ao jogo (não fui, estava no cinema), logo, há aqui um pontinho extra...mas o resultado, enfim, 1-1= 0. Não há ponto. Mas chega de bola. QUE CENA MARADA EM PENICHE! O VASCO! O KIKAS! EU NO CINEMA A GASTAR DADOS MÓVEIS! 

A noite de Domingo pesou bastante no placard, tenho de confessar. A minha namorada fez, tipo, a minha comida preferida e, quero lá saber o que vocês dizem, isto é um 4-5 directo. Comida caseira? É do melhor! Infelizmente, o meu talento na cozinha não é tão bom como o da minha cara metade e lancetei praí dois terços de um dedo (mais coisa menos coisa) a cortar batatas. Nada disto teria acontecido se eu estivesse a comer o buffet do hotel penichense onde costumo pernoitar. 4-6.

Chuva, vento, estrutura a voar, areia nos olhos, carro a patinar, lay day, enfim, coisas com as quais não tive de lidar na segunda-feira por não estar em Peniche. Da minha experiência, estes dias no Oeste são looooongos e demoram a passar. O trabalho e a minha alegre casinha foram bem confortáveis e, por isso, 5-6.

Tenho boas fontes por Peniche que me dizem que há boas histórias a acontecer. Há a corrida ao título mundial e à qualificação, claro, mas há outras coisas menos evidentes que não dá para testemunhar e saber à distância. Falar destas coisas com a malta que por lá está faz-me ter saudades de estar com eles e aumenta o sentido de deslocação, não tenho como negar isso. Há aqui um ponto devido, 5-7.

Sem ondas surfáveis nos Supertubos e com chuva, a competição foi para o Molhe Leste esta terça-feira E o Vasco não foi directo para os quartos-de-final. 6-7.

Cambalhota no resultado ao fim do segundo jogo.

PENICHE! Foto: WSL/Aquashot/Poullenot

Tal como no outro dia, termino em jeito de campainhas. É que uma das coisas boas de toda a atenção mediática sobre os melhores do Mundo é a quantidade de ângulos que são cobertos. Não há uma única sombra em Peniche (ou quase).

Arranco desde já com o grupo Impresa e com a que SIC que tem feito de tudo: desde recolher declarações do Frederico Morais e do Vasco Ribeiro para peças no Telejornal depois das suas vitórias de Domingo a relembrar (e atenção, isto é uma pérola do tempo) a primeira vez que entrevistaram o carrasco de Mick Fanning e actual campeão nacional. O Kikas tinha 10 anos nesta ocasião.

Ainda no grupo de Paço de Arcos mas agora no Expresso, explora-se não só aquele que "trata a alma" dos surfistas como também o surfista brasileiro que não é Medina nem Toledo mas está a causar notável sensação no Tour. Quem? Ítalo Ferreira, pois claro.

Já que estamos na imprensa generalista, por lá fiquemos. Agora é tempo de passar o ecrã para o site do Observador onde figura uma belíssima entrevista ao Francisco Spínola. Quem? Bom, basicamente, o homem responsável por trazer o Tour de volta a Portugal...e por cá o manter.

Uma tirada do surfista: "(...) Não temos haters nem malta constantemente a dizer mal do surf, como em outros desportos. E atenção, vejo muito outras modalidades e adoro outros desportos. Gosto de tudo. Mas sentimos claramente que o surf não tem anticorpos, as pessoas percebem que os investimentos estão a ter retorno."


Fecho o capítulo dos meios de comunicação generalistas com um retrato muito fiel do que é hoje Peniche, feito numa reportagem do Linha da Frente da RTP. Surf e Peniche é tipo pão com manteiga, duas palavras da mesma expressão.

E saltemos para os nossos. Pontapé de saída com a SURFPortugal e declarações de quatro figuras incontornáveis do passado Domingo. Duas dessas figuras são, claro, o Frederico e o Vasco, cujos brilharetes nos Super dão ainda mais força à Portuguese Storm, como lhe chama a Australia's Surfing Life, numa peça em que entrevista o surfista do Guincho.

Falatório, como podem ver, é coisa que não tem faltado e quem muito tem falado é... Kelly Slater?! Pois, parece que sim. A Stab recolheu aqui meia dúzia de frases-chave ditas pelo careca na Dawn Patrol de hoje, destacando-se o que diz sobre... Gabriel Medina, claro. Se há alguém que pode falar sobre como são diferentes as conquistas de cada título mundial, esse alguém é Slater. E foi sobre isso que falou com a ASL.

Terminamos em nota alta? Claro que sim, como se houvesse outra forma de o fazer. Finalmente, os surfistas do Tour começam a mostrar algum carácter! Personalidade! Vamos! E que melhor altura para o mostrar que nas entrevistas pós-heat, sobretudo se tiverem sido derrotados? Eu diria que foi o Mason Ho e as suas natas que inspiraram o Julian e o Owen (round 2, heat 3 e 4), mas quem sabe?!

E vá, não sejamos maus, a verdade é que as ondas da segunda ronda estavam muito pouco atraentes... O que nos leva ao link final. Pergunta a revista australiana Tracks, por que não é o evento português móvel? A resposta é óbvia e, já agora, tirando as piscinas de ondas da equação, mostrem-me uma praia que tem sempre ondas boas, nas mesmas duas semanas, em vários anos consecutivos.

Até breve! E, não se esqueçam, 6-7 para Peniche!

Isto vai ser bom, não vai John John?

24/10/2015

Alguma aposta no resultado final?

Pela primeira vez desde que o World Tour regressou a Portugal em 2009, não vos escrevo a partir de Peniche e do Moche Rip Curl Pro Portugal. Na verdade, não escrevo de todo - só aqui. Como sempre, para gozo e gáudio de outros, no fim da prova no ano passado queixava-me da deslocação, pele queimada, falta de sono, comida caseira, enfim: depois de quase 10 dias, estava pronto para regressar a casa (eu sei, conversa de quem teve a sorte de lá ir, mas não se esqueçam que a relva é sempre mais verde do outro lado). Mas o tempo (quase) tudo cura e agora, em Outubro de 2015, dou por mim a perguntar-me: onde gostava de estar? 0-0.

Os primeiros dias, felizmente, foram lay days. Pelo que fiquei contente por estar por casa, pelo trabalho, com a vida normal. As sessões de freesurf que foram aparecendo também não eram assim tão convidativas pelo que esses dias nem custaram a passar. O sol brilhou por estas bandas - até literalmente. 1-0. 

Depois, o Vasco, o Kikas e o Kelly ganharam os seus heats na primeira ronda. Isto já doeu um bocadinho. Costumo ver o campeonato perto da zona de entrevistas para os media, numa espécie de alpendre (ha!) com um grupo de pessoas com quem me cruzo sempre por lá. Trocamos piadas, cumprimentos, interjeições, análises, citações, dicas. A segunda ronda vi no meu sofá de casa, sozinho. 1-1.

Não que seja mau! Tenho repetições, os comentadores, acesso (mais) rápido aos rankings, não me queixo. 2-1.

Mas não me importava de estar a trocar umas bolas com a malta. 2-2.

Hoje fiz surf. 3-2.

Ainda assim, à distância, também consigo sentir o cheiro de um freesurf de Sábado à tarde em Peniche depois de um campeonato. Especulação, logo, ainda 3-2.

Diria que uma boa parte dos fãs portugueses de surf não conseguem seguir o campeonato in loco pelo que este ano sinto-me mais próximo deles e num lado menos habitual da coisa: espero que o sumo do campeonato venha ter comigo, não tenho de espremer as laranjas como no passado. É uma experiência mais relaxante, sem dúvida. Posso ser fã e não tenho de me preocupar com nada mais. 

...e mesmo assim, sem ter qualquer obrigação de produzir coisa alguma sobre a prova, aqui estou eu a fazê-lo. É que o grupo com quem costumo estar por Peniche (e outros mais que não conheço!) está lá em trabalho...e há bom trabalho a ser feito. Em jeito de campainhas, deixo-vos aqui algum do melhor sumo que tenho bebido sobre esta prova.

Nesta entrevista ao Filipe Toledo, o Surftotal não foi particularmente fundo nas perguntas mas o surfista tratou de mergulhar nas respostas. Esta tirada apanhou-me desprevenido:

"(...) Foi depois de Trestles que tudo mudou para mim, e me comecei a dedicar totalmente ao título mundial, fui para a França com muita determinação e foco, mas acabei por perder logo no segundo round e isso deixou-me muito triste e abalado. (...)"

Ainda nas entrevistas no core, é difícil competir com a SURFPortugal. Se quiserem saber mais sobre o Sebastian Zietz, este é o sítio certo. Leiam:

"(...) Escolhi o 14 porque foi a idade com que regressei ao Kauai e voltei a surfar. Foi aí que tive a noção que talvez pudesse tentar ser surfista profissional. Simboliza isso mas também a idade com que tudo começa a acontecer. (...)"

A competir com a SURFPortugal pelas melhores entrevistas, o Expresso falou com o Adrian Buchan, uma das personagens mais interessantes do Tour, e ainda com Júlio Adler, que dispensa apresentações aqui no blog.

Tirada do Adrian, "(...) se os jornalistas querem ter “boas respostas”, que não envolvam apenas surf, resultados ou mexericos entre atletas, têm de "fazer as perguntas certas”. É preciso perguntar aos surfistas de onde é que eles vieram, onde e como cresceram, que atividades gostam de fazer além de surfar e que interesses têm" exemplifica. (...)";

E agora do Júlio, "(...) Eu sou muito ruim de entrevista, tanto para dar como para fazer. Não me sinto à vontade para entrevistar os surfistas. Gosto de conversar. Se acontecer sentar-me com eles à mesa, então faço muitas perguntas e converso. Mas marcar hora para entrevista, isso não fiz muitas vezes.(...)";

Para completar o ramalhete dos media portugueses, bem apanhado este post da Onfire. À partida para a edição de 2015 do campeonato de Peniche, onde competiram 3 portugueses, a revista da Linha de Cascais compilou algumas curiosidades e números sobre a história da prestação dos portugueses em provas do World Tour.

Fecho com a merecida atenção dada pela Surfer Magazine, revista norte-americana, a precisamente um dos três wildcards portugueses do Moche Rip Curl Pro Portugal, Frederico Morais. É bom ver os nossos nos grande meios de comunicação mundiais da especialidade.

Voltando ao início do texto, com o passar dos dias, logo vemos como fica o resultado final. Mas desafio-vos a lançar as vossas apostas!

Se uma vez podia ser sorte de principiante, a segunda dificilmente o é. Bora, Kikas! Foto: WSL/Aquashot/Poullenot

23/10/2015

21/10/2015

Eli Hanneman

QUÉ ISTO PÁ?! P*TA QUE PARIU! 12 ANOS?! KERRUPTS?! Está aqui a dar-me um feeling Medina...

20/10/2015

Oh John John, afinal isto é teu ou não?

Este vídeo é esquisito. E nem sequer estou a falar do rap. Normalmente, os bons vídeos do John John Florence são os produzidos pelo próprio mas este... quem sabe? O prodígio havaiano parece ter estado envolvido na produção e o surf, claro, é de topo: várias sessões, manobras, tubos e aéreos, enfim, o argumento todo. Só o título parece o do ficheiro e não o do vídeo, a conta do Vimeo onde foi partilhado não tem mais nenhum vídeo ou qualquer outra informação, para além de nenhuma ligação ao JJF e, no topo disto, seria estranho o surfista lançar um vídeo quando está quase a sair o seu filme... Bem, é ver.

16/10/2015

Patrocínios e fusões

Burburinho de praia é daqueles temas que, a tempos, lá vai surgindo por aqui. Eu cá não gosto de ser "porteira" (ah, o bom e belo estereótipo) mas vocês adoram estas coisas (os números não mentem!) e, enfim, não me custa nada escrever.

Preferem começar pelos surfistas ou pelas marcas?

Eu escolho.

Era uma vez três porquinhos que um dia estavam e estou a gozar convosco. Vamos a coisas sérias que a Stab e o Beach Grit (quem mais?) andam a aprontar das suas.

Em primeiro lugar, fruto das recentes convulsões no seio da Quiksilver America (foi anunciado no início de Setembro que a marca pediu proteção dos credores, ao abrigo do Capítulo 11 da lei de falências americana), ambas as fontes (Stab, Beach Grit) dizem que o prodígio californiano Dane Reynolds pode estar na porta de saída da marca de origem australiana. O seu contrato está perto de chegar ao fim mas diz-se que Reynolds e a marca terão negociado uma extensão até ao fim do ano para esperar por águas mais calmas para conversar... No caso improvável (segundo a revista) de Dane e a marca se separarem, a Stab não hesita em apontar a Vans como próxima marca a ocupar o nose do surfista (salvo seja).

No link da Stab já referenciado, é também mencionada a possível saída do Luke Davis da Reef, a saída de Bruce Irons da Fox e a estes quero acrescentar a saída do campeão mundial júnior Maxime Huscenot da Quiksilver.

Bem mais grave que estes três - e digo grave porque se trata de um dos meus surfistas preferidos - é a possível saída de Taj Burrow da Billabong, um rumor que tem vindo a estar mais ou menos presente nos últimos anos sempre que se chega a perto das épocas desportivas. Quem o afirma possível é, novamente, a Stab que sabe que o contrato do homem de Yallingup chega ao fim algures no fim deste ano. No que são de certo boas notícias para a Quiksilver (e parecem não haver muitas recentemente), a Stab diz também que Mikey Wright, o maninho mais novo de Owen e Tyler, rejeitou a oportunidade de se juntar à Billabong, tendo optado por ficar na família da marca fundada por Allan Green.

E está encerrado o capítulo dos surfistas. Seguem-se as marcas... E, depois de já ter mencionado os problemas no seio da Quiksilver America, só falta acrescentar que há uma forte possibilidade desta marca se juntar à Billabong por baixo do mesmo chapéu, o fundo de investimento especializado em empresas em situações adversas Oaktree Capital Management, falando-se mesmo da possibilidade de uma fusão das duas marcas (!!!), no que seria desastroso para a Billabong e nada mau para a Quiksilver. Gosto particularmente de como a SURFPortugal conta aqui a história do processo e de como se poderá materializar (a Billabong está zangada!). Se querem saber mais sobre como a Quiksilver ainda é, mesmo neste momento aparentemente difícil, uma empresa atraente, Beach Grit.

Bob Hurley começou a sua carreira na indústria do surf como shaper, como se pode verificar nesta fotografia de Dezembro de 1981. Foto: autor desconhecido

Fechamos este post dizendo adeus a Bob Hurley, fundador da Hurley, que se despede do seu cargo de CEO na empresa para abraçar o de "cenas de ligação e herança e relações e amigos executivo" (oficialmente, "he will focus on building and cultivating the community and extending Nike’s relationships with elite athletes. He will leverage more than 40 years of relationships and experiences to continue doing what he loves best – growing and influencing the development of the sport".na Nike, o que, gozo à parte, é porreiro e mostra a credibilidade do shaper junto da empresa-mãe. É substituído por outro Bob, com um apelido menos fixe, Coombes, Bob Coombes, que era até este momento vice-presidente da Nike. A empresa do certo está claramente a adorar ter a Hurley no seu grupo.

Até breve! Dling dlong, dling dlong, dling dlong... 

06/10/2015

Bobby is alive



Acho que nunca vou conseguir ultrapassar a saída do Bobby Martinez do World Tour. Não me entendam mal, toda aquela história foi estrondosamente espectacular. Mas o talento, o talento... Ponho as mãos no fogo em como o Bobby seria top 10 hoje. Enfim, é assim. De qualquer forma, fico contente por saber que ele já parece estar mais "resolvido" hoje do que estava nas entrevistas anteriores. Sempre me disseram que o tempo, a idade, tem destas coisas.

A história do Surfline, muitíssimo bem montada, está aqui.

21/09/2015

I Love The Maui Boyz: Albee faz um judo numa combo

Parece que estou a falar chinês? Então só têm de ir até ao minuto 3:18 para a tradução. Divirtam-se! É que o Albee Layer, aquele maluco do Maui que não é o Matt Meola, fez uma onda com uma combinação de duas manobras ("combo") que começa com um aéreo judo ("judo") e termina com um aéreo de rotação completa. Absurdo!

THE HABITAT EP05 CLOSER from TAKE SHELTER PRODUCTIONS on Vimeo.

20/09/2015

CONNER COFFIN X YWT: este é dos bons

Primeiro, a escolha musical dos vídeos do mais velho dos manos Coffin é sempre bastante boa. Depois, o Conner tem um surf muito próximo da perfeição. Por último, há, aqui e ali, um bocadinho de Portugal.

08/09/2015

Looking Forward | Tatiana Weston-Webb

A Tatiana tem (quase) tudo o que eu gosto num surfista: é competitiva, é goofy, é humilde, agradecida por fazer parte do melhor circuito do planeta e tem uma batida de backside apontada ao meio-dia. A juntar a isto, she's pretty easy on the eye... Fico bastante satisfeito por ela ter assinado com a Body Glove há já algum tempo (correu o WQS sem patrocinador principal) e por esta marca saber aproveitar a óptima representante que tem nas suas fileiras. Parece-me uma boa relação continuada.

Eis o mais recente trabalho conjunto:

07/09/2015

No regrets

De pior perdedor de sempre no World Tour (perdeu de primeira em todas as etapas!) a bêbedo não vai qualquer distância. Aliás, a depressão e os riscos estão sempre do outro lado da esquina do insucesso, não é? A história de Ricky Basnett a caminho de nós.

Fiquei curioso.

Mas parece-me que vai ser mais um daqueles que tem um óptimo trailer e depois é raso como a banca de Teahupoo.

A ver.

No Regrets Trailer from Jason Hearn on Vimeo.

Isto é do bom (e suponho que o material também o seja)

The North Shore right now, with John John Florence

The North Shore right now, with John John Florence from STAB on Vimeo.

Julian Wilson apresenta Drive Fast & Take Chances

Demasiado curto para o meu gosto...e ele devia ter saído daquele tubo!

DRIVE FAST & TAKE CHANCES from Julian Wilson on Vimeo.

Não