26/03/2014

Duas coisas sobre a vitória de Gabriel Medina

Duas coisas sobre o Quiksilver Pro Gold Coast são para mim claras como água: Gabriel Medina não ganhou a final contra o Joel Parkinson e estou contente que Gabriel Medina tenha ganho o Quiksilver Pro Gold Coast. Parece paradoxal, mas não é. Vamos por partes.

Foto: ASP/Cestari
Joel Parkinson foi o melhor surfista do campeonato. Dos quartos em diante, como já vários analistas disseram, ninguém surfou como ele. A aposta nos tubos e a forma como os surfou, aplicando logo a seguir as curvas que o caracterizam, não encontram rival no derradeiro dia da etapa inaugural do World Tour. Na final, Parko voltou a fazer o mesmo, só não teve o mesmo resultado que nas suas baterias anteriores. É para mim difícil explicar o motivo pelo qual não ganhou e creio que a resposta reside algures no facto de Medina ter sido o segundo melhor surfista da prova e ter chegado à final como aquele - brasileiro! - que eliminou Mick Fanning e Taj Burrow (justamente). Curiosamente, consigo encontrar com facilidade a justificação para a vitória do Parko, sobretudo se olhar, apenas, para as duas melhores ondas de cada um: a distância entre o 9 do aussie (da ponta do pointbreak, o bom tubo e as exemplares curvas) e o 8.5 do brazzo (a meio do pointbreak, uma mesma série de manobras boas), devia ser, pelo menos, o dobro do que foi. Pelo menos. Logo aí, Parko teria ganho. Era o suficiente. E o justo. Bem sei que a colocação na onda (e, como tal, o seu comprimento) foi a simplória justificação/incompreensão dada por Joel mas...é parte da justificação. Qualidade sobre quantidade claro, mas com calma.

Estou feliz por Gabriel Medina. Seja Deus ou o Instinto, nada melhor podia ter acontecido ao surf profissional na era da Nova ASP. Goste-se ou não, a ASP mudou, refrescou (?)...mas os candidatos são (eram?) sempre os mesmo: Kelly Slater, Mick Fanning, Parkinson e Taj Burrow. E nem me atirem à cara Jordy, Julian ou John John: o Quik Pro mostrou bem por que razão não são candidatos. E Adriano, bom, é um mistério. Num dia pertence ao primeiro grupo, no outro o segundo assenta-lhe que nem uma luva. Já Gabriel tem muito do segundo grupo mas acredito que tem mais do primeiro: Gabriel não perde graças a erros parvos de prioridade ou por esperar demasiado (ele nunca espera demasiado, antes pelo contrário, apanha ondas demais!). Medina incorpora aquilo de que a nova ASP precisa e ele, nalgum nível de consciência, sabe-o. Se não, depois de já várias vezes ter admitido que não percebia como se surfa Snapper, como explicar que na Austrália, este ano, elimine Taj, Fanning e Parko?! Tal como em 2011, o jovem prodígio voltou a vislumbrar a solução do labirinto. Se em 2011, bastava andar em frente (a novidade era tal que isso era permitido) destruindo todas as paredes, depois há que percorrer os vários caminhos de mão na parede, confiando que chegará ao fim com sucesso. Desconfio que em 2013 Gabriel já sabia isso mas a desafortunada lesão sofrida em Snapper Rocks foi mais preponderante do que ele, a sua família e patrocinadores alguma vez admitiu.

É difícil antecipar o que vai acontecer em Margaret River daqui a dias e no resto do ano. Mas algo me leva a pensar que é melhor Jordy, Julian e John John começarem a tirar apontamentos.

Medina sabe perfeitamente o caminho de A até B.

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