26/11/2013

Entrevista a José Manuel Braga

"Foram mais de dez anos como Seleccionador Nacional que, esta semana, chegaram ao fim. José Manuel Braga, figura incontornável do surf nacional e responsável pelos maiores títulos internacionais que Portugal já obteve, não ocupa mais esse cargo na Federação Portuguesa de Surf, acompanhando-o na saída, em "mútuo acordo com a F.P.S", Pedro Barbudo, seleccionador adjunto, e Duda Birra, seleccionador de bodyboard.

Naquela que é a sua primeira entrevista depois de deixar o cargo, José Manuel, surfista há quase 40 anos que viveu boa parte da sua juventude no Brasil, abre-nos o coração às maiores conquistas da sua carreira, as amarguras do que ficou por fazer e o que vem a seguir.

SURFPortugal - José Manuel, antes de mais, explica-nos o que levou a esta decisão.

JB - Acho que é o fim de um ciclo. Foram dez anos seguidos... Fui convidado pela antiga direcção e esta nova direcção chegou à cinco/seis meses e eu, logo na altura, pus o cargo à disposição. Pediram-me para continuar até ao final do ano porque, na altura, não queriam fazer alterações sem antes conhecer bem a Federação por dentro. E, pronto, agora vai cada um para o seu lado. Lógico que não vou, de jeito nenhum, deixar de seguir ou me preocupar com a Federação, uma vez que sou fundador. Está-me no sangue e dentro de mim. Vou continuar a acompanhar, desejando as maiores felicidades para todos.

SP – Esta saída está de alguma forma relacionada com o campeonato dos Açores e com as questões levantadas na altura?

JB – Da minha parte, não e só posso responder por mim. Dito isto, não achei um resultado positivo, apesar de nos terem dado parabéns, na altura. Não foi positivo. Para nós, o mínimo expectável, será sempre sermos vice-campeões. Ganhar seria correr bem, ficar em terceiro é correr mal. A verdade é que tanto a França como a Espanha levaram uma excelente equipa, contaram com todas as suas maiores estrelas, e nós não pudemos contar com eles. Ainda assim, isto não é desculpa porque tivemos na mesma uma excelente equipa. Foi como foi, não podemos sempre ganhar e o surf é assim. Lógico que gostava de ganhar sempre e dar essa alegria ao surf nacional e a todos os portugueses, especialmente aos atletas nacionais que tanto trabalham para isso, contudo, isso nem sempre é possível, apesar de todos terem dado o máximo. Costumo dizer que quando as coisas correm bem, é necessário dar os parabéns aos atletas porque a eles se deve. Se correrem mal, lá estava eu para dar a cara, aguentar a carga e assumir as responsabilidades.

Se estás a gostar, por favor continua a ler aqui."

19/11/2013

Entrevista ao Taylor Knox

"Aos 15 anos, quando foi operado de urgência à conta de vértebras danificadas após um acidente de skate, os médicos vaticinaram: "Não vais poder ser surfista profissional!". 20 anos depois, Taylor Knox é a prova viva da mais pura determinação.

Knox passou 20 anos ao mais alto nível no circuito mundial de surf da ASP (retirou-se em 2012). 20 anos. Pensa bem nisso. Imagina-te há 20 anos atrás! Imagina o que era o surf há 20 anos atrás...e o que é hoje. Impressionante, não é? Pelo caminho, este californiano, hoje em dia com 42 anos, venceu uma etapa do circuito, fez múltiplas finais, amealhou um evento de ondas grandes que construiu a base do que é hoje os Billabong XXL e protagonizou um icónico filme de surf, Arc. Com um power sem rival e transições rail para rail que poucos no Mundo sabem fazer, Knox manteve-se fiel ao que sempre soube fazer e, acima de tudo, nunca deixou de acreditar que tinha o que era preciso. Membro do Surfer's Hall Of Fame desde 2011, Knox não é homem de muitas palavras. Contudo, o que diz é sentido e lembra-nos a sabedoria popular que devemos sempre ouvir os mais velhos.

A SURFPortugal falou com ele durante o Moche Pro Portugal presented by Rip Curl, com pausas à mistura para o Capitão América acabar o seu almoço.

SURFPortugal - Como está a ser a transição de surfista do World Tour para freesurfer?

Taylor Knox - Está a ser boa! Assenta-me melhor [ser freesurfer]. Eu adorava o Tour mas não creio que fosse o melhor para mim. Adoro surfar, adoro ficar cada vez melhor a surfar mas o lado competitivo foi sempre uma coisa secundária para mim. Devia ter-lhe dado mais atenção mas sentindo que o meu melhor surf sai em freesurf, não era o mais natural.

Ainda pensas na decisão de deixar o Tour ou estás em paz com isso?

Estou absolutamente em paz. Passei lá 20 anos...por isso sinto-me agora feliz com a minha nova carreira de freesurfer. O Rip Curl Search é, sem dúvida, algo que me assenta melhor."

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18/11/2013

Lestadas e Inverno

Não sabemos de vocês mas nós começamos por senti-lo nos pés. Subitamente, já não é tão confortável andar descalço. Na praia, a areia, mais frequentemente molhada, já se sente e fica nas meias, colada aos dedos, depois do surf. O roxo da pele começa a contrastar com o preto do fato. De vez em quando, o wax escorrega e os pés, rijos, teimam em não se moldar às linhas cravadas nos meses anteriores. As impiedosas pedras do alcatrão do parque de estacionamento começam a doer mais. 

É o Inverno a chegar e, com ele, o frio, o sol sem temperatura e o vento leste. Este ano, temos contas a acertar. No ano passado, pouco mais de uma mão cheia de dias nos encheram a barriga. Agora, um ano depois, quando os narizes voltam a fungar e o cabelo demora a secar, queremos um Inverno melhor. Oh tu aí em cima, ouviste? Isto não são queixas. São contrapartidas. Nada disto importa se tu fores bom para nós. Só queremos aquele frio cortante, facas que deslizam nas nossas orelhas, aquele frio que vem com o vento offshore. Sabes que vento é? Aquele que depois de uma onda nos dispara balas de água para a cara, aquele que deixa a superfície tão fria que por momentos - breves momentos! - nos deixam a questionar sobre o que raio estamos ali a fazer. Sabes qual é? 

Depois do Inverno passado, talvez não te recordes, oh tu aí de cima. Mas nós vamos refrescar-te as ideias. Tal como tu nos refrescas o corpo quando mais uma vez vestimos o fato molhado e mergulhamos no mar e gritamos surdamente de frio e deslizamos nas ondas e esperamos pelos sets e esfregamos os braços em busca de calor. E, depois, saímos, gelados, mas satisfeitos, com os olhos picados e a pele dorida. É o vento leste, é o Inverno...e nós estamos à tua espera. Por Diogo Alpendre

Com fotos, aqui.

11/11/2013

GAYS

Agora que ficaram presos ao título do post (que não é de todo homófobo, foi apenas uma forma de chamar a vossa atenção), vejam como um documentário pode estar prestes a mudar a face do surf.

Como diz o Nuno Jonet, "Vive La Différence!"

OUT in the line-up TEASER from Gay Surfers on Vimeo.