29/10/2012

Futuro do Rip Curl Pro Portugal não está em causa com mudanças na ASP

 O futuro imediato do Rip Curl Pro Portugal, único evento português no World Tour, não está em causa. Quem o garantiu à SURFPortugal foi Francisco Spínola, director de marketing da Rip Curl Portugal.

 No início do mês de Outubro, depois do anúncio de que a Association Of Surfing Professionals (ASP) iria ser privatizada pela empresa ZoSea (sabe mais sobre o assunto, aqui) começaram a circular rumores de que vários eventos que atualmente fazem parte do calendário do World Tour estariam em risco, embora perante a fraca informação disponibilizada, tanto da parte da ASP como da ainda misteriosa ZoSea, não se soubessem bem os motivos do possível cancelamento dessas provas, ou sequer se os mesmos estão de facto a ser equacionados.

 Foi a revista australiana, Australia's Surfing Life, quem primeiro trouxe luz sobre o assunto, ao citar uma fonte não identificada junto da ASP que terá afirmado ter sido dada aos actuais patrocinadores a possibilidade de manterem ou deixarem cair as licenças dos seus eventos. "Apenas se a deixarem cair é que esse evento será oferecido a outro patrocinador". A mesma fonte terá apontado ainda como pouco provável uma mudança significativa no calendário para 2013, apesar de haver "um par de novos eventos em negociação e um par de eventos que podem cair".

 Continua a ler, aqui. Obrigado!

27/10/2012

A parte da Silvana é rídicula

Como é que a Silvana Lima ainda não é campeã do Mundo é uma coisa que não entendo. Ela é uma espécie de Taj Burrow do World Women's Tour, ultra talentosa mas sempre chocando com outros surfistas, não mantendo a consistência e perdendo em momentos impensáveis... O vídeo vale todo a pena mas se quiseres ver apenas a surfista brasileira a destruir as ondas de Trestles, salta para o minuto 7:08.

By The Way from Hayley Gordon on Vimeo.

23/10/2012

Todos atrás do osso (e a história de outros ossos)

"THE PAPER IT’S WRITTEN ON – A JOHN FLORENCE BIDDING WAR 
4 days ago 

It’s 2012 and John John Florence is surfing’s biggest hype machine. He just swallowed 50k in the Kustom Airstrike and earlier this year he won the Volcom Pipe Pro, the Telstra Drug Aware Pro in Margaret River and the Billabong Pro in Brazil. After his Rio win, Joel Parkinson said, “I love watching John John’s surfing most right now. I’m into it. There’s something so fresh and different. He’s got such a skating style. It’s good to watch.” Even more recently, after surfing a quarter against John in portugal, Joel said: “He’s got all the elements of one of the most amazing surfers I’ve ever seen.” When a hall-of-fame swell hit Tavarua during the Volcom Fiji Pro, John was the only man in the lineup without a life vest. And post-Fiji, Mick Fanning told Stab: “John’s so relaxed. He finds the craziest waves and he just doesn’t seem to freak out. He’s really calm. It’s crazy to watch.” 

There’s no frills. He’s just John and he just kills. So, does it surprise you to learn that there’s currently a bidding war going on between surfing’s biggest players, all trying to secure logo rights for the beak of John’s boards? And, it’s not just any bidding war, but the biggest bidding war in the history of surfing. 

Right now, surfing’s three most powerful men are Kelly Slater, Dane Reynolds and John. From a company’s perspective, no point signing Kelly ’cause even if you had more money than sense, Kelly’s image is eternally weaved with Quiksilver. And, Dane’s locked up with Quik until 2017. But John John has that X factor the world is hot for. Can you believe he’s already spent 15 years on the books of O’Neill (since he was six)? John’s contract ends in September 2013. And, with the recent heat he’s been generating, John knows he’s currently well below his market value. So, expect to see things change much sooner. 

“When you get an athlete, one of those real major sort of guys, they’re trend-setters,” says Pat O’Connell, Hurley marketing cat, sometimes contest director and a man who emits nothing but good vibes. “They influence things, and they influence with their opinions on the world and what’s happening. What you’re getting is a human that you respect. They’re a rallying point. You feel like you’ve got someone who puts the product in the ground, and everyone gets on it.” 

Earlier this year, Billabong went head-to-head with Nike to try and scoop up Kolohe Andino. With an ageing surf team, Billabong needed an injection of new blood. Since signing Joel Parkinson, Taj Burrow and Andy Irons, Kolohe would’ve been Billabong’s biggest spend. But, Nike managed to hold onto Brother. Now, and whether it’s coincidental or not, since Taj’s contract ends at the end of this year and Joel’s finishes next year, Billabong have made moves for John. 

They ain’t the only ones. 

An industry insider confirmed that Hurley also want the Hawaiian and are proposing a deal that’d see John in Hurley apparel and suits and Nike footwear (Nike own Hurley). While Hurley’s lineup includes premium guys Brett Simpson, Miguel Pupo and Yadin Nicol, they’re currently without a multi-million-dollar-plus marquee surfer. Also in the ring is Vans, head-to-toe. John has ridden for Vans since 2001 and embodies everything the brand stands for. Both his brothers, Nathan and Ivan, also ride for Vans complete. A company that took minimal hits from the GFC (those Authentics, on every kid’s feet, were an antibiotic!), is something to take seriously. 

And, O’Neill are also still trying to hold onto John, but they have the unenviable position of trying to hold onto both John and Jordy. Surfers like this don’t come cheap. 

“I don’t know that there is an average salary for those big guys,” says Pat. “You know that they’re worth what they’re getting paid, because if they didn’t get paid their rate by one company, then another brand would pay them. I think if you get paid that and people are willing to pay you that, then that’s what you’re worth.” 

A little sizzle in a jersey. This was only a coupla days ago in Portugal, at the Rip Curl Pro. Oh, and he won this heat. Photo by Ryan Miller. Plenty of surfers on the edge of explosion have made pre-emptive strikes. A few months before his first event as a world tour surfer, Jordy Smith left Billabong and was scooped up by O’Neill. When Julian Wilson qualified for the tour, he left Quiksilver and signed with Nike. The point is, once y’make the world tour, your value as a surfer goes north. Good business doesn’t always accommodate loyalty and surfers have to make the most of their heat while they can, just in case it’s a little more short-lived than they hoped. 

This movement comes two-and-a-half months after John left management at WMG (Wasserman Media Group) under Blair Marlin, who also manages Dane Reynolds and the Irons family. John’s now in the Sunka Entertainment fam, managed personally by Terry Hardy. That name should ring a bell. Terry’s the man who both manages Kelly and runs ZoSea (who just settled a very big deal to take over ASP media rights). A powerful man to have in your corner, f’sure. Both Blair and Terry (very politely) chose not to comment. 

Our industry insiders estimate that John is worth between $3m and $4m a year, including wetsuits, apparel, eyewear, shoes, energy drink and watches. But with three major companies gunning for main sponsorship, you can assume it’s closer to four mil. A shade better than when he first signed an O’Neill contract for travel and contest entry fees, huh. – Elliot Struck 

Pela Stab, a revista que põe o dedo na ferida e depois torce. Dêem-lhes o vosso pageview que eles merecem: http://stabmag.com/the-paper-its-written-on-a-john-florence-bidding-war/

22/10/2012

Julian vs Medina

Antes de mais, deixem-me fazer, novamente, uma ressalva. Eu não tenho NADA contra os surfistas brasileiros ou contra o povo brasileiro. Tal como em todas as outras nacionalidades, há surfistas bons e maus, há pessoas boas e más. Portanto, antes que comecem a encher a minha caixa de e-mail com ameaças e insultos (como já o fizeram anteriormente...), entendam isto, okay? Valeu.

1) Há aqui muita hipocrisia.

É um facto que quando algo nos atinge dói sempre mais mas era de esperar também que fosse mantida alguma coerência. Quando foi óbvio, óbvio, que o Owen Wright ganhou ao Adriano de Souza no Brasil em 2011 (aquele floater era de facto um oito alto mas o vencedor da bateria era o australiano), os fãs brasileiros dançaram, celebraram. "Bem feito gringos!" disseram. E era uma vitória injusta. E celebraram na mesma. E ofenderam os australianos, com razão, que diziam que o surfista local tinha sido beneficiado. Os australianos falaram em "favorecimento" local e tinham razão. 

Mas agora, quando é um surfista brasileiro o prejudicado, sentem-se injustiçados. Ameaçam de porrada. Dizem que a ASP só protege os surfistas australianos. Ofendem tudo e todos, num vómito verbal inacreditável. Memória curta, não?

Os juízes erraram em 2011 e voltaram a errar em 2012. Protecção aos australianos? Não me lixem.

2)
- Gabriel Medina é brasileiro, da Rip Curl, e estava numa prova em Portugal patrocinada pela Rip Curl.
- Julian Wilson é australiano, da Nike, e estava numa prova em Portugal patrocinada pela Rip Curl.

Se houvesse favorecimento local, a vitória era do Gabriel.

Eu estava na praia, ao contrário de muitos que agora falam como se tivessem visto tudo ao vivo, algo importante para dar opinião (e contra mim falo). Eu vi o público português todo a torcer pelo Gabriel, tal como o vi torcer pelo Adriano em 2011.

3)
Deixem-me dizer-vos o que aconteceu:
O Gabriel estava na frente (como devia estar) e cometeu um erro. Estava a marcar tanto o Julian (como deve ser feito, aliás) que acabou por perder a prioridade nos últimos segundos. Julian só precisava de uma onda e surfou-a. Sabem como é que muitos casos de tribunal são arquivados? Criando a "dúvida provável". O simples facto de haver uma possibilidade de não ser como o advogado da acusação (ou procurador do Ministério Público) diz que foi, é o suficiente para arrumar com um caso. Foi isso que aconteceu na final do Rip Curl Pro Portugal. O Julian criou a "dúvida provável" e os juízes deram-lhe a vitória.

A destacar:
1 -  O Gabriel Medina fez um erro. Perdeu a prioridade num momento impensável. É um erro que ele nunca antes tinha feito e cometeu-o no pior momento possível. Mas o erro, esse, está lá, isso é inquestionável.
2 - Eu acho a última onda do Julian overscored. Para mim, não seria um 8.43. MAS seria sempre o 7.55 de que ele precisava. O problema, para mim, está no que o Julian precisava: ele devia precisar de mais, um pouco mais. Devia estar a precisar de um 8 ou coisa parecida e assim, não o teria tido com aquela última onda.

Este ano, como já podem ter observado, sobretudo depois do Nike Lowers Pro, os juízes já não estão a valorizar tanto os aéreos do Gabriel...e justificadamente! Faz sempre os mesmos, da mesma forma. Está a acontecer-lhe o mesmo que aconteceu com o Jadson André em 2011. Depois de vencer em Santa Catarina com aqueles aéreos, no ano seguinte, os aéreos que lhe dariam um nove, passaram a dar-lhe um seis. Os juízes percebem que aquilo não é uma manobra de risco e, honestamente, tal como eu estou, também eles devem estar fartos de os ver. E porra, o Gabriel é um surfista incrível, com um talento e habilidades técnicas espectaculares. Porque razão faz sempre a mesma coisa?

4)
Fazem-me muita confusão os comentários que a torcida brasileira está a deixar na Internet. Não os acho correctos, educados ou justos. Honestamente, acho que a torcida brasileira, ao fazer estes comentários, está a criar ainda mais animosidades no mundo do surf. Se querem ser respeitados, assumam as derrotas e as vitórias de igual forma. Sintam as coisas mas não faltem aos respeito a ninguém. Honestamente, o Julian só estava a fazer o trabalho dele. Ele surfou uma onda, fez um claim. Estava do lado dos juízes dar-lhe a nota ou não e eles deram-lhe a nota. Porquê ofender o surfista australiano? E porquê ofender os juízes quando eles, que desta vez erraram, também já beneficiaram os surfistas brasileiros (sendo que nem isto é o mais importante nesta questão)? E para mais, é importante recordar que, na nota do Julian, o juíz brasileiro foi quem deu a nota maior, 8.5. Foi apenas um erro, nada mais. Um erro que custa, é certo. Mas é um erro. E errar é humano.
Isto que vou pôr agora em baixo porque está PÚBLICO (por oposição a privado) no Facebook, na página de atleta do Julian Wilson, só prejudica a imagem do surf brasileiro.





Se eu, enquanto português, visse coisas destas feitas por meus compatriotas, sentir-me-ia embaraçado, envergonhado, humilhado.
Esta não é a forma correcta de ganhar respeito. O respeito ganha-se como o Miguel Pupo e o Adriano de Souza têm feito, com humildade e trabalho.

5)
O Gabriel é um adolescente e a derrota doeu-lhe muito. Claro que ele chorou. Os homens choram e é óptimo ver que ele se importa por perder e que fica arrasado com isso. Esta derrota vai ser combustível para a sua carreira e ele sem dúvida nenhuma que terá uma longa e próspera carreira. Ainda assim, mesmo aborrecido e triste, nada justifica sair do palco na entrega de prémios, não cumprimentar Julian Wilson e mandar uma boca aos juízes na cerimónia. Gabriel, aprende com o Adriano. Se ele mandou a porta abaixo para surfistas como tu poderem estar onde estão, de alguma forma foi, não? Pensa nisso.

6)
Os juízes cometeram um erro e é só isso. Umas vezes vai no nosso sentido, outras não. Lidem com isso.

Quem quiser, força, comente este post, discutam o assunto e o que eu digo. Mas peço-vos que sejam educados e critiquem constructivamente. Obrigado.

P.S. Se me lembrar de mais alguma coisa, vou acrescentando.

18/10/2012

É bom ser dropinado pelo Mick Fanning

"É bom ser dropinado pelo Mick Fanning. 
Por Diogo Alpendre 

 Era cedo, perto das oito horas, e as ondas estavam com três ou quatro pés, maré a encher e grande parte do World Tour estava dentro de água a treinar para o campeonato: Joel Parkinson, Mick Fanning, Tiago Pires, Kieren Perrow, Dusty Payne, Owen Wright e mais uma boa parte deles. A dada altura, numa onda qualquer, fui dropinado pelo Mick Fanning. "Fui dropinado" consiste, neste caso, no Mick Fanning apanhar a onda em que eu ia e à frente de uma secção que eu mal ia passar. Ele deve ter percebido isso quando me viu a "surfar" e lá foi ele. Em directo e ao vivo, a três dimensões, vi o Mick Fanning surfar uma onda à minha frente...mas na mesma onda. A velocidade, o aproveitamento da parede, as manobras, os movimentos, isso tudo mas, sobretudo, a velocidade. Nunca tinha visto uma coisa assim, ou melhor, já tinha visto, só nunca tinha vivido."

Continuem a ler aqui. Obrigado a todos.

17/10/2012

Surfistas preferidos da semana

Aí estão eles:

- John John Florence;
- Adrian Buchan;
- Dane Reynolds;
- Shaun Cansdell;
- Conner Coffin.

03/10/2012

Ondas


Primeiro esboço, não editado, da secção "Blog do mês" da página do "Online" na edição de Outubro da SURFPortugal.

"Este mês mudámos a tendência habitual deste espaço e escolhemos honrar um dos principais blogs que existiu na curta mas digna blogosfera de surf portuguesa. O "Ondas", que recente mas discretamente desapareceu devido às vidas atarefadas dos seus proprietários e outras questões tecnológicas, animou durante vários anos a existência virtual do surf nacional e foi, igualmente, o seu principal fórum de discussão, chamando para a conversa assuntos tão variados como a ASP, a disputa bodyboard vs surf ou a simples acção de deslizar numa onda, intervalados por vídeos e fotografias a gosto dos autores. Tendo em conta que contou com mais de mil posts e centenas de comentários, quem sabe que influência terá tido o blog do Manuel Castro, Vasco Mendonça, Miguel Bordalo, Ricardo Bravo, Pedro Adão e Silva e Pedro Arruda? Mesmo que ponhas reticências à influência dos blogs na sociedade civil, a verdade é que muitas das personagens do surf nacional passaram por lá para opinar e fazer-se ouvir, criando discussões que, se calhar, a quem estava só de passagem, muito ajudaram a entender a realidade da nossa forma de estar na vida. Já os outros, vindos mais de fora do meio, não quiseram deixar de dar a sua opinião e contribuir para a discussão, chamando a si uma função política com características da Grécia Antiga. Por estes motivos todos, o blog do mês (e de sempre?) é o Ondas. - DA"

Ondas, vou sentir a tua falta. Obrigado por toda a inspiração e por teres sido, durante anos, a minha principal fonte inspiradora. Se não houvesse Ondas, não estaria aqui e por isso é um bocado doloroso ficar sem ti. A frequência de posts já não era muita mas o arquivo estava lá. Ondas, vou sentir a tua falta.

Obrigado por tudo, Ondas.