03/06/2012

Volcom Fiji Pro - dia 1

"Tal como prometido e anunciado, o Volcom Fiji Pro não perdeu tempo em começar e arrancou em grande estilo em Cloudbreak com ondas pesadas, redondas e muita água a mexer. Tiago Pires fez uma das melhores notas do dia mas ficou a precisar de uma segunda nota para avançar para a terceira ronda.

É um reefbreak, sim, e uma das melhores ondas do Mundo, oferecendo aqueles que podem ser os melhores e mais compridos tubos da vida de qualquer surfista. Contudo, alguém se esqueceu de escrever na nota de apresentação que Cloudbreak é também uma onda dificílima de ler e que faz mexer muita água, criando correntes que parecem rios. Junte-se a maré cheia e tem-se uma verdadeira roleta russa. Some-se o onshore que surgiu ao final do dia e a sorte torna-se um aspecto em questão.

Muitos podem ter suspeitado dos juízes que logo na segunda onda da prova não tiveram medo de largar um nove para uma belíssima onda do sul-africano Jordy Smith, contudo, os critérios de julgamento estiveram bem claros e definidos, no que foi um bom exemplo de julgamento - excepção feita ao heat de Kelly Slater: Coleborn venceu o heat, isso é um facto, mas a segunda onda boa de Kai Otton merecia mais, nota essa que lhe daria o segundo lugar que foi de Slater... Ainda assim, a primeira onda do onze vezes campeão mundial - tubaço para bottom para trancada para lá de vertical - podia ter entrado no campo do excelente. Opiniões. Continuando na nota negativa dos top seeds, Taj Burrow andou perdido (havia sempre um surfista por heat que se perdia...), Kerr rasgou o tornozelo na sua segunda onda (mas diz que vai surfar!), Michel Bourez não teve armas para Alejo Muniz (o que é algo surpreendente), Ace Buchan foi o surfista perdido da sua bateria e Gabriel Medina nem se viu, tal como Kolohe. E aproveitando a boleia da geração sub-18, o que dizer de John John que passa de um metro beachbreak no Rio para três plus reefbreak em Cloudbreak com igual serenidade? Sem dúvida o mais completos dos miúdos, quer no tubo, quer a preencher a parede.

Saltando para as notas positivas, Joel Parkinson e Mick Fanning estiveram irrepreensíveis, fazendo tubos, descobrindo ondas, exibindo experiência...e se é de experiência que se fala, o apelido Hobgood não pode deixar de ser referido. Damien e Cj, "OS" surfistas de qualquer esquerda tubular, mostraram o porquê da sua alta cotação, mesmo não fazendo highscores. É a atitude! Cuidado com eles. Para terminar, Jeremy mostrou que apesar de ser um menino no rail, é homem no tubo e voltou a olhar o touro nos olhos, despencando para o melhor tubo do dia, 9.83. Fossem todos os eventos em ondas pesadas e Jeremy e Kieren Perrow eram top 10.

Quanto ao Tigre, perdão, Tiago, demorou a pôr as garras de fora mas quando pôs foi a valer, lançando-se para uma onda que levou os comentadores do webcast Alex Gray e Dave Wassel - peritos em ondas e tubos grandes, muito experientes em Fiji - ao rubro. Se senhores que estão habituados a navegar por dentro das maiores cavernas do Mundo se levantam da cadeira devido ao entusiasmo pelo tubo do Saca, afirmando mesmo que vêm até Portugal para lhe apertar a mão, bom, está tudo dito. A onda era quadrada e Tiago saiu em pé, triunfante - até ser devorado por um lip fijiano. Infelizmente, na onda anterior, também de enorme qualidade, Owen Wright, o seu principal adversário na bateria, reforçava a sua liderança e afastava o português do terceiro round. O surfista da Ericeira vai agora surfar contra o americano Kolohe Andino no heat 9. Dizem as más línguas que Dino, Mike e Kolohe estão já a reservar os bilhetes de regresso à Califórnia..."

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