19/06/2012

A lição do McCoy

   O SAL deixou-me a pensar no acto de surfar. Não só por causa dos filmes a que pude assistir mas também graças a algumas pessoas que pude conhecer e que não sei se conheceria de outra forma, como o realizador havaiano Jack McCoy. O Jack, das várias vezes que o pude ouvir, fosse no palco do SAL ou noutras ocasiões, realçava sempre a importância de nos divertimos no Mar, "to have fun in the ocean", seja de que forma for, com uma shortboard, longboard, bodyboard ou em bodysurf. Isto deixou-me a pensar nas vezes em que mais me diverti dentro de água. Sendo que é uma missão utópica lembrar-me de todas elas, não pude deixar de me recordar de uma em particular, provavelmente influenciado pelos filmes que passaram no SAL e que têm como assunto (central ou não) o bodysurf.
   Em Setembro do ano passado tive a oportunidade de viajar para a Ilha de São Miguel nos Açores para fazer o webcast em português do evento Billabong Azores Islands Pro e como é natural, levei prancha. Por diversas circunstâncias logísticas não a pude meter dentro de água. Ainda nesta viagem aos Açores pude passar algum tempo com o David Prescott, o conhecido comentador de eventos de surf carcavelense. O David pode ter vindo ao Mundo numa embalagem pequena mas a verdade é que a quantidade de histórias que já viveu extrapola substancialmente a sua figura física, isto para além do coração enorme que tem. Ao contrário de mim, o David não tinha levado prancha para os Açores, apenas uma handplane que muita alegremente exibia orgulhoso a cada oportunidade oferecida. Num dos vários dias do período de espera, apesar do offshore e swell presente, a maré cheia tinha impossibilitado o surf na praia de Santa Bárbara, palco da prova, e sabendo que só quando a maré estivesse já bem recuada é que a prova seria retomada, o David decidiu ir surfar. A caminho descobriu um Diogo num estado avançado de aborrecimento, farto do seu computador e com o trabalho em dia. O David perguntou-me se queria ir surfar, ao que eu respondi que não havia ondas, não tinha prancha e estava a chover. Sem perder o ânimo, o David mostrou a handplane e barbatanas, apontou para a maré em movimento e disse que em poucos minutos haveria mar a mexer que não seria o suficiente para a prova entrar na água mas que o seria para um bodysurf. Eu confesso que o bodysurf sempre me causou algum receio. Sinto-me um bocado desprotegido e aquela cena de ser esmagado por ondas à beira-mar, bom, nunca foi a minha especialidade e era a isto que eu o reduzia. Apesar disso, os meus olhos lá ganharam uma corzinha, vesti o "spring suit" novinho da Rip Curl e fui para dentro de água. Lembro-me que quando estávamos a passar pela estrutura do evento, várias pessoas olhavam para nós com um ar curioso.
  As ondas à nossa disposição eram o suficiente para o bodysurf e estavam longe do esmagamento à beira-mar a que estava habituado. Com a sua handplane, barbatanas e mais experiência que eu, o Prescott lá apanhou várias ondas onde deslizou longamente. Já eu, pela primeira vez a surfar no mar açoreano, ia tentando descobrir como é que a coisa se processava. A primeira coisa que percebi foi que a handplane não é obrigatória mas que as barbatanas o são. A segunda foi que me estava a divertir para caraças, a rir e a partilhar ondas de uma forma nova mas também ela recompensante. Estava a divertir-me bastante.
   Achei engraçado ter sido reencaminhado pela minha consciência a esta memória quando pensei nas minhas surfadas mais divertidas e tive que dar razão ao McCoy. Seja de que forma for, o importante é divertir-mo-nos e apesar de o "shortboard" continuar a ser a minha principal fonte de felicidade na água, não mais rejeitarei as outras. Quero ser um surfista como o Jack McCoy os define, "alguém que se diverte no mar seja com que objecto (ou sem ele) for".

15/06/2012

Com SAL nos olhos


Saibam mais aqui.

Volcom Fiji Pro - dia 5 e último

"Kelly Slater venceu o Volcom Fiji Pro, a quarta etapa do World Tour que decorreu até Domingo nas ondas de Cloudbreak e Restaurantes no paraíso exótico das Ilhas Fiji. Depois de vários dias de drops críticos, tubos intensos e manobras poderosas, foi o actual campeão do Mundo que venceu este evento, derrotando na final o prodígio brasileiro Gabriel Medina, vinte e dois anos mais novo que ele. No evento que marca o regresso do Tour às Fiji e a entrada da Volcom no principal circuito da ASP, o "Rei" regressou às vitórias no Tour, a sua 49ª.

Desde o início da prova que tudo apontava para a vitória do "careca do espaço", como o surfista e comentador brasileiro Marcos Sifu lhe chavama na transmissão brasileira. Do round 3 para frente, Slater não fez um único heat com um total de duas ondas inferior a 18 pontos. Pelo caminho, fez duas notas 10. Não eram só os tubos impossivelmente surfados, eram também as manobras power que fazia de forma bem apertada no "pocket" das ondas, a alta velocidade, muitos furos acima do qualquer um dos outros surfistas em prova. Slater não estava apenas a derrotar os seus adversários, estava a arrasá-los, a deixá-los sem hipóteses de resposta, um "knockout" doloroso e agoniante do qual ninguém escapou." 

Continua a ler aqui.

Volcom Fiji Pro - dia 4

"Num dia curto e com um swell em queda em Cloudbreak, foi o coolie kid Mick Fanning, mais conhecido pelo seu surf de frontside, que se destacou, sobretudo ao eliminar o havaiano John John Florence no round 5 do Volcom Fiji Pro."

 Com uma ondulação a desvancer-se e outra a chegar no dia seguinte (hoje), só ao fim de várias chamadas longas é que foi decidido que se lançaria a quinta ronda para a água. Com poucas ondas boas e num lineup difícil de ler, a experiência e a sorte entraram em jogo, bem como as manobras fortes após os tubos que surgiam."

Continua a ler aqui.

Volcom Fiji Pro - dia 3

"Depois de um dia espectacular em Cloudbreak com condições épicas, a competição da ASP que decorreu em Restaurants quase pecou por falta de entusiasmo, não fossem as prestações de Kelly Slater, John John e Owen Wright alegrar o dia. Em Restaurants, o Volcom Fiji Pro chegou ao round 5.

 Com Cloudbreak a ressacar do dia de ontem (ver link) e com um vento a arrasar as ondas, não demorou que a competição fosse lançada para a água. Ainda com a imagem das ondas incríveis do dia anterior, as ondas de Restaurants, 4 a 6 pés a rolar de forma perfeita na bancada, quase pareciam aborrecidas...mas o dia não tardou a espevitar com a prestação de John John Florence, logo no segundo heat da terceira ronda. O sentido do tubo deste jovem havaiano é assomborso - sim, nós sabemos que este discurso soa a repetitivo - e é notável como ele olha para as ondas, sejam elas de areia ou de coral. Com a maior naturalidade, encaixou um floater de backside, aterrando de costas e recuperando sem esforço, à John John. O "herdeiro de Andy Irons" como se ia dizendo no webcast..

 Depois do havaiano e mesmo com prestações agradáveis de Gabriel Medina e Joel Parkinson, só se voltou a ver tubos surfados - não feitos - com Kelly Slater. Se John John encara os tubos com naturalidade, não mostrando esforço ou trabalho, Kelly revela o que anos e anos a surfar tubos de backside fazem à técnica de os fazer. Secções impossíveis quebravam na sua frente e Slater limitava-se a ajeitar a trajectória, naturalmente... Dois heats depois, Owen Wright, foi o primeiro a abrir os tubos de luxo de frontside, fazendo o impossível. A seguir a Owen, C.J. e Jordy travaram uma batalha que fica para a história. C.J saiu por cima, é o que dá vários anos a surfar lá, enquanto Jordy mostrou que a sua técnica em tubos para a esquerda tem vindo a melhorar. Destaque imenso para a nota 10 de C.J., uma das maiores ondas do dia, um tubo longo e surfado no limite, com um floater assassino de joelhos para terminar..."

Continua a ler aqui.

06/06/2012

A frustração de Kolohe Andino

"13º, 25º, 13º, 25º. Em palavras, penúltimo, último, penúltimo e último. São estes os resultados no World Tour, até ao momento, do prodígio americano Kolohe Andino, 18 anos. É fácil verificar que não tem sido fácil a vida d "Brother" no seu primeiro ano no Tour. No Volcom Fiji Pro, evento do World Tour que ainda está a decorrer, foi o português Tiago Pires que o mandou mais cedo para a Califórnia, acrescentando o último 25º na sua linha de resultados.

 No final do heat entre ambos no round 2, viu-se o californiano a ter uma explosão de raiva e frustração, consigo mesmo, que se revelou em vários murros na água e na prancha, partindo mesmo esta com um pontapé. Terá sido o culminar de um burbilhar de sentimentos negativos que navegam no seu estômago adolescente, potenciados pelos sucessos dos seus colegas e amigos, também adolescentes, John John Florence e Gabriel Medina. Enquanto estes vão espantando o Mundo e aterrorizando os seus colegas de Tour, Andino não tem sido mais do que uma nota ao longo do ano e ele sabe disso."

 Continua a ler, aqui.

04/06/2012

Volcom Fiji Pro - dia 2

"Com a força do swell do primeiro dia a desvanecer-se, o mar do segundo dia do Volcom Fiji Pro, quarta etapa do World Tour, apresentou-se bem mais calmo e perfeito, embora com menos e menos tubos no decorrer do dia. Se no primeiro dia a sorte foi um factor, no segundo, venceu mesmo o melhor surf e os top seed foram quem o fez.

 O dia começou com dois Slaters dentro de água, o verdadeiro e o Fijiano. O campeão mundial respeitou o adversário mas não fez caso dele, mostrando a técnica de tubos de backside que, basicamente, inventou. Caso arrumado. A electricidade só voltou à água com Julian Wilson que novamente mostrou não ser apenas um homem de manobras, navegando em tubos simpáticos até para o surfista comum. Pat Gudauskas, o seu adversário, fazia de tudo para se elevar ao estatuto do "Nike Boy", incluindo uns drops e tentativas de manobras a roçar o suicida mas a única coisa que ganhou foi pedaços de coral na pele.. Gabriel Medina fez o impossível ao sair de um tubo que enganou até os operadores de câmara - tal como Owen em Portugal em 2009 - para a primeira nota 10 e o seu amigo Miguel Pupo, no heat seguinte, despachou Matt Wilkinson. Diz que Maresias é uma boa escola de tubos... Logo a seguir, Kieren Perrow e Adrian Buchan travaram uma batalha até aos últimos segundos com o actual Pipemaster - KP - a sair derrotado naquele que é, sem dúvida, um "upset".

 Chegava então o momento de Tiago Pires, mais do que respeitado surfista de tubos no WT, enfrentar a sensação americana Kolohe Andino. Depois de um heat repleto de boas ondas como o anterior, era isso que se esperava para o heat do português mas foi o oposto que sucedeu, levando quase a um segundo reínicio da bateria. A experiência do Saca levou a melhor e percebendo que o mar não dava mais tubos, arrancou par aondas que davam manobras e começou a colocar notas no painel, não dando hipóteses ao Kolohe que muito se esforçava e pouco fazia. No fim de contas, Pires avançava, Kolohe perdia novamente no round 2 e contabilizava uma prancha partida...por ele, após uma incrível sequência de murraças que fariam George Foreman tremer. Andino terminou o round de boxe com um pontapé para partir o nose e lágrimas no canal. A vida no Tour não é para todos, Brother.

 As previsões dizem que o mar vai acalmar nos próximos dias pelo que a competição só voltará no final da semana. Contudo, fica com atenção a quinta-feira pois o swell que se avizinha poderá trazer ondas gigiantes e os melhores do mundo nisto - incluindo Kelly Slater com as suas 8 pés - estão lá à espera." 

Leiam o resto, aqui.

03/06/2012

Volcom Fiji Pro - dia 1

"Tal como prometido e anunciado, o Volcom Fiji Pro não perdeu tempo em começar e arrancou em grande estilo em Cloudbreak com ondas pesadas, redondas e muita água a mexer. Tiago Pires fez uma das melhores notas do dia mas ficou a precisar de uma segunda nota para avançar para a terceira ronda.

É um reefbreak, sim, e uma das melhores ondas do Mundo, oferecendo aqueles que podem ser os melhores e mais compridos tubos da vida de qualquer surfista. Contudo, alguém se esqueceu de escrever na nota de apresentação que Cloudbreak é também uma onda dificílima de ler e que faz mexer muita água, criando correntes que parecem rios. Junte-se a maré cheia e tem-se uma verdadeira roleta russa. Some-se o onshore que surgiu ao final do dia e a sorte torna-se um aspecto em questão.

Muitos podem ter suspeitado dos juízes que logo na segunda onda da prova não tiveram medo de largar um nove para uma belíssima onda do sul-africano Jordy Smith, contudo, os critérios de julgamento estiveram bem claros e definidos, no que foi um bom exemplo de julgamento - excepção feita ao heat de Kelly Slater: Coleborn venceu o heat, isso é um facto, mas a segunda onda boa de Kai Otton merecia mais, nota essa que lhe daria o segundo lugar que foi de Slater... Ainda assim, a primeira onda do onze vezes campeão mundial - tubaço para bottom para trancada para lá de vertical - podia ter entrado no campo do excelente. Opiniões. Continuando na nota negativa dos top seeds, Taj Burrow andou perdido (havia sempre um surfista por heat que se perdia...), Kerr rasgou o tornozelo na sua segunda onda (mas diz que vai surfar!), Michel Bourez não teve armas para Alejo Muniz (o que é algo surpreendente), Ace Buchan foi o surfista perdido da sua bateria e Gabriel Medina nem se viu, tal como Kolohe. E aproveitando a boleia da geração sub-18, o que dizer de John John que passa de um metro beachbreak no Rio para três plus reefbreak em Cloudbreak com igual serenidade? Sem dúvida o mais completos dos miúdos, quer no tubo, quer a preencher a parede.

Saltando para as notas positivas, Joel Parkinson e Mick Fanning estiveram irrepreensíveis, fazendo tubos, descobrindo ondas, exibindo experiência...e se é de experiência que se fala, o apelido Hobgood não pode deixar de ser referido. Damien e Cj, "OS" surfistas de qualquer esquerda tubular, mostraram o porquê da sua alta cotação, mesmo não fazendo highscores. É a atitude! Cuidado com eles. Para terminar, Jeremy mostrou que apesar de ser um menino no rail, é homem no tubo e voltou a olhar o touro nos olhos, despencando para o melhor tubo do dia, 9.83. Fossem todos os eventos em ondas pesadas e Jeremy e Kieren Perrow eram top 10.

Quanto ao Tigre, perdão, Tiago, demorou a pôr as garras de fora mas quando pôs foi a valer, lançando-se para uma onda que levou os comentadores do webcast Alex Gray e Dave Wassel - peritos em ondas e tubos grandes, muito experientes em Fiji - ao rubro. Se senhores que estão habituados a navegar por dentro das maiores cavernas do Mundo se levantam da cadeira devido ao entusiasmo pelo tubo do Saca, afirmando mesmo que vêm até Portugal para lhe apertar a mão, bom, está tudo dito. A onda era quadrada e Tiago saiu em pé, triunfante - até ser devorado por um lip fijiano. Infelizmente, na onda anterior, também de enorme qualidade, Owen Wright, o seu principal adversário na bateria, reforçava a sua liderança e afastava o português do terceiro round. O surfista da Ericeira vai agora surfar contra o americano Kolohe Andino no heat 9. Dizem as más línguas que Dino, Mike e Kolohe estão já a reservar os bilhetes de regresso à Califórnia..."

Mais, aqui.

02/06/2012

Antevisão do Volcom Fiji Pro

"Está a chegar o evento que marca o regresso dos melhores do Mundo ao Dream Tour, o Volcom Fiji Pro. Aliás, está tão perto que é hoje o primeiro dia do período de espera desta prova que, ao que tudo indica, vai começar imediatamente e em excelentes condições de ondas. Em plena época de ondulações fortes no Pacífico, os palcos principais do Volcom Fiji Pro - as esquerdas de Cloudbreak e Restaurants - têm funcionado em plenos nas últimas semanas e são vários os surfistas do World Tour que há muito que estão a treinar naquele paraíso exótico. Esta etapa é unicamente masculina e não se realiza desde 2008, ainda enquando Globe Fiji Pro, evento que Kelly Slater - quem mais poderia ser? - ganhou (e onde Tiago Pires brilhou). Não vale nem sequer a pena referir quão contentes a ASP e surfistas estão por voltar às Fiji mas podemos dizer o que Joel Parkinson disse em entrevista no seu website: "É um evento que dá credibilidade ao Tour". Vamos então antever o que se vai passar até dia 15 de Junho....

Spot do evento? Cloudbreak. Restaurants é a onda de backup (e talvez o melhor backup do Mundo).

O que procuram os juízes? Tubos longos e profundos tanto quanto possível; carves críticos.

Horário? Mais onze horas que em Portugal Continental (21h portuguesas, 8h em Tavarua).

Quem vai estar em prova? Os 34 surfistas do World Tour mais dois wildcards (Mitch Coleborn e Isei Tokuvu).

Quem é o campeão em título? O evento não se realiza desde 2008...mas nesse ano, o vencedor foi nada mais nada menos que Kelly Slater. Rookies? Kolohe Andino, Yadin Nicol (Gabriel Medina, Miguel Pupo, John John Florence)."

Continuem a ler aqui.

Concordam comigo? Vá lá pessoal, vamos lá opinar!