27/02/2012

Partilha de uma dica no julgamento de surf

Antes de mais nada, uma "salvaguarda": embora tenha o curso de juiz de surf, nunca o pus em prática, ou seja, nunca fui juiz numa prova. Quando o tirei, na Federação Portuguesa de Surf (FPS), o meu objectivo era apenas aprender mais sobre surf e sobre o julgamento deste desporto. Assim, neste post, apenas partilho alguns dos ensinamentos e conselhos que me foram transmitidos pelos juízes e instrutores de créditos firmados no tal curso.

Há já uns tempos que tenho vindo a reparar numa tendência dos internautas dos campeonatos de surf. Naturalmente, sendo um desporto competitivo que se rege por notas - scores - a tendência de qualquer fã, eu incluído, é tentar desempenhar o papel de juiz de surf e avaliar as ondas que surfistas como Slater, Parko ou Taj fazem à nossa frente. Em nada difere de no futebol dizer "aquilo não era falta!" ou "eu tinha dado cartão vermelho ao Bruno Alves". O que me espanta é quando a nossa avaliação e julgamento entram num campo de uma minúcia que, na minha opinião, é quase impossível. Muitas vezes oiço e leio coisas do tipo "aquilo é um 6.83" ou "ele não saiu limpo do tubo, portanto é um 9.47, não um 10". Atenção, não condeno este tipo de afirmações, que às vezes também faço, apenas as acho algo irrealistas visto que muitas vezes os valores decimais são alcançados por causa da média, não por ser assim que o juiz avalia a nota. Embora, faça-se a ressalva, por vezes isto aconteça e já lá vamos.

Para começar, não é novidade que o julgamento se processa da seguinte forma: entre três a cinco juízes avaliam uma onda, escrevem a nota no papel ou cartão, e depois no dispositivo. A média aritmética é calculada pelo computador, saindo daí depois a nota final (em caso de cinco juízes, "riscam-se" a nota mais alta e baixa, fazendo-se a média aritmética das restantes).

Os conselhos que vos queria passar, tal como me foram passados a mim, são sobre o acto do julgar, ou seja, o momento em que o juiz, depois de ver a onda, pensa na nota. Verdade seja dita, cada juiz tem a sua forma de chegar à nota mas uma forma simples de organizar o pensamento é, antes de pensar nos valores absolutos, pensar no grupo em que a onda se encaixa. Vejam em baixo a escala usada pela FPS e ASP (WSL):

Má (Poor) - de 0,1 a 1,9
Fraca (Fair) - de 2 a 3,9
Média (Average) - de 4 a 5,9
Boa (Good) - de 6 a 7,9
Excelente (Excellent) - de 8 a 10

Ou seja, idealmente, o juiz, e vocês internautas, antes de lançar a nota, pensam no grupo onde ela se inclui: "Okay, vi a onda e acho que entrou no campo do excelente". Depois de ter escolhido o grupo, então sim o juiz (ou vocês), pensam numa nota. O que se passa depois, daquilo que me apercebi, depende de juiz para juiz. Uns preferem saltar de 0.5 em 0.5, outros não se importam de entrar pelos 0.2 ou 0.3.

Aquilo que eu tento fazer quando olho para as ondas num campeonato é tentar seguir um sentido piramidal. Portanto, idealmente, penso no grupo em primeiro lugar. Depois, tento pensar onde a nota se enquadra nesse grupo e por aí adiante até chegar ao valor final. Vamos a um exemplo:

"Okay, eu acho que aquela onda foi Boa (Good). Agora, foi mais próxima do Média ou Excelente? Do Excelente. Então, já sei que o score vai ter de ser acima do 7. Foi mesmo perto do excelente? Então vamos chutar a nota para cima, 7.5."

Agora imagine-se dois surfistas, A e B. O A apanhou uma onda e teve um score de 7.5. O B acaba de fazer uma onda. Ambos os surfistas surfaram a suas ondas onda de forma similiar, usando o mesmo tipo de manobras nas mesmas secções, contudo, o surfista B arriscou menos e na primeira secção, onde o A pôs as quilhas de fora, o B apenas deu com o tail. A minha leitura, enquanto mero fã, seria que o B teria uma nota inferior. Apenas 7 pontos, por exemplo.

Foi aqui que surfistas como Dane Reynolds forçaram a ASP (WSL) a actualizar o critério de julgamento, obrigando os juízes a soltar as notas para apenas uma ou duas manobras. O surfista C fez uma onda com várias manobras, bem executadas, nas secções correctas e ligadas entre si, embora sem risco. Teve um 6.5. O surfista D fez apenas duas manobras mas a primeira, na primeira secção, foi uma manobra arriscada, inovadora e criativa. A seguir, fez uma manobra "normal" e bem executada. Teve um 7.5.

Atenção! Em cada dia de competição, logo no primeiro heat, é definida a "onda-padrão", uma onda que vai orientar o julgamento até que o Chefe de Juízes, seja porque motivo for (normalmente condições do mar), entenda que deva ser alterada. Imagine-se um dia em Teahupoo com um swell a cair a grande velocidade e que começa com tubos de 4 a 6 pés mas que com o avançar do dia se transforme em paredes de 2 e 3 pés. Não pode ter a mesma "onda-padrão", não concordam?

Espero ter ajudado a melhorar as vossas análises e, se por acaso houver aí algum juíz que encontre um erro ou queira dar uma opinião, é muito bem-vindo.

Mais uma ressalvas. Há mais alguns pormenores e detalhes no julgamento (por exemplo a importância da memória e de memorizar as ondas que cada surfista faz ao longo da bateria - ainda que os juízes tenham acesso aos replays) que, para facilitar a explicação, não expus aqui. São, na minha opinião, pormenores que apenas interessam a quem julga profissionalmente mas que vocês podem encontrar no livro de regras das ASP. Não se esqueçam que os juízes são profissionais e passam por todo este processo em segundos, pelo que é perfeitamente normal demorarmos mais tempo que eles a dar as notas. Atenção, a maior ou menor velocidade a que um juiz dá a nota não significa que ele é melhor ou pior juiz.

24/02/2012

Antevisão do Quik Pro Gold Coast

"Spot do evento? Snapper Rocks é o principal, Duranbah e Kirra são os backups.

Quem vai estar em prova? Os 34 melhores e as 18 melhores surfistas do Mundo, mais um wildcard (Dane Reynolds) e os vencedores dos Moskova Trials (Garrett Parkes e Philippa Anderson).

Quem são os campeões em título? Kelly Slater e Carissa Moore.

Rookies? Kolohe Andino, Yadin Nicol, Malia Manuel, Lakey Peterson, Sage Erickson, Justine Dupont. 

Locais de Snappers no Tour: Mick Fanning, Joel Parkinson, Josh Kerr, Stephanie Gilmore.

Quem está em altas? Julian Wilson, Joel Parkinson, John Florence, Sally Fitzgibbons.

Quem precisa de um resultado? Mick Fanning, Bede Durbidge, Jordy Smith, Adriano de Souza, Stephanie Gilmore.

Apostas seguras: Owen Wright, Sally Fitzgibbons.

Quem pode surpreender? Julian Wilson, John Florence, Yadin Nicol, Kolohe Andino, Dane Reynolds, Lakey Peterson, Malia Manuel.

Darkhorse? Brett Simpson, Alejo Muniz, Tyler Wright, Laura Enever.

Lesões (conhecidas)? Dusty Payne."

E leiam mais aqui. E quero saber, concordam?

21/02/2012

Excepção musical

Eu não costumo postar aqui músicas mas esta, nova, obrigou-me a abrir os horizontes aqui do blog. Uma fuga ao surf, de vez em quando, não faz mal nenhum..