11/12/2011

Kieren Pipeline

Terminou a época ASP, Kieren Perrow é o último vencedor de 2011. Parece mentira? Pois olhem que é bem verdade. John John deixa a Triple Crown em casa ao vencer a muito desejada coroa. Que ano!

Foi um campeonato de extremos, literalmente. Pipeline gigante, o mais baixo score vencedor de sempre. Kieren Perrow, John John. Gabriel Medina, Evan Valiere. 15 pés, 8 pés. Tubos do tamanho de um camião, closeouts do tamanho de outro camião. A sério, foi puro entretenimento.

Como dizia o Júlio Adler, nosso cronista, no Twitter, "ontem KP lutava pela permanência no Tour, hoje torna-se Pipeline Master". E é justo, verdade seja dita. Antes de mais nada, Perrow é um sujeito que construiu a sua carreira a fazer exactamente aquilo que fez em Pipeline (embora noutras ondas do Mundo, com destaque para a vizinha Off The Wall), atirar-se para dentro de tubos cujo lip caía que nem a guilhotina que um dia separou a cabeça do corpo de Maria Atonieta. Para além disso, nesta edição do Billabong Pipeline Masters In Honor Of Andy Irons, o local de Byron Bay foi responsável por duas das dez melhores notas do evento (10 e 9.83) e por dois dos dez melhores scores totais (18.73 e 17.23). Mas Perrow é também exemplar noutras coisa, táctica, gestão de heat. E em Pipe, fez isso também, roubando a Parko, novamente, a hipótese de homenagear o seu bom amigo falecido Andy Irons, no sítio onde este foi maravilhoso. Assim conseguiu a sua primeira vitória no Tour, um ano depois de ter feito a final em Pipe e perdido para Jeremy Flores. E quão bonito foi, tão inesperado, emocional, por parte do frio australiano? Saiu da água a chorar, a gritar, a correr para os braços da sua mulher e filhos... Kieren Perrow, esse frio competidor.

E onde estão Joel Parkinson, John John, Kelly Slater, Gabriel Medina, os outros, no meio do show de Perrow?

Parko foi surfando, fazendo os bottons turns sem mãos com mais estilo do evento, fazendo bons tubos, provando que ainda está pronto para as curvas, com Luke Egan e tudo.
John John foi príncipe, sem dúvida alguma que será ele o rei de Pipe e o seu primeiro 10, no segundo dia de prova, continua a ser a onda mais bem lida e surfada de toda a prova. A Triple Crown nos seus braços é bem merecida.
Kelly Slater, que só fez dois bons heats em toda a prova, perdeu para Parko nas meias, como perdeu para outros este ano: ao não fazer a primeira onda, ao não impôr o ritmo do heat como ele bem gosta. O seu tubo de backside, devia ter sido 10. 
Gabriel Medina não foi espectacular, não. E mesmo assim, ficou em 5º lugar. Tal como Kolohe, mostrou que não é Pipe assustador que vai barrar o seu caminho para o sucesso. Se duvidavam que ele era capaz de botar para baixo, revejam os seus heats.
Bourez quase que foi relevante, quando por breves momentos pareceu que podia roubar a Triple Crown a John ao quadrado.
J.O.B e Evan Valiere, os locais sem nada a perder, não conseguiram capitalizar o seu conhecimento local num mar que nem sempre é constante. Uma coisa é ter meia hora à escolha, outra é ter 30 minutos sujeitos a uma sequência de prova.

Pipe.

Entretanto, a ASP, estará neste mesmo momento em que este texto está a ser lido (e escrito), em plena introspecção. Foi um ano rico em coisas boas...e más. A ASP, com a saída de Brodie Carr, encerra um capítulo na sua história. Vamos ver como será o próximo capítulo..teremos novidades em breve.

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