29/12/2011

E não é que o Bobby venceu esta batalha? (Será que vencerá a guerra?)

A pedido de algumas famílias, vamos lá abordar esta questão.

Antes de mais nada, para aqueles que não saibam do que se vai falar, sugiro que leiam isto. Depois, vamos começar por dizer que o Bobby Martinez, e um punhado de outros surfistas do World Tour que preferiram não revelar-se, foram os vencedores desta batalha. Aquando da sua explosão em NY, Bobby dizia ao Mundo, entre fucks e bullshits, que a rotação a meio do ano era...a fucking bullshit. Uns meses depois, há uns dias, no comunicado da ASP, é dito que os surfistas, entenda-se aqui já todos os surfistas, quiseram a desactivação da rotação a meio do ano. A ASP, provavelmente pressionada pelos surfistas e talvez preocupada com a possibilidade de um boicote geral (NBA, alguém?), aceita a decisão dos surfistas e é obrigada a aceitar a decisão. Repare-se que em nenhum momento do comunicado a ASP reconhece que a rotação é um erro e, na verdade, embora subtilmente, continua a defender que a rotação era algo que  desejava. Assim sendo, e vamos nós aqui supor, foi pressionada pelos surfistas mas, naturalmente, não pode dizer isto ao Mundo e afirma, então, que o motivo para a desactivação são "susceptibilidades do calendário". "Para quando calendarizamos a rotação?", "Como garantimos que há oportunidades justas e correctas em cada rotação para que os surfistas se qualifiquem?", são algumas questões que a ASP se perguntou na altura da decisão e que levara à desactivação da rotação.

Antes de mais nada, isto é, usando as palavras do Bobby, bullshit. A verdade é que já em 2011 a ASP não garantiu "oportunidades justas e correctas em cada rotação para que os surfistas se qualifiquem". Diferenças no número de Primes e Star antes e depois da rotação, períodos de tempo diferentes, número de etapas do WT... Não é difícil ver que a desculpa da ASP é frágil, irrealista e reflecte a situação peculiar da Associação. Isto por um lado. Por outro, e talvez aqui seja a boa notícia, como o Bobby referiu hoje à ESPN, isto pode significar que o "poder" regressou às mãos dos surfistas. Talvez isto seja bullshit também.

O que nos resta? Pouco ou quase nada para dizer a verdade. É como aquelas cenas dos filmes policiais em que temos a certeza que está uma figura atrás do nevoeiro denso mas quando o protagonista a vai agarrar, sente o ar passar-lhe entre os dedos.

E agora? E qual a vossa opinião sobre a desactivação? Conspiração à parte, é uma decisão correcta por parte dos surfistas ou não? Tinha o Bobby razão..ou não?

Ke11y x Go Pro HD Hero2

22/12/2011

Deixem o Dane em paz, pá.

Eu já não pensava escrever nada antes do Natal, daí até ter publicado o maravilhoso vídeo em baixo. Mas não resisti e, para falar a verdade, nem tentei muito resistir.

Esta pausa, como devem já ter suposto pelo título, é sobre o Dane e isto que ele escreveu há uns dias atrás. Primeiro, eu achei brutal o que ele escreveu. Para dizer a verdade, achei das coisas mais bonitas que o surf profissional viu nos últimos tempos. Poucas vezes tivemos oportunidade de entender tão bem aquilo que vai na cabeça de um surfista profissional, mais ainda sendo este um surfista do WT e um dos melhores de sempre. A verdade é que o Dane é um tipo completamente normal. Gosta de surfar, fazer pinturas a lápis, tocar música e ter aulas de piano com uma senhora de 70 anos. Eu gosto de surfar, escrever, comer e contar piadas. Tu, vocês, hão de gostar de fazer as coisas de que gostam de fazer. Acho que o Dane ser um tipo normal é a principal conclusão que podemos tirar do que ele escreveu. Segundo, temos o direito a ser felizes, certo? E muita da nossa felicidade passa por fazer aquilo que bom..nos faz feliz, aquilo que gostamos de fazer. Nem sempre dá, é verdade, e muitas pessoas não tiveram a sorte ou oportunidade para fazer profissionalmente essas coisas que os fazem feliz. Não é o caso do Dane. Ele adora surfar e agradece a todos, no texto, o facto de poder ter o surf como profissão. Mas a verdade é que embora tivesse o surf como profissão, fazê-lo em competição, não era o que o fazia feliz. Pelo menos, fazê-lo a tempo inteiro, não é o que o faz feliz. E visto que todos temos o direito universal à felicidade, ele tem todo o direito a não o querer fazer - mesmo tendo um talento brutal que o faz ser mesmo um dos melhores surfistas do Mundo. Mas tal como ele tem direito a não querer competir, a Quiksilver e todos os seus outros patrocinadores têm o direito a não o querer patrocinar por causa disso. Felizmente para eles - e até certa medida, para nós - não é o caso e o Dane está e vai continuar muito bem patrocinado. Agora, se ele pode finalmente fazer aquilo que o faz feliz e aqueles que à partida o podiam "impedir" ou "dificultar" de fazer isso, não o fazem, quem somos nós para dizer que isto está errado?? Quem somos nós para comparar o suposto contrato milionário às pessoas que se calhar não têm dinheiro para pôr jantar na mesa ao jantar? Quem somos nós para querer que o Dane não seja feliz? Quem somos nós para dizer que a Quiksilver, Vans e Channel Islands estão a tomar decisões erradas? Estas perguntas todas vêm como resposta directa àquilo que o Jake Howard escreveu na ESPN. Quem é que o Howard se acha para poder dizer isto e para achar que é o detentor da verdade absoluta e dar como título à enorme bestialidade que é aquele texto "Descodificando o que o Dane disse"? E não, eu não estou a dizer que o Dane está certo. Estou a dizer apenas que ele e a Quiksilver têm direito a fazer aquilo que querem sem ser questionados por pessoas a quem, manifestamente, não devem nada. Sinceramente, começo a odiar cada vez mais a classe de blogger à qual pertenço. Claro que não sou um Blasphemy Rottmouth ou um Rusty Steele ou um Lewis Samuels que brincam e gozam e opinam com a vida das pessoas, dos surfistas, sem piedade. Mas também tenho a minha - pequena, espero - quota parte de culpa. E, verdade seja dita, se o Howard não é ninguém e escreve na ESPN, muito menos sou eu. Mas se ele tem direito a escrever, também eu tenho e vocês também, nos comentários. Claro que a profissão do Dane acarreta obrigações e ele, muitas vezes e sobretudo ao logo deste ano, falhou em cumpri-las. Ele não é um santo, longe disso. Mas a verdade, novamente, é que ele tem direito a fazer o que o faz feliz. E a Quiksilver tem o direito a largá-lo - o que não fez. E a ASP tem o direito a multá-lo - o que fez. Agora, nem o Jake Howard, nem o Chris Mauro, têm direito a dirigir-se assim a alguém. Não nos podemos esquecer que apesar de serem estrelas do desporto, do Mundo, são pessoas! Mais ainda sendo eles jornalistas, com responsabilidade éticas e morais que os deviam proibir de fazer isso, usando ainda por cima a plataforma onde trabalham como meio de veiculação da sua opinião, mensagem e, parece-me a mim, auto-promoção. Por isso, deixam o Dane fazer aquilo que lhe bem apetecer e lidar com as consequências disso. Ele é livre para o fazer. Deixem o gajo em paz.

E Sr. Howard, o Dane é um fora de série. Ousar dizer que ele daqui a uns tempos está esquecido porque saiu do Tour e por causa da emergência de estrelas como o Gabriel Medina ou o Kolohe Andino, revela uma "curteza" de espírito inqualificável. Ele é um talento comparável apenas a Slater, Curren, Occy. Porventura a carreira destes últimos dois - ou de Slater quando se ausentou do Tour - terminou por terem saído da alçada da ASP?! E o talento de um Jamie O'Brien, Wade Goodall, Clay Marzo? Precisam da ASP para alguma coisa hoje em dia? Deixem o Dane em paz, pá.

Feliz Natal, malta



Via o caro companheiro de ondas, Pedro do Arcádia.

20/12/2011

Dane fala

Aqui, no seu site. E ele não gosta mesmo do Chris Mauro, hein? Será que gosta de Portugal? É que afinal o evento de Peniche é da Rip Curl... Isto é tudo muito confuso. Mas vale a pena ler.

19/12/2011

Este homem fez a carreira graças a duas ondas

..facto que se calhar muita gente desconhecia. Vejam-nas (ou revejam-nas), no brilhante vídeo em baixo. Vale cada segundo. E sim, as comparações com o Andy Irons são bem justificadas. Laurie Towner.

Kolohe x Trestles

12/12/2011

Curioso

Não deixa de ser curioso referir que em nenhum momento do press release da ASP (link em baixo) é dito se o "novo" top 34 será o da primeira metade do ano ou de todo o ano, revelando este facto que podem estar em curso mudanças estruturais no Tour. 

Entretanto, fica também
 garantido que o Dane Reynolds, não estará no Tour em 2012, confirmando a especulação de que estava mesmo de saída da elite do surf mundial. Faltava garantir que este não tinha pedido um "wildcard por lesão" e a própria associação já o confirmou na sua página do Facebook.

http://www.aspworldtour.com/2011/12/12/asp-top-34-determined-for-2012/

3 anos

O blog fez três anos no dia 9 e eu não disse nada. Perdoa-me pequeno espaço na Internet. Obrigado a todos os que passam por cá, tem sido um prazer e que venham mais três, no mínimo. Vocês é que tornam isto possível. Obrigado.

Diogo aqui do blog

11/12/2011

Kieren Pipeline

Terminou a época ASP, Kieren Perrow é o último vencedor de 2011. Parece mentira? Pois olhem que é bem verdade. John John deixa a Triple Crown em casa ao vencer a muito desejada coroa. Que ano!

Foi um campeonato de extremos, literalmente. Pipeline gigante, o mais baixo score vencedor de sempre. Kieren Perrow, John John. Gabriel Medina, Evan Valiere. 15 pés, 8 pés. Tubos do tamanho de um camião, closeouts do tamanho de outro camião. A sério, foi puro entretenimento.

Como dizia o Júlio Adler, nosso cronista, no Twitter, "ontem KP lutava pela permanência no Tour, hoje torna-se Pipeline Master". E é justo, verdade seja dita. Antes de mais nada, Perrow é um sujeito que construiu a sua carreira a fazer exactamente aquilo que fez em Pipeline (embora noutras ondas do Mundo, com destaque para a vizinha Off The Wall), atirar-se para dentro de tubos cujo lip caía que nem a guilhotina que um dia separou a cabeça do corpo de Maria Atonieta. Para além disso, nesta edição do Billabong Pipeline Masters In Honor Of Andy Irons, o local de Byron Bay foi responsável por duas das dez melhores notas do evento (10 e 9.83) e por dois dos dez melhores scores totais (18.73 e 17.23). Mas Perrow é também exemplar noutras coisa, táctica, gestão de heat. E em Pipe, fez isso também, roubando a Parko, novamente, a hipótese de homenagear o seu bom amigo falecido Andy Irons, no sítio onde este foi maravilhoso. Assim conseguiu a sua primeira vitória no Tour, um ano depois de ter feito a final em Pipe e perdido para Jeremy Flores. E quão bonito foi, tão inesperado, emocional, por parte do frio australiano? Saiu da água a chorar, a gritar, a correr para os braços da sua mulher e filhos... Kieren Perrow, esse frio competidor.

E onde estão Joel Parkinson, John John, Kelly Slater, Gabriel Medina, os outros, no meio do show de Perrow?

Parko foi surfando, fazendo os bottons turns sem mãos com mais estilo do evento, fazendo bons tubos, provando que ainda está pronto para as curvas, com Luke Egan e tudo.
John John foi príncipe, sem dúvida alguma que será ele o rei de Pipe e o seu primeiro 10, no segundo dia de prova, continua a ser a onda mais bem lida e surfada de toda a prova. A Triple Crown nos seus braços é bem merecida.
Kelly Slater, que só fez dois bons heats em toda a prova, perdeu para Parko nas meias, como perdeu para outros este ano: ao não fazer a primeira onda, ao não impôr o ritmo do heat como ele bem gosta. O seu tubo de backside, devia ter sido 10. 
Gabriel Medina não foi espectacular, não. E mesmo assim, ficou em 5º lugar. Tal como Kolohe, mostrou que não é Pipe assustador que vai barrar o seu caminho para o sucesso. Se duvidavam que ele era capaz de botar para baixo, revejam os seus heats.
Bourez quase que foi relevante, quando por breves momentos pareceu que podia roubar a Triple Crown a John ao quadrado.
J.O.B e Evan Valiere, os locais sem nada a perder, não conseguiram capitalizar o seu conhecimento local num mar que nem sempre é constante. Uma coisa é ter meia hora à escolha, outra é ter 30 minutos sujeitos a uma sequência de prova.

Pipe.

Entretanto, a ASP, estará neste mesmo momento em que este texto está a ser lido (e escrito), em plena introspecção. Foi um ano rico em coisas boas...e más. A ASP, com a saída de Brodie Carr, encerra um capítulo na sua história. Vamos ver como será o próximo capítulo..teremos novidades em breve.