24/10/2011

De Adriano a Portugal

Para a galera.

No regresso do World Tour a Portugal, em 2009, surfistas e estrutura navegaram pela península de Peniche em busca do melhor que esta tinha oferecer. Depois de Belgas, Lagide e Supertubos (gigante e imperfeito), foi o australiano Mick Fanning quem saiu por cima. Logo aí, público português, surfista e não surfista, guardou um lugar especial no coração para o Coolie Kid, o vencedor, prestes a roubar o título a Joel Parkinson em Portugal! Mas nesse ano, as performances corajosas de Owen Wright, vencer o Kelly, fazer nota 10, quebrar o tímpano, valeram também ao então rookie um lugar no coração da Terrinha.
   Em 2010, com os Supertubos a darem alguns vislumbres daquilo que eram capazes mas com muitos heats ainda nos Belgas, foi Kelly Slater, Kellyinho, o vencedor da prova, mais ainda a caminho de um 10º título que em Portugal praticamente se assegurava. O floridiano que tem (ou devia ter) um lugar especial no coração de todos, ficou vincado no órgão vital dos portugueses. Quando o Kelly vence como venceu, o foco de luz fica só nele, nem houve espaço para mais.
   Chega o ano de 2011, onde guerras entre eventos de cidade e ondas de sonho são discutidos com espadas na mão, quando Mineiro vence no Rio e Gabriel Medina, rookie, chega ao Tour (e vence em França!), quando tudo indica que Slater se encaminha para um 11º título.
   Portugal e Brasil são povos irmãos. Nem sempre a relação foi fácil mas verdade seja dita, mande a pedra quem nunca teve uma discussão com seu irmão por causa de carrinho, sorvete ou atenção de mamãe. Como quaisquer irmãos, partilhamos coisas. A palavra “saudade”, a paixão e emoção, mulheres bonitas (Brasil com vantagem!), boa comida, amor ao futebol e a língua. Depois de 2011 e do Rip Curl Pro Portugal, partilhamos também o surf. Já não deve ser novidade que Adriano de Souza venceu em Peniche, nos Supertubos, num dos melhores eventos de sempre, mesmo que gringos na Internet digam que a onda pareça um close-out, quando Adriano, Kelly, Taj e Julian, por exemplo, dizem que foram das melhores ondas onde já competiram. Mas ultrapassemos inveja de gringo e falemos de Adriano, “45% português, 55% brasileiro”, como o próprio se identificou. Mineiro não teve tarefa fácil. Vencer do Kelly é coisa de guerreiro e eu confesso, a praia estava na torcida pelo careca. Mas o moleque do Guarujá não fez caso disso e no seu jeito humilde, educado, gente fina, venceu Peniche, venceu Portugal. Em verdadeira loucura, Heitor, Gabriel, Alejo, Miguel, Brunin, gritando, chorando por Mineiro, foram buscá-lo à borda de água num momento que transbordou emoção suficiente para chegar ao Brasil, quanto mais a Lisboa. E quando finalmente Adriano pegou no microfone, logo em português, agradeceu a Peniche, aos locais, ao público, ao Perfeito, a todos. Lágrima no olho, bandeira do Brasil nas costas. Se português estava desconfiado, rapidamente se rendeu aos modos simpáticos de Mineiro. De seguida, num gesto genuíno de respeito e rivalidade, Adriano pediu desculpa por falar em inglês, dirigiu-se ao Kelly, fez vénia de joelhos e prestou homenagem ao seu ídolo. Perante gesto de tal tamanho, de tal fibra ética e moral, de tal grandeza, o público português delirou, bateu palmas, gritou – confesso que eu que estava na areia assistindo, também o fiz. Quando se afirmou “45% português”, já não era preciso nada e toda uma praia repleta de milhares de pessoas conquistada e por momentos de coração verde e amarelo, torcia pelo número 3 do Mundo. Mineiro venceu Portugal e conquistou os portugueses. E se me permitem a desconfiança, acho que já tem um grande lugar no coração de todos que o viram vencer. Parabéns Adriano, um abraço da terrinha do bacalhau. - Diogo Alpendre, português e agora um pouco brasileiro também.

Em baixo, o último vídeo do projecto do Mineirinho:

8 comentários:

Giovanni Mancuso disse...

#diogoalpendreverdeamarelo !!!!

Anónimo disse...

@juliosub: Belo texto Diogo! #diogoalpendreverdeamarelo 2!

Daniel C. Leite disse...

Grande post! Obrigado, irmão!

rocha disse...

Acabas-te de desiludir-me com essa do falamos a mesma língua, NÃO falamos e não escrevemos o mesmo, podemos ter uma origem comum mas PORTUGUÊS não é brasileiro. É só uma opinião.

P.S. As mulheres “tugas” tambem levam vantagem meu irmão ;)

NL disse...

Caro rocha,

Que raio de opinião é essa que tenta subverter factos adquiridos (ou fatos adquiridos, no novo acordo). Sabendo que todos os idiomas têm variantes, essa opinião é tão válida como afirmar que Camões nunca soube falar a língua portuguesa. Pode ser apenas uma opinião, mas se não assenta em comprovações e sofre de contradições, tal não abona muito a favor de quem a profere.

O brasileiro, tal como o alentejano, não é um idioma. Podemos falar no português do Alentejo ou no do Brasil, mas falamos em português - tal como Camões. Não tenha vergonha, caro rocha, crescer é aprender.

Quanto às mulheres, cada um com cada gosto. E eu adoro a minha "tuga"!!
Abraços e boas ondas.

Anónimo disse...

Bom post. Só não concordei com a parte das brasileiras serem mais bonitas e olha que eu já vivi no Brasil junto a uma praia que dizem que é a que tem mais gatas (e tem mesmo lol) Mas isto é opinião muito pessoal.
Quanto às questões linguísticas, acho que tendo em conta a nossa situação económica, quanto mais nos aproximarmos do Brasil melhor seja pela língua, pelo surf, ou por outra coisa qualquer.

Pedro Quadros disse...

Olá Diogo, muitos parabéns por este texto. Muito criativo. Grande abraço,

rocha disse...

É pá com essa dos idiomas é que lixaste toda a minha subversão linguística...

Devo ser algum purista ou algo assim, sempre aprendendo né...

Tudo de bom, e boas ondas ;)