30/10/2011

Saca 2º em Santa Cruz - Yeeeeew

"Tiago Pires deu hoje um gigantesco passo no sentido da continuidade no Tour em 2012. No Prime O'Neill Coldwater Classic Santa Cruz, Saca ficou num brilhante 2º lugar.

No início deste último dia de prova, Tiago estava no round 5 escalado para competir com o australiano Adam Melling. Com ambos à procura de pontos para permanecer no Tour em 2012, foi um heat em condições difíceis com ondas pequenas e algum onshore no spot alternativo de Wadell Creek. Tiago, conhecido pela sua determinação, não se deixou afectar e começou a bateria muito forte com um 7.17 ao qual mais tarde juntou um 4.33 e fez um total de 11.50 pontos, mais do que suficiente para derrotal o 6.24 do australiano. Estava a passagem aos quartos-de-final assegurada."

Continuem a ler, aqui.

Ainda Trestles

28/10/2011

Estilo e Perillo

Aprendam a lição, rapaziada.
- Rasgada de frontside.
- Não perde a compostura nos aéreos. Agarra a meio da subida, larga a meio da descida.
- Joelhos dobrados na medida certa com o de trás mais dobrado (à lá Parko, sendo que este ainda dobra o tornozelo).
- Wildcard em Porto Rico e agora San Fran.
- Rail a rail.
- Braços relaxados (embora não tão relaxados como o John John. Mas isso é quase demais).
- Dillon Perillo.
- Malibu. Da Cat.

24/10/2011

De Adriano a Portugal

Para a galera.

No regresso do World Tour a Portugal, em 2009, surfistas e estrutura navegaram pela península de Peniche em busca do melhor que esta tinha oferecer. Depois de Belgas, Lagide e Supertubos (gigante e imperfeito), foi o australiano Mick Fanning quem saiu por cima. Logo aí, público português, surfista e não surfista, guardou um lugar especial no coração para o Coolie Kid, o vencedor, prestes a roubar o título a Joel Parkinson em Portugal! Mas nesse ano, as performances corajosas de Owen Wright, vencer o Kelly, fazer nota 10, quebrar o tímpano, valeram também ao então rookie um lugar no coração da Terrinha.
   Em 2010, com os Supertubos a darem alguns vislumbres daquilo que eram capazes mas com muitos heats ainda nos Belgas, foi Kelly Slater, Kellyinho, o vencedor da prova, mais ainda a caminho de um 10º título que em Portugal praticamente se assegurava. O floridiano que tem (ou devia ter) um lugar especial no coração de todos, ficou vincado no órgão vital dos portugueses. Quando o Kelly vence como venceu, o foco de luz fica só nele, nem houve espaço para mais.
   Chega o ano de 2011, onde guerras entre eventos de cidade e ondas de sonho são discutidos com espadas na mão, quando Mineiro vence no Rio e Gabriel Medina, rookie, chega ao Tour (e vence em França!), quando tudo indica que Slater se encaminha para um 11º título.
   Portugal e Brasil são povos irmãos. Nem sempre a relação foi fácil mas verdade seja dita, mande a pedra quem nunca teve uma discussão com seu irmão por causa de carrinho, sorvete ou atenção de mamãe. Como quaisquer irmãos, partilhamos coisas. A palavra “saudade”, a paixão e emoção, mulheres bonitas (Brasil com vantagem!), boa comida, amor ao futebol e a língua. Depois de 2011 e do Rip Curl Pro Portugal, partilhamos também o surf. Já não deve ser novidade que Adriano de Souza venceu em Peniche, nos Supertubos, num dos melhores eventos de sempre, mesmo que gringos na Internet digam que a onda pareça um close-out, quando Adriano, Kelly, Taj e Julian, por exemplo, dizem que foram das melhores ondas onde já competiram. Mas ultrapassemos inveja de gringo e falemos de Adriano, “45% português, 55% brasileiro”, como o próprio se identificou. Mineiro não teve tarefa fácil. Vencer do Kelly é coisa de guerreiro e eu confesso, a praia estava na torcida pelo careca. Mas o moleque do Guarujá não fez caso disso e no seu jeito humilde, educado, gente fina, venceu Peniche, venceu Portugal. Em verdadeira loucura, Heitor, Gabriel, Alejo, Miguel, Brunin, gritando, chorando por Mineiro, foram buscá-lo à borda de água num momento que transbordou emoção suficiente para chegar ao Brasil, quanto mais a Lisboa. E quando finalmente Adriano pegou no microfone, logo em português, agradeceu a Peniche, aos locais, ao público, ao Perfeito, a todos. Lágrima no olho, bandeira do Brasil nas costas. Se português estava desconfiado, rapidamente se rendeu aos modos simpáticos de Mineiro. De seguida, num gesto genuíno de respeito e rivalidade, Adriano pediu desculpa por falar em inglês, dirigiu-se ao Kelly, fez vénia de joelhos e prestou homenagem ao seu ídolo. Perante gesto de tal tamanho, de tal fibra ética e moral, de tal grandeza, o público português delirou, bateu palmas, gritou – confesso que eu que estava na areia assistindo, também o fiz. Quando se afirmou “45% português”, já não era preciso nada e toda uma praia repleta de milhares de pessoas conquistada e por momentos de coração verde e amarelo, torcia pelo número 3 do Mundo. Mineiro venceu Portugal e conquistou os portugueses. E se me permitem a desconfiança, acho que já tem um grande lugar no coração de todos que o viram vencer. Parabéns Adriano, um abraço da terrinha do bacalhau. - Diogo Alpendre, português e agora um pouco brasileiro também.

Em baixo, o último vídeo do projecto do Mineirinho:

08/10/2011

Directo de França

"Crónica de um repórter no local.

Directamente de França, chegam até ti, sem complexos ou fantasias, as impressões e vivências do nosso editor online, Diogo Alpendre, que está em França para assistir à 8ª etapa do World Tour, o Quiksilver Pro France.


  1º dia - À chegada a França ao final da tarde, após dez longas horas de viagem de carro, todos as ideias e preconceitos começaram a palpitar na minha cabeça: a indústria concentrada, os fãs franceses, as francesas semi-nuas, uma região que se liga com a chegada do maior campeonato europeu. A beleza de viajar começa por ser quando chegamos ao destino e rapidamente vemos todas as ideias e preconceitos que tínhamos a desfazerem-se qual copo de vidro caído no chão à nossa frente. A vila estava calma, nenhum sinal das lojas das marcas, nenhum surfista profissional à vista e muito menos das francesas que fazem as delícias dos australianos e americanos. Chegar a casa, largar pranchas e bagagem no quarto, jantar as famosas moules avec des frites num restaurante com uma simpática empregada francesa, uma vista de olhos na Place Landais para reconhecer o Rockfood - bem maior do que estava à espera - e estava o primeiro dia encerrado, sem muito tempo para pensar ou sequer assimilar o que estava à volta.

  2º dia - Os campeonatos têm o dom de sugar toda a nossa atenção e concentração do que está à volta e assim, depois de um acordar madrugador, rumo às acreditações (uma pulseira cor-de-rosa choque? a sério?) e a La Graviére para assistir à primeira ronda. Sobre o que se passou de campeonato, é só lerem aqui. Algum calor, pouco vento, água quente e aqui sim, surgem as primeiras ideias preconcebidas de França a concretizarem-se: o público imenso, as francesas, os écrans gigantes..uma estrutura gigante e com um plano diário arrebatador. Dia terminado cedo, compras para o jantar, depois toca a vestir o short (em Outubro! Em França!) e ir para dentro de água, sair de água à noite, jantar e adormecer. (..)"

Continuem a ler, aqui.

03/10/2011

Restaurantes

  Uma coisa que sempre me disseram foi que devia viajar. Foi um conselho que chegou até mim vindo de diferentes pessoas, em diferentes contextos e foi uma coisa que sempre tive como objectivo. Cada uma das viagens que fiz teve os seus frutos e conheci bastante gente, fiz alguns contactos, alguns amigos. E agora que fiz algumas viagens, começo a perceber o porquê do conselho de "viajar". Dá-nos perspectiva. As conversas acontecem, os assuntos flutuam, tudo naturalmente. Sendo a minha vida, surf, surf acontece. Com as viagens, vou ganhando perspectiva sobre o surf e queria dar-vos uma palavrinha sobre uma coisa sobre a qual ganhei perspectiva, um dos assuntos mais polémicos da actualidade, o surf aéreo. Tanta coisa para chegar aqui, ao mesmo surf de sempre, não é? Queiram desculpar os desvios de escritor emprestado.

Lembro-me da primeira vez que vi o Kirk Flintoff surfar em competição e da facilidade com que o australiano puxava os seus aéreos reverse a agarrar a prancha desde que descolava até a aterrar. Fiquei muito impressionado nessa primeira vez. Tenho similar lembrança do Jádson. A inversão, o arriscar. Mas tal como eu me impressionei, também vocês e os juízes se impressionaram. Por um aéreo reverse vinha um nove. Garantido. Essa foi a primeira época em que o Jádson os fez e de lá vinham os tais 9. Um ano mais tarde, já eram 8. Depois 7. Hoje são 6 e se forem dois na mesma onda, talvez saia mesmo um 5. Onde ficava impressionado, agora fico aborrecido. Acho que vocês também e uma coisa é certa, também os juízes - salve-se a excepção dos aéreos do tipo "nada a perder", exemplo Kelly Slater 10 em Nova Iorque.

Lembro-me também de em 2005, ano em que comecei a seguir o circuito mundial e a ver os webcasts, ver o Mick Fanning em Snapper's, a começar a fazer a rasgada que hoje em dia é a sua manobra trademark. Incrível. Há umas semana atrás, no Hurley Pro Trestles, vi o Mick Fanning a surfar como ainda não tinha surfado este ano, numa prancha nova (do Kolohe), a fazer aquela mesma rasgada. Incrível. Vocês também acharam e os juízes também.

Lembro-me de ver o Miguel Pupo a competir no mais difícil evento pró júnior do Mundo, em Huntington Beach. Lançava os mais incríveis aéreos e a vitória foi dele. A semana passada vi-o nos Açores, a surfar sem aéreos e a ir buscar highscores aos juízes. Não sei se é um tipo esperto, inteligente. Mas sei que sabe surfar de rail e numa onda em específico, foi buscar um nove e meio aos juízes, só com surf no rail, na borda. Hoje em dia, os aéreos do Miguel Pupo já não me impressionam mas fogo, o "puto" tem uma rasgada de frontside de meter medo.

O presente é algo dúbio. Tal como uns gostam de cozido à portuguesa, outros gostam do faisão em cama de rucula banhado a mel e com aroma a pêssego. Mas sabem uma coisa? O restaurante de maior sucesso é aquele que não se preocupa em rotular-se, apenas faz comida. Só espero que grandes cozinheiros como o Gabriel Medina saibam disso. Afinal de contas, o que significa ter Kelly Slater, Dane Reynolds e Mick Fanning como inspirações e ídolos?