21/05/2011

Impressões do Billabong Rio Pro

E porque demorei demasiado tempo depois de Bells para publicar as minhas impressões, vou desde já deixar as sobre o Billabong Rio Pro, até porque foi um evento...estranho. Vamos a isto:

- Péssimo trabalho dos juízes que, por exemplo e como apontou muito bem Owen Wright depois de perder nos quartos-de-final, estavam a premiar mais um floater que um aéreo. Sem dúvida que os floaters estavam a ser críticos e são manobras que envolvem muito "commitment" mas...estamos quê, nos anos 80? Acho absolutamente impensável o Adam Melling ter tido um 9 muito graças a um floater. Acho impensável o Adriano ter tido um 8.23 numa onda de apenas um floater, por muito crítico e arriscado que este tenha sido. Resumindo, os juízes viram-se aos papéis neste evento para atinar com o critério de julgamento e, sinceramente, acho que vamos voltar a ver este tipo de situações em eventos similares, ou seja, NY, San Fran e Peniche.

- Eu sei que vários seguidores deste blogue são brasileiros e espero que entendam que isto não é um ataque "pessoal", um capricho ou uma perseguição. Na minha opinião, o Adriano de Souza foi levado até topo do pódio. Sim, os brasileiros foram, ao longo de vários e múltiplos eventos, muito penalizados frente aos australianos e americanos. Sim, o heat do Quiksilver Pro Gold Coast foi suspeito. Mas este evento, esta vitória, foi quase ultrajante. Foi claramente a necessidade de dar uma vitória brasileira aos milhares de brasileiros que se deslocaram até ao Arpoador e Barra. E nem era necessária visto que a torcida brasileira, mesmo preferindo, claro, os surfistas brasileiros, é daquelas que apoia todos.

- Depois de dizer isto em cima, é preciso acrescentar que não tenho nada contra o Adriano, ele falou-me sempre bem e embora não seja dos meus surfistas preferidos, foi, até à chegada este ano do Alejo, o meu surfista brasileiro preferido no Tour. Foi muito comovente ver como se emocionou por ter ganho este evento.

- Sobre o Saca, não estou desiludido. A verdade é que neste tipo de condições de mar era exactamente de um resultado destes que estava à espera. Nem sequer o pus na minha equipa do Fantasy Surfer. É para melhor, okay Saca?

- Foi muito engraçado ver o Bede e o Owen a mandar recados e queixar-se da ASP nas entrevistas rápidas, pós-derrota. São dois dos surfistas que melhor se costumam comportar, sempre dentro do politicamente correcto.  Quão injustiçados não se terão sentido, para falarem como falaram? E até que ponto não têm razão?

- É bom ver que o Bobby Martinez está a subir de forma. E até acho que mudei a minha opinião sobre ele, acho que ele precisa de não ter patrocinador para não se acomodar e assim, lutar mais.

- Três eventos, três vencedores diferentes. O ex-Dream Tour parte agora para Jeffrey's Bay, terra normalmente dominada por Slater, Parko, Taj e Mick mas onde Jordy brilhou o ano passado. Teremos um quatro vencedor?

- Três dos seis eventos mais valiosos da temporada - World Tour e Primes - foram vencidos por surfistas brasileiros (Alejo - Noronha, Pupo - Lowers, Mineiro - Rio). É uma nova ordem mundial.

-  Gostava muito que o circuito recuperasse aquele lema do "The best surfers in the best waves in the world". Mesmo que isso implicasse perder a etapa do World Tour em Portugal. Apesar deste meu desejo, temo que o circuito se afaste cada vez mais disso e, ao invés, se aproxime de um pseudo-equilíbrio entre Dream Tour e Money Tour.

Acho que é tudo. Se me lembrar de mais coisas, acrescenta-las-ei. Digam de vossa justiça, estou aqui para o debate.

6 comentários:

Vinícius Maciel disse...

Vás ouvir algumas reclamações de brasileiros sobre isso, apesar de não ter nada de errado. Concordo plenamente com as tuas palavras, reclamei muito sobre o critério de julgamento, no Twitter e fui criticado.

Estou feliz pelo Mineiro, mas não com a ASP e os juízes.

Esgotei minha paciência assistindo esse campeonato. Os QS's que acompanhei nesse ano foram mais interessantes.

Quando tiveres tempo, leia esse post da Surfing Magazine (se é que não já fizesse isso: http://www.surfingmagazine.com/news/floating-on-at-the-billabong-rio-pro/ . Concordo com tudo que o cara escreveu.

Espero que J'Bay seja diferente.

Abraço

Vinícius Maciel

Julio Cesar disse...

Diogo e Vinicius,

Todos sabemos que o critério é subjetivo. Entretanto eu discordo da avaliação de vocês. Quando era menor e já acompanhava o circuito ficava muito chateado com o critério que julgava bem o surf de caras como D.Macaulay, D.Hardman, com um surf burocrático. Todos gostamos quando isto mudou, valorizando o surf com manobras aéreas, radicais e linhas de borda. Tirando o peso de manobras como o floater. Entretanto analisando as ondas do Owen e do Mineiro não achei que foram mal julgadas. O floater do Adriano foi animal, numa onda maior e mais buraco. Achei a nota correta. Apesar dos dois aéreos nas duas ondas do Owen, eram ondas muito menores que a do floater do Mineiro. E quem surfa sabe, que quanto maior a onda e a força dela, muito maior é a dificuldade de controlar a prancha. é minha opinião. Há braços. @juliosub

Pedro disse...

Concordo com o Julio Cesar
vi essa bateria ao vivo. As ondas do Owen foram horriveis, e ele consegue mandar um 360 aereo em qq onda, entao onde esta o merito disso? Eu acho q o floater do Mineiro foi a melhor manobra do dia, e so nao vi as duas primeiras baterias pq eu estava surfando no pico do lado. Se o Mineiro nao tivesse descartado o 4,7 dele no final, com certeza o Owen ia levar, mas o resultado foi justo.

Felipe disse...

Diogo,

Achei sua critica muita lúcida e alinhada com o que acontece no circuito. Acho que é inegável que em alguns momentos surfistas que são da região do local do evento ou patrocinados pela marca que esta a patrocinar são favorecidos. Talvez seja algo até um pouco inconsciente por parte dos juizes que ao avaliar sabem do peso e do risco de dar uma nota mais critica (e baixa) para um Parko em Snapper, para um Slater em trestles ou para um mineiro num Arpoador lotado.

No entanto, concordo com o Pedro que esta bateria especificamente não foi mal julgada. Um reverso aéreo sempre será um reverso aéreo, mas atualmente já não é uma manobra tão diferenciada. Tem dias que se vai a praia e se ve diversos meninos de 14 anos acertando tal manobra numa vala marola. Mas um floater numa "craca" de um metro bem servido não é para qualquer um.

Parabéns pelo bom trabalho com o blog e pelas críticas bem fundamentadas.

abs,

Henrique disse...

Diogo,

eu acho que no fim das contas tanto faz.

A lição que tirei deste campeonato, que pude ver da praia e em casa os replays, é que o juiz é o ser mais bem servido de recursos para dar as notas.

O que realmente acho discutível é o critério que é estabelecido no dia, conforme as ondas e possibilidades de manobras.

Owen fez seu aéreo em uma onda menor, e não foi um aéreo crítico.

Mineiro deu um floater crítico em uma maior. Se olharmos para ondas hiscores anteriores do Parko, Melling e Bourez, há coerência nas notas.

Além disso, pelo replay não se percebe a velocidade e commitment de algumas manobras.

Minha crítica enfim, é realizar o campeonato em condições tão fracas de surf. Pois em tais condições qualquer critério é frágil.

valeria mais à pena se os juízes declarassem logo o que querem ver.


Agora discordo do pedro e do Felipe sobre o Reverso aéreo. Não se pode rebaixar o valor de uma manobra pelo fato do surfista dominá-la. Pode-se rebaixar o valor da mesma por entender que não é uma manobra adequada para pontuar bem em dadas condições. Por exemplo, pegar uma esquerda de duas manobras em trestles e fazer o aéreo, enquanto a direita proporciona maanobras. Ou andar na porta do tubo em pipe e fazer o aéreo na junção de meio metro.

Agora dizer que não é diferenciada é ingenuidade.

Se pararmos para pensar o Slater só ganhou vezes por saber tornar qualquer manobra diferenciada, ou seja, a hora certa de aplicá-la.

Diogo Alpendre disse...

Gosto de ver a "dicussão" instaurada, foi por isso que criei este blog!

Antes de mais nada, deixem-me começar por dizer que o problema principal não é esta bateria. O problema é, como vocês referiram, o julgamento ao longo de todo o evento e que, na minha opinião, esteve mal, resultando na controvérsia desta bateria. O problema que identifico, é a escolha do critério, ou seja, definir um critério para um evento que premeie ondas de uma só manobra da forma como premiou. Sim, eu discordo do 8.23 do Mineiro. Mas também dos 9 do Michel Bourez, Adam Melling e Parko.

Eu acho que os juízes nem sabiam bem como julgar por causa das fracas condições do mar, o que levanta outro problema: como é possível porem o campeonato na água com aquelas ondas?

Felipe e Pedro, vou ter que concordar com o Henrique. O facto de ser uma manobra vista, não lhe pode tirar mérito nem pontuação. Caso isto fosse assim, o que valeriam os aéreos do Jadson? Aquele aéreo reverse de frontside que ele faz várias vezes? Não valeria nada!
Lá por ser uma mabobra cada vez mais vista e aparentemente fácil (não é! pelo menos eu não a consigo fazer, eheheheh), não se a pode desvalorizar.

Ainda assim, Felipe, concordo com o teu primeiro parágrafo e muito obrigado pelos elogios, é um prazer.

Henrique, antes de mais nada, boa notícia essa a de que você vem a Portugal em Outubro! Com certeza nos sentaremos para um chope!

Sem dúvida, os juízes hoje em dia têm muitos recursos para acertar na nota, desde o replay ao conselho do chefe de juízes. Ainda assim são humanos, né?

Concordo contigo, o problema passou muito pelas condições do mar e pelo que os juízes decidiram valorizar. Esse foi o problema, como eu disse em cima.

E isso que dizes, do Slater e da diferenciação das manobras, não podia concordar mais.

Quanto ao aéreo do Owen, vocês têm razão, foi feito numa onda mais pequena. Mas a verdade é que o critério está a valorizar mais as manobras que as escolhas de onda, sendo que o ideal é fazer as melhores manobras nas maiores e melhores ondas.

Ainda assim, a manobra foi numa onda completa e o aéreo é bom! Não é com um grab fácil, é alto e ele anda vários metros no ar. É um bom aéreo, dos melhores do campeonato.

É óbvio que o floater do Adriano é muito, Júlio. Ainda assim, um 8.23? A mim parece-me de mais. Parece-me que já não está no critério de 2011 mas no de 2002.

Um abraço e obrigado, vamos continuar a discussão!

Diogo aqui do blog