26/11/2010

Crónicas de Peniche vol.3 "Regresso a Peniche"

Há dois fins-de-semana atrás voltei a Peniche, a primeira vez que regressava depois do World Tour. Estava a receber em casa um amigo americano e ele queria surfar pointbreaks. Sugeri Peniche porque ia estar vento Sul e porque considerei indecente que um surfista americano viesse a Portugal, sem saber se e quando volta, e não fosse surfar ao palco da etapa portuguesa do World Tour. Liguei a uns amigos meus, combinámos a "trip" lá cima e às seis da manhã estávamos cinco em andamento, num jipe com uma nova altura (5 pranchas em fitas).

Surfámos no Lagide e na Praínha. Lá apanhámos, durante umas três horas, ondas de um a quase dois metros, sem problema. Depois ficámos com fome e saímos. Fizemos vida de praia, demorámos que tempos a tirar os fatos (apesar do frio e da brisa gelada), encontrámos amigos. Demos uma olhada nas miúdas. As miúdas.. Primeira indecisão do dia: onde comer? Pingo Doce? Pizzaria? Supermercado? Ups, no caminho destruí-mos um sinal de passadeira (é o que dá ter cinco pessoas aos gritos, apertadas e com cinco pranchas dentro do jipe, por preguiça). Fomos ao Pingo Doce. Esperámos e comemos bem e barato (atenção, o Pingo Doce é o verdadeiro secret-spot de Peniche). Próxima paragem? Indecisão de onde surfar.

Passámos nos Super onde o mar estava pequeno, desordenado, onshore e enkitesurfado. No canto do Baleal estava insurfável. No outro canto, demasiado crowd para as ondas que estavam. No meio, "closeouts" gigantescos. Nos Belgas...não fomos aos Belgas e também não voltámos ao Lagide. Acabámos a fazer um fim de tarde na Caparica mas isso já é outra história.

 Chegámos ao fim do dia e estávamos "surfed out". Sabem aquele sentimento (sensação? emoção?) de que nada podia ter corrido melhor nesse dias, não podíamos ter feito mais nada? Aquela impressão de que a qualquer momento podem adormecer com uma calma apenas comparável à das crianças que adormecem no colo dos pais? Esse era o sentimento comum que trazíamos de Peniche. De Peniche. É assim Peniche. Terra de surf. Terra de ondas. Terra de surf feeling. Terra de praia. Terra de indecisão. Terra de amigos. Terra do Pingo Doce. Terra de surf.

Se forem a Peniche, com disponibilidade mental e de mente vazia, podem esperar coisas que só Peniche pode dar. Podia escrevê-las aqui (não, não é nada do que escrevi acima) mas isso tirava a piada para a próxima viagem, para além de que cada um sabe o que sente, como sente, quando sente.

Uma coisa é certa, teremos sempre Peniche.

2 comentários:

paolo disse...

Já acompanho este blog há algum tempo e como gostei desta crónica, vou fazer o meu primeiro comentário.

Gostei, mas não concordo. Vou quase todos os fins-de-semana a Peniche para a surfada, gosto muito de Peniche, mas das pessoas de Peniche!!... Peniche, tal como a Nazaré tem alguns problemas sociais e em cada 10 safa-se 1 :)

www.maresdomar.webnode.com disse...

Adoro Peniche :)... Paolo em terra de pescador é assim a vida... BOAS ONDAS