27/10/2010

Crónicas de Peniche vol.2 "Prever Peniche"

(agora com tempo para ser diárias, embora a sua actualidade tenha passado um pouco. São impressões de mais um estada em Peniche e de mais um campeonato do World Tour)

É impossível. É tão impossível que quase faz me questionar o uso de um sistema de previsões como o MagicSeaweed no Rip Curl Pro Portugal. Este ano vinha um swell gigante. Viu-se. O evento ia acabar em Supertubos clássico. Viu-se. Nos dias dos Belgas não deram Supertubos. Viu-se. O ano passado era impossível estar offshore naquela terça feira. Viu-se.
A culpa não é de ninguém, vamos desde já estabelecer isto. Nem do MagicSeaweed, nem da Rip Curl, nem da ASP, nem dos surfistas. É simplesmente Peniche e a sua relação conturbada com a Mãe Natureza. Se pensarmos nos termos do Direito, a península de Peniche pode ser vista como aquele advogado/jurista cujo maior objectivo é procurar formas de contornar a Lei e assim actuar nos casos - seja para o bem, seja para o mal.

Qualquer evento deve ser realizado na melhor altura do ano no que toca a ondas para esse local, isto é óbvio. Ajuda, também, que seja na altura do ano em que mais frequentemente foram avistadas boas ondas  nesse determinado local - pense-se no intervalo de Novembro a Fevereiro no Havai.
Em Peniche também funciona assim. Sabe-se que vão chegar ondulações fortes à costa penichense por alturas do Outono. O que vai acontecer depois, é o que não se sabe. Mas desde que as tais ondulações cheguem, alguma coisa há-de acontecer e quando acontecer, vamos poder contar com a confortável e útil polivalência da península.
Para além de que, como dizia um espectador do evento pelo qual passei numa das minhas caminhadas pela areia, "We will always have Belgas".

Assim, o melhor é mesmo deixar as coisas como estão pois mesmo que nos queixemos, nada vai mudar (felizmente). Só temos que esperar que algo aconteça e que Peniche tenha acordado para o lado certo. Depois o resto, que sera sera ...

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