20/01/2010

Editorial 1

(com a frequência de posts que este blog vai tendo e visto que a maior parte deles são vídeos e recolhas de notícias, só ocasionalmente um texto de opinião, achei pertinente que pelo menos quinzenalmente, garantida e fixamente, fizesse um post de autor, ou seja, um texto, pequeno médio ou grande, com opiniões, pensamentos e ideias do autor deste blog, que, por acaso, sou eu, Diogo Alpendre. Vão seguindo os editoriais e sintam-se livres para comentar, é para isso que os escrevo. Leiam o primeiro já aqui em baixo :) ) 

Confesso que não sou grande conhecedor das gerações passadas de surfistas portugueses. Sei os nomes, alguns resultados, alguns factos marcantes, alguns até os reconheço a surfar, outros não. De qualquer maneira, tirando um caso de que todos temos a certeza (João "Dapim" Alexandre), não me lembro de haver tantos jovens surfistas portugueses a ir estagiar para fora de Portugal. Só este ano e que tenha conhecimento (e que tenha sido dito publicamente), sei do caso do Vasco Ribeiro que foi para a casa da Quiksilver em J-Bay durante a etapa do WCT nesse local, sei, também, das várias viagens da Surftec do Nuno Telmo e do David Raimundo, mais recentemente, da "catrefada" de míudos que foram para o Havai (ir ao Havai é um estágio, quer se queira quer não) e do Filipe Jervis para a Austrália. Sem contar, está claro, com a presença de Vasco Ribeiro, Frederico Morais e Nicolau von Rupp em Narrabeen, por ocasião dos WJC (onde só os últimos dois participaram).
Mas não conhecer o passados, não me inibe de falar do futuro. E, como tal, queria aqui manifestar o meu contentamento em ver que a nova nota do surf português está a sair de Portugal. Faz-me ter esperança que vai haver alguém, dessa mesma geração, que vai seguir as pegadas do Tiago "Saca" Pires. Faz-me reparar que os míudos estão a ser melhor acompanhados. Que os patrocinadores (talvez por pressão dos treinadores?) começam a perceber que vale a pena investir nos míudos, que vale a pena "metê-los" no Mundo lá fora e que isso os faz crescer e evoluir enquanto surfistas e pessoas. Mais ainda, tudo isto num ano de recessão económica, onde, supostamente, os primeiros a sofrer são os atletas. Faz-me ficar verdadeiramente contente.
Um obrigado a essa malta toda por fazer mais um fã de surf e fã dos surfistas em Portugal, ter fé nos nossos. Se continuarem e (aumentarem!!!) com essa postura, o futuro trará, com certeza, coisas boas.
Obrigado.

Diogo Alpendre

2 comentários:

Pedro disse...

Diogo,com este post tocas numa das maiores feridas do surf nacional da geração passada. Estou à vontade para falar, sou dessa geração passada. Acho que sempre tivemos dois problemas de maior; o não irmos para fora e o não vermos com bons olhos quem vem de fora.
O ir para fora implicava grandes custos, custos que os patrocinadores não investiam,em tempos não muito distante,anos 90. Os que conseguiam ir, a maioria ia pelo seu bolso. Nessa altura ainda era muito na base de ir à descuberta, mais no sentido de ir apanhar umas ondas e conhecer lugares magnificos do que com uma prespectiva de evolução ou estagio, como hoje em dia. Percebe-se o conjunto de dificuldades que havia em ir para fora, apenas ultrapassaveis para alguns, mas o que não se percebeu e que ajudou e muito a arruinar a nossa evolução a nível de surf durante tempo de mais, foi a questão de termos fechado portas a surfistas estrangeiros residentes em Portugal nos nossos campeonatos. O caso mais gritante foi o do Almir Salazar e mais recentemente houve alguma descriminação com o Justin. Certamente lembraste dos primeiros campeonatos do Justin? Lembraste do nível de surf altamente superior que ele apresentou, que se não me falha a memoria foi logo campeão nacional no primeiro ano de circuito? O Almir, que diferença ele fazia de nível surf dos nossos altetas. Em vez de aproveitar e aprender com um tipo que vinha de um pais onde o surf já estava noutro patamar, deixar aberta a possibilidade de outros puderem vir, aproveitar a possibilidade fantastica de termos por cá um tipo daqueles, a ideia obvia foi fechar-lhe a entrada nos campeonatos,o que foi o mesmo que fechar a evolução dos nossos surfistas.

Felizmente hoje já não é bem assim. Hoje não só se viaja e estagia-se muito como temos provas internacionais em Portugal. O CNSO devia ver revisto o formato mas essa é outra conversa. Os metodos de treino tambem melhoraram brutalmente, a timidez de treinar com um treinador acabou, e com isso o nível de surf subiu imenso, o que tal como a ti, tambem me faz ficar verdadeiramente contente!

Diogo Alpendre disse...

Concordo contigo Pedro.

Eu acho que isso vai mudando, o Justin já compete à vontade no CNSO, o Schmeltzer também competiu há dois anos, temos o Edu Fernandes e o igor Morais também a competir, acho que esse tipo de discriminação idiota já acabou. Pelo menos assim espero.
Se não acabou, tomem o exemplo da Austrália: primeiro pro junior do ano e estão lá a competir vários americanos, brasileiros e dois tugas, o Nicolau Von Rupp e o Felipe Jervis. É um bom exemplo de como de deve proceder.
E quem sabe se os australianos não beneficiam disso? Desconfio que sim..e eles são um óptimo modelo pelo que a FPS, caso já não o faço, que olhe para eles!

Do pouco que vou sabendo do mundo do surf, só quero dizer uma coisa: se tiverem meia-oportunidade de ir surfar lá fora, VÃO!

Abraço!

Diogo aqui do blog