29/06/2009

Acaso...ou não ?

A dada altura do ínicio do filme "One Track Mind", ouvimos Wayne "Rabbit" Bartholomew dizer "Every generation should get better then the last one. That's the evolution! " enquanto vemos Kelly Slater fazer um aéreo 360 animalesco. Será coincidência que tenham juntado a esta frase o surfista que mais gerações venceu, aliás, demoliu, na história do surf profissional, ainda por cima a fazer uma manobra super new school ? Será que é mais um reconhecimento de Kelly Slater como um absoluto mágico, rei, alien, do surf ?

O que acham?

Em baixo, Kelly Slater num outro aéreo.

Eu acho que Portugal anda iludido, pelo menos no que toca ao surf..

Eu não sei se é por estar a ver que esta noite vai ser, muito provavelmente, passada em branco ou porque estou desesperado com trabalho, mas "estou-lhe a dar para o melodramático-trágico-crítico". Quem lê o que por aqui escrevo, sabe que tenho um espiríto crítico....activo. Talvez por ter o meu lado "melodramático-trágico-crítico" mais latente esta noite, resolvi escrever um texto que ando para escrever desde ontem. Aviso que vai ser um pouco destrutivo.

Isto vai ser cá de uma maneira que até está a custar a começar. Mas enfim.. vou começar por relatar o que despoletou este post, talvez seja o mais fácil.

Ontem à tarde, tal como muitos outros surfistas nacionais, liguei o pc, a net e pus-me a ver o webcast do Hang Loose Pro. Muito giro e tal e coiso, não é sobre isto que vou falar, altas ondas e pronto, acabou o round 1. Um pouco frustrado e como estava com pica para ver surf resolvi pôr-me a ver o dia final de algo que já vinha a seguir nos últimos dias, os NSSA. Para quem não conhece, NSSA significa, National Scholastic Surfing Association. É um conceito muito dificil de explicar mas basicamente é um campeonato nacional inter-escolas. Sim, nacional e inter-escolas. Míudos e míudas de 8, 9, 10, 11 e por aí adiante até aos 18, defrontam-se em diversas categorias, por diversos títulos nacionais. Ah, importante, é um evento amador, ou seja, não é como se fosse um pro-junior ou assim, com prize-money. É amador, levas um troféu e prestígio. Bom, processa-se do seguinte modo (ao que apurei) : jovens surfistas vão-se defrontando nos seus (ou não) respectivos Estados para que pela altura do final de Junho e Julho (aproveitando o final das aulas) estejam qualificados para se defrontarem no NSSA em Lowers Trestles para disputarem os títulos nacionais. Voltando um pouco atrás, não desconfiem do facto deste evento ser amador, por aqui já passaram (e venceram) surfistas como Rob Machado, Taylor Knox, Kelly Slater, Clay Marzo, Carissa Moore, os Hobgood, os Lopez entre outros. Basicamente, este é capaz de ser o evento amador mais importante e conhecido no mundo. E só participam nele míudos. Big Deal, han ?
Escusado será dizer quão prestigiante é vencer nos NSSA.
Pois bem, ontem à noite dediquei-me a ver todo o último dia que foi basicamente ocupado com as finais de todos os escalões. Não me vou adiantar nisto pois são tantos escalões e tantos vencedores que vocês dispersariam do texto. Vou-me limitar a dizer isto : do que vi das raparigas, qualquer uma das que participa no Open Women (não se esqueçam, o Open neste evento é até aos 18) chegava a Portugal e era campeã nacional. Dos rapazes, qualquer um dos míudos que para ali anda, dos quartos de final para cima, chegava ao nosso Pro Junior e ao nosso Open e fazia aquilo em passeio. Não ? Querem provas ? Venham elas :

Na final do Open Woman, a mais prestigiante das míudas, a vencedora, darkhorse, sem nenhum major sponsor (é patrocinada pela Patagonia), na sua primeira onda (!!!!!) fez um roundhouse cutback e um aéreo que fazia corar muitos dos aéreos que se vêm cá em Portugal. Estão a ver uma míuda a voar bem acima do lip e sem o pé de trás na prancha e a aterrar ? Se calhar não. Mas Lakey Peterson fe-lo e teve um 9. Só um 9. Qualquer uma das raparigas na final, tem mais estilo, mais velocidade, mais linha de onda que qualquer uma das que anda a correr agora o nosso país fora. Elas mandam água, elas mandam grandes tailsides, fazem grandes floaters, grandes aéreos, eu estava boquiaberto. É que ainda por cima não é só na final, é desde o round 1 ATÉ à final. Já ouviram, com certeza, falar do U.S Open of surfing, um evento masculino e feminino que tem lugar em Huntington Beach, que conta para o WQS e que está categorizado como 6*. Pois bem, a vencedora do ano passado que entrou com wildcard e tinha quinze anos na altura, Malia Manuel, ficou em 3º no Open Woman dos NSSA. Este é o nível dos NSSA, um evento escolar, amador, sub 18 americano. Eu estava pasmado. E o nível da final ? De loucos !

Bom, no que toca ao Open Men, nem vale a pena dizer nada. Ou vale ? Todos os que estavam na final, que acabou por ser ganha pelo super grom Kolohe Andino, partem a loiça. Os das semi-finais também. Dos quartos, também. AH, esperem, é desde o round 1. Nem me vou manifestar quanto ao que eles fariam cá.

Querem mais ? Eu dou-vos mais. Na final do Open Boys, o vencedor fez duas ondas 10. Teve um score final de 20. Ah, esperem, esqueci-me. A categoria Boys é até aos 14 anos. O vencedor tem 13 e chama-se Ian Gentil. Ah, esqueci-me outra vez. Fe-lo numa final de 6 surfistas e 25 minutos em Lowers Trestles.

Mais ? Tudo bem. Existe uma categoria para os sub 12 e o mais velho na final dessa categoria tem 11. E ficou em 2. A final desta categoria, de nome Mini Grom, foi vencida por um jovem menino (desculpem mas não o consigo classificar de outro modo) de 10 anos que surfa "que é parvo". É ridiculo. As ondas tinham duas vezes o tamanho dele e sabem qual era o tamanho do mar ? 2-3 pés. Yup. Yup. Yup.

Para todos os cépticos que não acreditam no que vos estou a dizer, sigam este link e :
1º - Confiram os resultados e as categorias.
2º - Vejam o slideshow.
3º - Fiquem embasbacados com o filme.

Sinceramente, a alegria que me deu ver este campeonato foi imensa. E eu nem sou americano e nem sequer gosto dos americanos. Mas rapidamente sucumbi à tristeza que é ter que pensar em "muitos e muitas" surfistas que andam cá em Portugal de nariz empinado achando-se os melhores do Mundo. Pois bem, não o são. Vão lá fora, vejam a realidade e cresçam. Meus caros e minhas caras, uma coisa importante, humildade. Para se acharem os melhores do mundo, têm que ser os melhores do Mundo e mesmo assim, não chega. Acham que o Kolohe Andino, Conner Coffin, Ezekiel Lau, Evan Thompson, Ian Gentil, Alex Smith, Malia Manuel, Courtney Colougne, Alessa Quizon e outros são tão confiantes porquê ? Porque já perderam muitas vezes, já lidaram com muitas derrotas e estão constantemente a ter que lidar com as altas expectativas que os rodeiam e sabem que, de inicio, é preciso humildade para saber gerir tudo, mas quando são os melhores, são os melhores e eles e todos os que surfam contra eles sabem-no.

Na minha modesta e pequena visão (e ainda menor surf...aposto que qualquer um dos sub 12 me dava uma tareia a surfar que eu ia a correr chorar para casa), nós não estamos atrás dos outros países. Estamos MUITO atrás. Para ser franco, até estou espantado como casos como o Saca, o Marlon, o Vasco Ribeiro, o Kikas, apareceram por cá. Já estou como o Pedro Adão e Silva quando fala do Saca, devem ser "predestinados" !

Agora, mais calmo, olho para o que se vê por cá e reconheço trabalho, evolução, uma enorme margem de progressão e muito potencial. Mas penso que isso se deve aos surfistas, pois são eles que se "gerem". Em termos estruturais apresentamos tantas lacunas ! Que só nos prejudicam, que só tornam a evolução mais morosa e demorada! Eu percebo e também quero que os nossos surfistas sejam os melhores do Mundo e acho que pelo menos alguns deles estão a fazer o que podem (e não podem) para o serem. Mas parece uma luta desleal, lutam contra todo um sistema que não os ajuda. Por isso, coisas com o Saca e o Marlon no WCT, o 5º lugar do Nicolau Von Rupp nos World Junior Championships, o Ximenez campeão europeu no Eurosurf, são marcos, são acontecimentos fora de série. Eles são "outsiders" e devem ser tomados como exemplo de um bom trabalho. Eu posso ser um sonhador e um inconformado mas porra, porque não ei de querer uns NSSA portugueses ? Uma federação que junte surfistas e estruturas de um modo proveitoso ? Um circuito profissional a sério ?

Não se conformem ao que temos ! Queiram mais e melhor ! E façam o que possam para poder lá chegar ! Eu estou a fazer o que posso, que é escrever neste canto da net, com esperança que alguém com "poder" se sinta inspirado e...faça as coisas acontecer !



Desculpem o desabafo..


As queixas, que vão ser muitas, para comoestaosurf@gmail.com e endereçadas ao Diogo, que o resto da malta que por aqui escreve não têm culpa que eu assim seja..


O link para os resultados, slideshow e clip é o que se segue. Percam uns 20 minutos da vossa vida mas vejam o que o link tem para vos mostrar. Prometo que não vos vai desiludir :

27/06/2009

Primeiro engano..

Em vez de mar pequeno-médio está mar médio-grande. Lá voltam os havaianos e power surfer a entrar na equação. Principalmente se apanharem "open face waves". O que acham ?

De resto, algumas das minhas ideias concretizaram-se, até ver, neste primeiro round.

Hang Loose Pro - Previsões

Aqui vai, muito provavelmente, o post mais inútil e errado de sempre na história deste blog. É assim, eu gosto de fazer previsões mas as minhas previsões para o Billabong Pro Teahupoo acabaram por estar tão, tão, tão erradas que desanimei nesta questão. Anyway, como se já não fosse suficiente a humilhação dessa vez, aqui vai ainda mais uma tentativa de me humilhar ! Ou não. Espero que pelo menos desta vez consiga acertar em mais do que um surfista que foi o que aconteceu em Teahupoo. Aqui vão as minhas ideias .

- Primeiro que tudo, é importante não esquecer o Slater. NUNCA se pode pôr o The Hell de parte. Se estiver para aí virado, ele ganha a todos e com ondas acima de 9.5 em todos os heats.

- O Taj e o Mick já ganharam este evento (se bem que noutra altura do ano) e ambos se dão bem em beachbreaks, para além de que se há alguém que pode dar luta ao Parko, são esses dois.

- A época "australasia" acabou, ou seja, não sei se o Parko vai manter a consistência fora da sua "zone". Deve ressacar (mas uma ressaca de Top 5, não uma dos lá de baixo, ou seja, talvez um 9º ou 5º lugar) neste evento mas partir a loiça no próximo, J-Bay.

- O Mineirinho começou o ano com pica (um 2º lugar) mas infelizmente não a manteve nos eventos seguintes (Bells e Teahupoo). Contudo, o 5º lugar em Teahupoo pode querer dizer que está a recuperar a pica. E que sítio melhor para a pica que em casa ?

- Surfistas habituados a beachbreaks podem ser uma boa aposta. Lembro-me de um Tim Boal, um Marlon Lipke ou dos brasileiros Jihad Khodr e Heitor Alves, que ainda por cima a surfar em casa, podem "partir cabeças".

- Surfistas mais power (havaianos por exemplo..) não serão grande aposta. A não ser que o mar vá estar grande o que manifestamente é improvável.

- O mais provável, é o mar estar sempre pequeno/médio o que para surfistas performance é excelente. Vem-me à cabeça o Taj (novamente), Jordy (em bom momento de forma), Dane (looking for redemption), Chris Ward (se lhe apetecer..)..

- O Bede, que ganhou esta prova o ano passado, pode tentar no Brasil combater a série de resultados menosn bons nesta etapa. Tendo um "caneco" na bagagem, pode estar seguro.

Só algumas ideias. O que acham ?

P.S. A minha equipa do Fantasy Surfer, confesso que é....arriscada : Kelly, Taj, Mineirinho, Jordy, Dane e Tim Boal.

26/06/2009

Stab

Tenho pena que a Stab Mag não chegue a Portugal. Mas uma pena gigante se isto se pode sequer dizer. Acho que a Stab reúne determinadas coisas que eu não vejo nas outras revistas, quer nacionais, quer internacionas e, na minha modesta e discreta opinião, todas tinham um pouco a aprender com ela. Claro que por vezes a Stab excede-se. Aliás, por diversas vezes até nos conteúdos de teor sexual ou na tentativa forçada de criar uma relação sexual no surf, só para dar alguns exemplos de excessos. Mas não me tomem por um puritano ou moralista, algumas vezes tem muita piada ligar essas duas coisas que embora distintas se tocam mais vezes do que pensamos e se há revista que o consegue (e pode) fazer é a Stab. Por vezes tentam fuigr demasiado ao "establishment" e acabam por se perder um pouco mas isso, acontece com todas as revistas, faz parte do processo de diferenciação. Felizmente, não é sobre a relação entre o sexo e a Stab que quero "falar", mas sim sobre a própria Stab. A Stab revela uma série de pequenas particularidades que fazem dela uma revista única : é bi-mestral se bem que mestral no meses de Novembro e Dezembro ; faz por diversas vezes sessões fotográficas à la revistas de Moda, com surfistas profissionais, sendo a sessão mais conhecida a de Andy e Lindy Irons; a Stab (e não outra revista com, à partida, mais credenciais como a Surfer ou a ASL) foi a revista que fez a famosa cobertura da primeira sessão de surf filmada através de um helicóptero, sessão essa que foi feita com dois surfistas que dispensam qualquer tipo de apresentações, Kelly Slater e Taj Burrow. Todas essas particulariedades marcam cada edição da revista. Mas não são estas as grandes "coisas" que a tornam numa excelente leitura : a meu ver, o que a torna em tal coisa, é o à vontade com que trata assuntos por vezes de uma importância capital. A Stab concretiza aquele ideal do não ter medo de fazer perguntas, de dizer as coisas, de mostrar pontos de vista que muitas vezes fogem a toda a realidade transmitida pelas outras revistas de surf, de pôr on dedo na ferida. Penso que isso seja muito importante (tal como o Lewis Samuels é, não tenham dúvida...mas este é outro assunto). Mais ainda, eu não sei como conseguem, mas a revista, sendo quase desbocada, rendida ao "livre arbítrio", consegue ter grandes patrocinadores como a Billabong. Portanto, há algo que está mal e não é no reino da Dinamarca. Não me venham dizer que as revistas não são livres por causa dos interesses das marcas ! Então se a Stab consegue.. Bom, não me quero adiantar.

De qualquer maneira, como faço diariamente, hoje passei no site da Stab e cruzei-me com esta pequena entrevista ao companheiro de patrocínico do Marlon, Adrian Buchan. Vale a pena dar uma olhadela :

24/06/2009

Reportagem "Sal na Terra" - Parte 2 (leiam primeiro a parte 1 que se encontra em baixo deste post)

(optei por publicar a entrevista a bruto, sem tratamento para além do passar do som para escrita)

Diogo : Antes de mais nada, parabéns pelo livro...

Pedro Adão e Silva : Obrigado...
D : E como primeira pergunta, uma coisa muito simples. Tens noção que és um pioneiro no que toca a livros de surf no mercado português. À parte do Gonçalo Cadilhe, João Rocha, João de Macedo (se bem que o livro deste é mais técnico)...
PAS : Bom...eu acho que este livro é um livro um pouco diferente dos outros livros de surf que existem. Isto porque normalmente os textos sobre surf são textos ou sobre competição ou sobre viagens. Os meus textos não são sobre uma coisa nem outra. Aliás, nisso [os meus textos sobre surf ] têm uma vantagem sobre a maior parte dos textos sobre surf que é poderem ser lidos por quem não tem nada a ver com o surf.
D : Que importâncias dás a estas iniciativas? Escrever estes livros..
PAS : Eu acho que é muito importante que o surf saia....do surf ! Acho que isso é muito importante..
D : Achas que faz avançar o surf nacional ?
P : (sorriso...) Bem, eu não tenho essa...(risos)..ambição. Acho que é importante é que o surf se desmarginalize.... Eu não tenho medo que, de repente, as praias estejam cheias de pessoas...as ondas são muitas...e continua a haver imensos sítios onde se pode fazer surf com pouca gente e basta procurar um pouco mais e, portanto, não é isso que me preocupa. Acho que o que é verdadeiramente importante é que o surf se desmarginalize, só temos a ganhar com isso...se as praias forem mais cuidadas e tudo isso...e acho que o surf é uma coisa que vicia, que deixa marcas, contamina tudo o que fazemos para além do surf e, portanto, acho que não partilhar esse prazer é uma coisa meramente egoísta. Eu gosto de passar esse prazer e essa paixão pelo surf aos outros e espero que haja mais gente a fazer e acho que é óptimo as pessoas poderem beneficiar e ter esse gozo e imenso gosto que nós que fazemos surf temos...
D : Falemos agora do teu livro em específico. Seguramente quando começaste a escrever sobre surf nunca pensaste que um dia ias ter um livro com os teus textos..
P : Não..
D : ... como é que te sentes com a chegada deste livro ?
P : Eu nunca pensei e como disse à bocado [na apresentação] a minha vida é escrever....as coisas académicas, textos políticos, sobre análise política e nunca tive esse desejo de publicar em livro os meus textos... e os jornais, há seis anos que escrevo para jornais todas as semanas e nunca achei que isso que escrevo fosse vir a ser publicado.. Mas quanto aos textos de surf a certa altura achei que eles tinham uma coêrencia própria, que tinham a ver uns com os outros e que podiam dizer qualquer coisa a quem não faz surf, portanto, não deveriam ficar presos ao meio onde primeiro foram escritos...ao meio do surf...ao surf...
D : ...aos surfistas...
P : Aos surfistas..
D : Bom, agora um "perguntão" ! Uma pergunta mais profunda.... No inicio da introdução ao teu livro, pareces deixar em suspenso, ou melhor, subentendido, que hoje em dia o surf é visto como algo superficial ou, pelo menos, associado à superficialidade. Quando estás a escrever sobre surf também "pões" em mente que queres combater essa associação ou para ti, e porque os teus textos estão enriquecidos com inúmeras referências culturais, é natural aprofundar ?
P : Eu não percebo como uma coisa que deixa tantas marcas em quem faz e pratica, pode ser associado a algo superficial. Uma coisa superficial é, por natureza, algo que fica à superfície, que não entra para dentro e quem faz surf sabe que o surf é tudo menos superficial ! Entra para dentro do nosso corpo e marca-nos !
D : Então como é que explicas que seja essa a imagem fora do meio..?
P : Porque...porque a ideia de surfar a onda, o deslizar, vir à superfície.. o próprio verbo surf é um anglicismo que se transformou no verbo surfar tem a ver com isso, deslizar à superfície...e, também, a própria imagem dos surfistas... Eu acho que já não tem que ser assim.. Hoje já há muita gente que faz surf.. e já há pessoas de todo o tipo que fazem surf, com diferentes olhares..
D : Até é célebre a imagem do executivo a chegar a Carcavelos..
P : Ou seja, o surf não é uma coisa..não é uma realidade única. É uma coisa completamente multidimensional, multifacetada e eu sou apenas uma das pequeníssimas dimensões do surf. E acho que nem toda a gente tem que gostar. Eu acho que o surf é muita coisa mas o que não é certamente é superficial..
D : Certo (com um sorriso na cara de quem gostou bastante da resposta) ! Agora, só mais uma pergunta, só mesmo para acabar... Que futuro é que agoiras para o surf nacional ? Quer em termos competitivos quer em termos estruturais ?
P : Eu acho que o surf vai melhorar..tem (!) de melhorar em Portugal e vai ser obrigado a melhorar. Do ponto de vista da competição não acredito que isso se vá sentir num futuro imediato. Acho que fenómenos como o Tiago [Pires] são únicos, são ovnis. O Tiago aconteceu e aconteceria em qualquer país porque ele reúne um conjunto de características que o torna quase num predestinado mas não teremos ainda nos próximos anos, capacidade para produzir vários Tiagos Pires. Mas temos todas as condições..somos quase os únicos que como país [europeu] temos a possibilidade de fazer surf ao longo do ano, quase todos os dias...temos uma orla costeira muito grande e temos muita gente a praticar. As grandes cidades portuguesas são ao pé de ondas boas e portanto não há razão nenhuma para que a um médio-prazo nós não sermos quase como uma Austrália da Europa. Mas isso ainda vai demorar..
D : Certo ! Muito obrigado pela entrevista e.....

....e a frase de cima terminou. O gravador foi desligado por mim mas a conversa perdurou por alguns segundos mais. Com a entrevista feita e o dever cumprido, era tempo de agradecer ao Pedro por tudo e ir para casa reflectir sobre toda esta tarde passada a surfar. A surfar em terra. Pode não haver coisas na terra que marquem como o sal nos marca a nós, surfistas, no mar mas garanto-vos que saí daquela apresentação profundamente marcado. Tal como se tivesse surfado durante uma tarde inteira mar perfeito.


Resta-me agradecer, mais uma vez, ao Pedro Adão e Silva pela entrevista e pelo convite para a apresentação do seu livro, "Sal na Terra", que recomendo a todos e agradecer, também, ao Manuel Castro pelos conhecimentos sábios que me transmitiu durante as nossas curtas conversas na apresentação.


Peço-vos agora, caros leitores do blogue, que sejam os melhores e piores críticos desta reportagem e me digam o que acharam dela. Estou aqui para ouvir e responder.


Diogo

Reportagem "Sal na Terra" - Parte 1

(aqui vai a prometida reportagem. Por lapso meu, esqueci-me da máquina fotográfica, não vem acompanhada de fotografias mas, por outro lado, vem acompanhada de uma interessante entrevista com o Pedro Adão e Silva, "estrela" daquela tarde)

Ao contrário do que poderão pensar, a minha ideia de fazer a reportagem não surgiu momentos antes ou um dia antes da apresentação do livro. De facto, assim que soube deste evento de tamanha importância para o surf nacional, senti-me "obrigado" a estar lá e "cobri-lo", de modo a que parte dessa apresentação chegasse a todos os que não puderam lá estar e para os que lá estiveram, terem um olhar sobre todo o evento de outra pessoa, neste caso, a minha pessoa.
Tendo em conta que queria fazer uma "reportagem em condições", queria estar o melhor preparado possível para a fazer. Como tal, li o livro "Sal na Terra" com a antecedência que acreditei ser necessária e preparei algumas perguntas para fazer na entrevista que o Pedro, muito amavelmente, me tinha dito que cederia. Alguma reflexão + trabalho de casa + experiência pessoal + experiência obtida através do curso que frequento, foi a fórmula que usei para chegar às perguntas que iria fazer ao Pedro.
Munido de um gravador para gravar a entrevista e de algum nervosismo, peguei no carro e "ala que se faz tarde" para a livraria Ler Devagar na Lx Factory onde o evento decorreu (livraria que recomendo a todos por diversos motivos). A meio do caminho já ia bufando com o trânsito e com o relógio avançar teimosamente o que contribuiu para aumentar o meu nervosismo que confesso que era considerável. Carro estacionado, 18h43m, entro na livraria. A coisa que primeiro identifiquei (e depois estranhei...) foi o facto de as pessoas que ali estavam para assitir ao evento, não serem do meio do surf. Eram amigos, conhecidos, interessados, colegas. E sim, algumas pessoas do meio do surf que só mais tarde reconheci, visto que nunca "os tinha visto".
Ansioso, procurei o Pedro. Encontrei-o atarefado a assinar livros, cumprimentar pessoas e agradecer a presença destas. Resolvi esperar até o apanhar sozinho. Quando, passados uns bons vinte cinco minutos me finalmente apresentei já estava preocupado com medo de não ter tempo para a entrevista. "Boas, sou o Diogo Alpendre". "Ah, finalmente ! Pedro Adão e Silva, obrigado por teres vindo Diogo". " O prazer é todo meu". "Olha, aproveito para te apresentar o Manel Castro também do Ondas". " AH ! (nervoso, afinal, aquela "malta" são os mestres"). Olá Manel, prazer em conhecer. Ainda hoje de manhã pude reflectir e passar os olhos sobre o post que deixaste no Ondas". Um aceno de concordância por parte do Manel e do Pedro. Um troca de palavras aqui, outras ali, estava tudo bem encaminhado (ufa). Entrevista combinada para depois da apresentação formal do livro. Retiro-me por uns momentos e deixo o Pedro e o Manel à conversa e a cumprimentar as pessoas que ia chegando. Cada vez mais pessoas.
Finalmente, os convidados começaram a entrar para dentro da livraria e do espaço onde a apresentação iria decorrer, uma pequena galeria de arte que se situava no primeiro andar da livraria e a sentarem-se. Discretamente e porque vinha a conversar escadas acima com o Manel Castro, encostá-mos-nos à parede do fundo da galeria, se bem que de frente para a mesa onde se encontravam o Pedro Adão e Silva, a Dra. Teresa (cujo apelido não me recordo) como representante da Bertrand (editora do livro) e o poeta, escritor, romancista, jornalista e cronista Francisco José Viegas.
Após algumas palavras da Dra. Teresa, esta passou a palavra ao "poeta" que fez um discurso animado, atrevido, descomplexado, divertido e, acima de tudo, improvável para alguém que desconhece o surf mas que "fica com vontade de o experimentar", tal como disse Francisco José. Desde referências a Miki Dora, à improvável ligação entre sociologia, capitalismo e Marx e o surf, às suas origens transmontanas, foi um discurso que por diversas vezes fez rir a audiência. Muitas palmas, palavra para o Pedro. Confesso que o meu conhecimento do Pedro Adão e Silva se resume a alguns minutos de conversa, muitas crónicas lidas da sua autoria quer sobre surf quer sobre outros temas e pouco mais. Contudo, acredito conhecer o surficiente para poder afirmar que foi um discruso "à Pedro". Um discurso que veio completar a "Introdução" do livro dele, um discurso em que se mostrou, mais uma vez, genuinamente grato a todos os que o ajudaram ao longo do seu caminho de escrita sobre surf, nomeadamente os seus colegas do Ondas, Pedro Arruda, Manuel Castro, Vasco Mendonça, Miguel Bordalo, agradeceu também ao João Valente director da Surf Portugal, ao fotógrafo Ricardo Bravo, ao ilustrador Miguel Dominguez, à editora Bertrand, ao José Tolentino Mendonça pelo "fantástico" prefácio e ao Francisco José Viegas pela calorosa apresentação. Ficou a ideia, muitas vezes sublinhada pelo Pedro Adão e Silva, de tornar o surf em algo passível de ser olhado e admirado por não-surfistas e a ideia de tornar aquele livro acessível também para esses. Apresentação terminada, foi a altura dos "autógrafos". Muitos livros deve ter assinado o surfista-escritor, tanto quantos aqueles que estavam disponíveis na livraria e esgotaram. Entretanto, eu esperava pacientemente pelo momento em que o Pedro me cederia a entrevista. Enquanto esperava, foi-me apresentado pelo Manuel Castro o também bloguista do Ondas, Miguel Bordalo Dias que tinha estado a tirar algumas fotografias da apresentação e que naquele momento se preparava para escolher a fotografia predilecta presente no "Sal na Terra", uma fotografia de uma onda e telhados que eu disse que não sabia onde eram mas julgava ser Marrocos ao que os dois me responderam, prontamente, que era na Costa da Caparica. Uma pequena gaffe minha, não ?
O tempo ia passando, as pessoas iam-se embora e, finalmente, chegou o momento de entrevistar o Pedro. Nervoso, gravador ligado, começámos : (no post a seguir vem o resto da reportagem)


...

"Fresco"

Umas das coisas que tenho vindo a descobrir que dá maior importância ao surf, é a visão que pessoas fora da área do surf têm do nosso desporto predilecto. É engraçado porque "tal como nós olhamos para as coisas com olhos de surf" (Pedro Adão e Silva), as outras pessoas olham com os seus olhos (e, portanto, tudo o que contribuiu para a sua formação enquanto pessoa, tal como o surf contirbuiu para a nossa) para o surf. Isto vem a propósito com uma situação que hoje vivi e que achei no mínimo curiosa, deixo ao vosso critério qualificá-la.
Hoje, enquanto conversava com um jovem casal muito amigo meu, resolvi mostrar-lhes algo que tinha a certeza que eles nunca tinham visto e que sabia, também com toda a certeza, que lhes faria sentir diversas emoções. Mostrei-lhes um tubo por dentro. Graças às novas tecnologias e à fantástica técnica dos surfistas actuais, isto é agora possível expliquei-lhes eu. Os surfistas colocam a câmera num capacete, na mão, no tail da prancha ou nose, como preferirem e lhe for mais cómodo, para além de, obviamente, depender de o que eles querem ver. Mostrei-lhes o vídeo que aqui ponho em baixo.




Este vídeo é um trailer do filme "My eyes won´t dry II", realizado pelo tuberider Brian Conely, conhecido surfista americano que têm um apetite por tubos comparável ao de um inglês por fast-food.

Perante o olhar incrédulo e dos queixos caídos daquele meu casal amigo, não pude deixar de perguntar o que achavam eles daquelas imagens. O António surpreendeu-me com o que disse. Em vez da mais recorrente pergunta "Tu fazes isso ??", o rapaz disse-me "Uau, deve ser tão bom estar ali...ffffff (barulho a imitar o deslize de algo na água) ffff..........e quando olho para isto, tenho a sensação de fresco......deve ser mesmo giro". A Inês concordava com gestos com a cabeça. Achei engraçada a reacção do meu amigo pois é exactamente essa a sensação que eu tenho do que deve ser um tubo (sim, deve. Até à data já tive dentro de muitos mas sair...kaput..) e reparem, esta é a ideia de alguém que nunca fez surf e até há poucos meses não sabia a diferença entre bodyboard e surf.
Esta é uma das questões mais mágicas do surf : mesmo desconhecendo o que ele é, ninguém deixa de ser contagiado e até mesmo enfeitiçado por ele, mesmo que seja por breves instantes como o caso do António e da Inês, meia dúzia de anos no meu caso ou uma vida inteira de muitos vós.
Meus caros, ensinaram-me ontem (na apresentação do livro do Pedro Adão e Silva) uma lição que eu achava já ter aprendido mas afinal não tinha : "o surf também é partilha", seja ela através de ondas ou pequenos clips do youtube.



P.S. A reportagem do "Sal na Terra" está quase a sair, está neste momento no "forno" e a campainha toca daqui a menos de meia hora.

23/06/2009

Sal na Terra Report

Tal como tenho vindo a dizer, fui à apresentação do livro "Sal na Terra" do Pedro Adão e Silva. Tive o prazer de falar com ele bem como com alguns elementos do Blog Ondas, nomeadamente o Manuel Castro e o Miguel Dominguez, sendo que este último é ilustrador na Surf Portugal. Mas não foi apenas por interesse que fui à apresentação. Fui, também, por "motivos" profissionais. Ou melhor, "blogais". Pude fazer uma entrevista ao Pedro Adão e Silva bem como uma mini-reportagem escrita de todo o evento. Muito brevemente toda a apresentação estará aqui disponível para vocês poderem ler e, de preferencia, gostar. Até lá, boas ondas e vão passando!

Agora que já é oficial..



Agora que já é oficial, aqui fica o link de todas as notícias que encontrei que confirmam o WCT Rip Curl Pro Search em Portugal. Aqui vão :








E foi o que encontrei.. Fora do meio, nada ainda. Novidade ? Nop...


Adenda - acabei de encontrar no site de "A Bola" :

E agora, o site da revista Surfing Magazine :

E agora um site amigo :

E agora, a Surfer Mag :
http://surfermag.com/features/onlineexclusives/rip_curl_announces_peniche_portugal_as_location_of_the_search/

P.S. YEAAAAAAAAAAAAAAAAH !!! FINALMENTE !!! VOU LÁ ESTAR !!! Quem souber de mais sites por favor diga que eu acrescento a esta maravilhosa lista.. Obrigado.

A Saga continua..

E já estou como o Manuel Castro do Ondas, anda tudo muito calado..


Aqui vão os links dos sites que o Manuel refere :







Esta m**** já me anda a chatear..

22/06/2009

Caíu do céu !

E agora, do nada, deparei-me com isto :
http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=167527


E com os comentários relativos ao post "Sintam-se convidados" do blog Ondas :
http://weblog.com.pt/MT/come2x.cgi?entry_id=271290

Mas de onde raio veio isto ? Só costuma ser anunciado semanas antes do evento ! Não é propriamente uma novidade que vá ser em Portugal mas mesmo assim... ! E podiam ter escolhido outra data visto que não vou poder ir ao Hotel em Cascais porque vou estar aqui em baixo :




Dois eventos tão importantes para o Surf Nacional e tinham que sobrepor as datas !! Porra pá..

Tubo do caraças

Para contrastar com os dias sem ondas cá no país, sigam o link que aqui vou pôr para verem um dos melhores tubos que eu já vi e, muito provavelemente, vocês também.

21/06/2009

Abrir os olhos, abrir a mente

Considero-me um ávido leitor. Gosto de ler, de conhecer, de saber mais, de aprender, tudo coisas que se fazem, também, a partir de um livro. É, portanto, natural que alie o meu gosto pela leitura a outras coisas de que também gosto. É, portanto, natural, que goste de ler sobre surf. Aliás, que goste muito de ler sobre surf.

Nessas minhas leituras sobre surf e agora que este se está (finalmente) a expandir em Portugal para o mercado dos livros, gosto de ler livros de surf para além das revistas. "No princípio estava o mar" de Gonçalo Cadilhe, "A História do surf em Portugal" do João Rocha e, mais recentemente, "Sal na Terra" do Pedro Adão e Silva, livro este que acabei há coisa de dois minutos e que comprei há coisa de duas horas. Três livros que já tive o prazer de ler.

Quem, como eu, já teve o prazer de ler os livros que em cima mencionei, sabe que estes não são apenas "colectâneas" de textos e testemunhos. Sabe que são muito mais, sabe que são livros que são fruto de um trabalho árduo, de inspiração, de amor pela arte de deslizar nas ondas.

Pareceu-me, então, interessante realçar que os três livros se fazem acompanhar de pequenas introduções e prefácios. Perfeitamente normal, não é ? É, principalmente em "livros-colectânea" que um dia podem cair nas mãos de alguém que nada saiba sobre surf e que sem essas "introduções" e "prefácios", não saberia de que "céu" cairam aqueles textos. A meu ver, contudo, esta questão destas partes integrantes dos livros, não é assim tão simples. Não é por uma mera questão de utilidade que estas partes existem. Estas partes, a meu ver, são as oportunidades dos autores se revelarem para além dos textos colectados nos livros, são a oprtunidade dos autores "abrirem o seu livro". Parece óbvio mas não é. Tirem a introdução ao "Sal na Terra" e não sabem o contexto dos textos, daqueles textos. Tirem a introdução do "No princípio estava o mar" e não sabem porque são aqueles textos e não outros que estão naquele livro. Um livro não ter "aquele bocado", aquelas páginas introdutórias, é tirar a oportunidade ao autor de nos abrir os olhos e a mente para os textos que estamos a segundos, a palavras, de começar a ler. É tirar a oportunidade ao autor de nos fazer ver para além das linhas e das entre-linhas, de nos fazer chegar ao "outside" daquele texto. É tirar a oportunidade ao autor de nos guiar entre as suas palavras.

Seria mais emocionante ler aqueles textos por nós ? Não sei nem quero saber. Ainda estou perdido nas ondas de El Salvador que o Gonçalo Cadilhe viu e relatou. Ainda estou perdido nas palavras de Samuel Beckett que o Pedro Adão e Silva tão bem aplicou ao Tiago Pires. E sabem uma coisa ? Ainda bem que estou lá porque se calhar sem "eles" me lá terem "levado", nunca teria pensado nisso.

P.S. Obrigado ao Gonçalo Cadilhe, João Rocha e Pedro Adão e Silva, em particular, e a todos que escrevem sobre surf, no geral. Este post, é para vocês.


Fotografia : Raquel Valente

20/06/2009

Tiago Pires em Marrocos na Surfer ?

Depois da idiotice que foi o post em baixo, voltemos às coisas sérias e interessantes e que têm a ver com surf. Como já devem saber, recebi a Surfer e, como é obvio, já "li as gordas", ou melhor, "vi as gordas". Estava eu passando os meus olhos pelas fantásticas fotografias que vêm nesta revista*, quando me cruzo com uma pequena-média fotografia do "Saca" num tubo marroquino. Pasmado porque afinal é a Surfer, a revista líder do mercado das revistas de surf americanas, foi ver a que se devia essa fotografia. Infelizmente, não tinha nada a ver com o melhor surfista português da actualidade (em termos competitivos). A fotografia faz parte de um artigo de nome "Escape from Agadir, a letter from Central Morocco" que trata, em linhas gerais, o surf em Marrocos, a "orgia" de Pointbreaks de direitas, os surfcamps, os surfistas-viajantes e o povo marroquino. Um artigo interessante. Achei engraçado terem posto uma foto do Tiago a acompanhar o artigo pois é um sinal da sua crescente mediatização abroad, o que para ele é óbviamente bom. Se calhar quem fez o artigo não sabe é a relação que há entre as ondas marroquinas e o português. O Tiago afirma mesmo que a onda de Safi, a mais conhecida e talvez melhor onda Marroquina, é das suas preferidas no seu perfil no site da ASP (http://www.aspworldtour.com/2009/profiles_men.asp?ID=41).
Dêem uma olhada na revista seguindo o seguinte link :
http://www.surfermag.com/507/




*Esta edição da revista trás um espectacular artigo/entrevista com um dos melhores fotógrafos de tubos da actualidade, o Senhor Scott Aichner, que já "fez" 23 capas da revista Surfer. Como é óbvio, o artigo vem acompanhado de fotografias espectaculares. Vale a pena ver e comprar.
Em baixo, um vídeo do Tiago em Safi no Billabong Challenge em 2006 e, mais abaixo, uma fotografia espectacular de Scott Aichner.

Eu gosto dos CTT..



..porque, finalmente, me trouxeram a Surfer a casa. Passo a explicar : em Abril, peguei numa semanada e mais uns trocos, dei-os ao meu pai e disse-lhe que queria assinar a Surfer Magazine e que precisava do cartão de crédito dele para o fazer. Tudo bem até aí. A "cena" é que até receber a primeira edição em casa, passam 8 a 10 semanas, segundo a própria empresa que gere a Surfer, a Source Interlink Media (e que por acaso também tem a Surfing. Sim, é aquela empresa que esteve à beira da falência). Após alguma espera, lá recebi a revista e esta está ao lado do meu pc enquanto escrevo este post. É engraçado saber que sou das primeiras pessoas a ter a Surfer de Julho em Portugal, visto que, ainda agora chegou cá a de Junho, pelo que só quem tenha assinatura é que também a tem. Assinei a revista por um ano e custou-me 29.9 dólares (mais ou menos 21 euros). Se continuasse a comprar a revista cá, custar-me-ia à (e porque o preço é bastante variável, depende um bocado das papelarias mas costuma custar entre 7 euros e 9 euros) entre 84 e 108 euros, um ano. "Ganda" negócio, han? Portanto, já sabem, se andam a comprar a revista, não o façam, assinem que sai mais barato e nem sequer pagam portes de envio. Yup, andam a ser "chulados" pelas papelarias.

P.S. O que é engraçado é que neste mesmo dia em que recebi a Surfer recebi, também, a revista do ACP, a revista do Benfica e os papéis para ir levantar o Cartão do Cidadão. Mas isto não vos importa.

Em baixo, a capa da edição de que recebi em casa, a de Julho de 2009 !


18/06/2009

Sugestão da Freesurf

Bom, hoje fui buscar uma edição da Freesurf à minha "surf shop" local, a Area 51, e pus-me a folhea-la. Áparte umas coisas de que não gostei e que não são para aqui chamadas, gostei muito do facto de esta edição ter várias entrevistas. Aliás, vária BOAS entrevistas. Uma dessas entrevistas é com o "Bra boy" Mark Mathews da Austrália. A entrevista começa com umas perguntas sobre uma onda que ele apanhou em 2007 num WQS em Pipeline, o Monster Energy Pipeline Pro.


Deixo-vos aqui a onda, aliás, o ondão !


16/06/2009

Boas notícias

Segundo a organizadora da próxima etapa do WCT no Brasil, este evento decorrerá segundo as regras do formato antigo, ou seja, vamos voltar a ver os nossos surfistas preferidos pelo menos duas vezes e os Top 16 já não vão ter o "ass" protegido.

Deixo aqui o link para a notícia :


Então, estamos satisfeitos ou não ? São ou não são boas notícias?

Uma decisão ponderada ?

Eu não sei mas isto parece-me estranho se bem que se é para, de facto, apostar no Eurosurf, espero ver resultados positivos no europeu. É esperar para ver. As razões nem são assim tão infundadas mas agora espero que apostem forte, muito forte no Eurosurf.

Sigam a notícia.

15/06/2009

Surf Media em Portugal

Como futuro participante dos surf media em Portugal (pelo menos assim espero), pareceu-me pertinente fazer uma mini-análise/reflexão crítica daquele meio no nosso país.

Antes de mais nada, os "grandes" media do surf em Portugal resumem-se facilmente : três revistas (Surf Portugal, Onfire Surf Mag e Freesurf) e respectivos sítios na Internet (exceptuando o caso da Freesurf), um "programa" televisivo na televisão não pública (Surftotal Tv que dá na RTPN), algumas peças que dão na Sport Tv 3 (ou 2), um site central www.surftotal.com.


Logo aqui, parece-me haver um erro. Não devia ser fácil resumir os medias do surf em Portugal. Não devia. Numa população portuguesa de pelo menos 10 milhões de pessoas, com uma população surfista em crescimento e num mercado já bastante valioso, eu acredito que devia haver um maior número de media surfistico. Passo a justificar :


Pensemos, antes de mais nada, nas revistas de Surf. Aproveito para dizer que não as analisarei em detalhe pois já o fiz num post há uns tempos. Vamos pensar nas revistas de surf em termos globais. A meu ver, as três não competem nem rivalizam umas com as outras de modo algum e, como se sabe, alguma concorrência não faz mal nenhum, antes pelo contrário, promove a qualidade e a diferenciação. Ora repare-se, a Surf Portugal, é mensal e custa 2.95 euros. Por sua vez, a Onfire Surf Mag é bimestral e custa 3 euros. A Freesurf, como se sabe, é grátis e é mensal. Ou seja, temos uma revista bimestral e uma mensal que custam quase o mesmo e uma mensal que não tem custo. Ou seja, e talvez simplificando isto em demasia, a Surf Portugal em pelo menos 6 meses do ano tem mercado garantido pois nesses meses não há Onfire Surf Mag. Nos 6 meses em que há Onfire Surf Mag, temos alguma concorrência, "Compro a Surf Portugal ou Onfire Surf Mag?". Mas as duas apresentam-se tão diferentes que uma pessoa comprando as duas verá que estas funcionam bem em conjunto, ou seja, em princípio, não encontrarão as mesmas coisas em ambas (talvez exceptuando no caso das competições de surf mas este aspecto nem sequer é central para a Onfire Surf Mag). Quem comprar as duas, ficará certamente satisfeito e informado. Quanto à Freesurf, não há verdadeiramente concorrência, é grátis. Logo, ninguém vai deixar de comprar a Surf Portugal ou a Onfire por causa da Freesurf. Seria de certo interessante verificar o que aconteceria se a Onfire Surf Mag se tornasse numa revista mensal. Seria ainda mais interessante se aparecesse uma outra revista mensal com um preço inferior e que se apresentasse como uma conciliação do melhor da Surf Portugal e Onfire. Aí era ver a resposta do mercado. Eu não sou especialista em mercados de produtos nem sequer economista mas parece-me a mim haver uma certa elasticidade deste mercado e espaço para outra revista entrar no mercado. Possivelmente, faria bem a todas as revistas em termos de qualidade geral, talvez não fizesse tão bem em termos de lucro. É sempre um risco mas como se sabe, algum risco pode trazer coisas positivas. Parece-me a mim que as revistas de surf em Portugal estão algo acomodadas à sua posição de mercado o que não é nada bom. É interessante, aqui, verificar o caso dos EUA. É óbvio que o mercado lá é substancialmente maior que o nosso mas o que é facto é que têm três revistas a competir activamente entre elas, para o bom e para o mau, com melhores ou piores resultados em termos de lucro: Surfer Mag, Surfing Magazine e Transworld Surf. Mais, ainda temos as revistas estrangeiras a competir no mesmo mercado, nomeadamente a Australia Surfing Life, a Stab Mag e a Tracks, que competem com as americanas na sua própria casa (suponho que o reverso também se verifique, as americanas a competir na Austália). Cá em Portugal não há qualquer competição com as estrangeiras, talvez um pouco de competição com a Surf Europe. Mas duvido.
Um pouco de profissionalismo extra nas revistas também era de louvar, com aposta em jornalistas de formação. Confesso que esta última crítica é sem conhecimento de causa, não sei se já apostam em jornalistas para as revistas ou não.


Em termos de programas televisivos, nem vale a pena dizer nada. Concordo que ainda não há espaço para um programa de surf nos canais públicos mas acredito piemente que há muito espaço para outro programa aparecer. A meu ver, o Surf Total Tv peca por alguma falta de qualidade e profissionalismo na medida em que parece faltar alguma base/formação em jornalismo (aposta em dois surfistas para apresentar o programa e não conta com o apoio de nenhuma revista o que daria maior credibilidade a meu ver) se bem que dá alguma cobertura a eventos nacionais o que já é qualquer coisa, definitivamente. Contudo, é um programa curto. Curtas são, também, as peças da Sport Tv e, sinceramente, não são muito informativas nem interessantes. É uma descarga de imagens, destaques do dia e resultados que até uma pessoa que não perceba de surf consegue fazer. Antes ainda havia aquelas peças da própria ASP mas isso desapareceu. Recordo, também, o canal Extreme Portugal. A meu ver, era um bom passo para uma maior mediatização e maior profissionalismo no trato aos eventos de surf (e outros) mas, inexplicavelmente, pelo menos para mim, o canal acabou. Nunca soube porquê.


Os media na net parecem estar a crescer, fruto do recente nascimento dos sites das revistas Surf Portugal e Onfire Surf Mag que competem verdadeiramente com o líder de "mercado" que é o Surftotal.com que é de facto muito bom. Tem notícias, destaques, viagens, artigos, interesses, um pouco de tudo e o suficiente para uma pessoa se manter mais que minimamente informada sobre o mundo do surf sem necessitar de recorrer aos sites estrangeiros. O blog Ondas também tem uma posição interessante sendo o principal meio de manifestação de opinião sobre surf em Portugal. É um blog de referência.


Sim, se calhar critiquei um pouco os media do surf em Portugal e vocês podem-me perguntar "E o que estás tu a fazer para mudar isso ?". Respondo dizendo : Estou a fazer o que posso. Mantenho o meu blog, escrevo livremente por aqui, tento criticar constructivamente e não de um modo arbitrário. Não sei se posso fazer muito mais, digam-me vocês.

Problemas, outra vez..

Ao que parece, o blogue está outra vez com o problemas nos comenários. Se conseguirem, deixem um comentário neste post a explicar o problema. Se não conseguirem e se não se importarem em demasiado, mandem um mail para o comoestaosurf@gmail.com .
Obrigado e peço desculpa pelo incómodo causado.

Diogo

14/06/2009

Owen Wright




Yup, o míudo parte a loiça. E acabou de ganhar 0 6* Prime do WQS nas Maldivas e está praticamente com um pé dentro do WCT. É um surfista que alia uma grande competitividade, um talento natural espantoso e uma inteligência competitiva acima da média. Vamos esperar coisas em grande deste australiano de 19 anos. Decorem o nome, Owen Wright.


12/06/2009

Os homens também choram...

..e no meu caso específico, choro um bocado mais do que gostava de chorar, se é sequer possível quantificar o choro, as lágrimas.


Preparo qualquer pessoa que esteja a ler este post dizendo que estou a escrever com o coração na boca, ou melhor, com o coração nos dedos que batem furiosamente nas teclas do meu laptop.


Sempre me emocionei com coisas cheias de paixão. Por exemplo, um surfista a falar do seu primeiro tubo, uma pessoa a falar do orgulho pelo(s) filho(s), uma pessoa que fala das suas origens humildes, uma pessoa que fala do que teve que lutar, fazer, trabalhar para chegar onde está, um pai que para além de uma grande prenda no aniversário de um filho lhe dá dinheiro para ir lanchar com a namorada, entre outras situações. E, como pude hoje reparar, não vou deixar de me emocionar com estas coisas tão cedo. Mas, de qualquer maneira, emocionar é uma coisa, chorar é outra totalmente diferente. Pois bem, há cercas de dez minutos atrás, aliás, à cerca de uma hora e meia atrás, comecei a emocionar-me e durante esse "processo" emocional, fartei-me de chorar. É pá, chorei como não chorava já há uns tempos e não tenho vergonha nisso. Há dez minutos foi quando todo este pulsar emocional terminou. Porém, eu não quero estar para aqui a falar de mim, não é esse o propósito deste blog, post ou texto. Eu quero e vou falar do que me emocionou.
Bustin Down The Door. Já ouviram falar ? É natural que sim. É só o melhor documentário, filme, conjunto de imagens de surf, de sempre. Este filme/documentário tem como objectivo, tratar os primórdios do surf profissional mas, como em qualquer outra história, para chegar a esse fim, é preciso cruzar várias histórias. Neste filme cruzam-se as histórias de Shaun Tomson, Mark Richards, Wayne "Rabbit" Bartholomew, Ian Cairns, Pete Townend, Mark Warren, Matthew Tomson, o North Shore havaiano, o grupo Da Hui, a história do Havaí e a da família Aikau, entre outras menos centrais. Estas histórias, neste documentário, emocionaram-me. Quando oiço e vejo o "Rabbit" dizer, entre lágrimas profundas, genuínas, dolorosas, que teve que roubar na rua para garantir alimento não só para a sua própria pessoa como também para as suas quatro irmãs e a sua mãe, choro. Quando o Ian Cairns explica a necessidade de ter tido que comprar uma "shotgun", com medo que os havaianos o matassem, choro de raiva. Quando vejo os havaianos a explicar porque foram os finais dos anos setenta como foram, choro porque eles também têm razão. Quando vejo Shaun Tomson desfazer-se em lágrimas após uma curta reflexão que acaba com "surfing can make it better", choro. Quando o filme acaba com o Shaun Tomson, o Mark Richards e o Rabbit a entrar na água e há um diluír entre as imagens dessa surfada e outras que remontam aos anos 70, choro. Mas choro sem vergonha, choro de respeito, de orgulho, de felicidade. Choro.


Está obviamente claro que recomendo a todos que vejam o "Bustin Down The Door". Aliás, devia ser obrigatório, juntamente com outros filmes (Endless Summer 1 e 2, Shelter, etc..), a visualização destes filmes por qualquer surfista que se preze.

Desculpem mas tinha que deixar isto aqui escrito, apesar de ser mais sobre mim do que sobre surf.

O trailer do documentário


10/06/2009

O que o Kelly é..

A dada altura no filme One Track Mind, o último filme dos Malloy, o ex-presidente da ASP, Wayne "Rabbit" Bartholomew, tem a seguinte tirada que, a meu ver, mostra o bem o que é o Kelly Slater e o que ele representou, representa e representará. Aqui fica :
"(..)We heard about Kelly Slater coming since he was..eleven years of age. He was everything we expected plus a whole lot more(..)"
P.S. Recomendo a todos e vivamente o filme One Track Mind.

08/06/2009

Comentário ao post "Ser juíz em causa própria" do...

...blog Ondas http://ondas.weblog.com.pt .
Este foi o comentário que deixei lá naquele post :
"Calma, moderação meus caros. Não é preciso partir para a ofensa pessoal, não acham?Por muito que eu concorde ou discorde com o que dizem, consigo opinar sem precisar de recorrer à ofensa.
Enfim..
Primeiro, é engraçado como há uns tempos só se ouvia "É pá só há um WQS 6* em Portugal, devia haver mais !!". Depois, este ano, apareceu o WQS 6* no Guicho/Carcavelos e eu, talvez ingénuo, pensei "Pronto, agora já têm o novo WQS 6* cá em Portugal, já ninguém vai reclamar" mas não. Reclamaram pois o segundo WQS era no Continente e queriam um nas ilhas. "Agora", apareceu o WQS nas ilhas, nos Açores, e toda a gente reclama ! Então? Não sabem ser coerentes ?
Segundo, embora possa parecer pelo que disse acima, eu até sou mais ou menos contra o WQS dos Açores. Acho que podiam na mesma ter feito um bom WQS sem terem logo apontado a um 6*, de modo a garantir lucro, audiência e qualquer outro tipo de retorno. Se tivessem talvez feito como o WQS no Guincho/Carcavelos, que começou por ser um 3* e só agora é um 6*, talvez tivesse sido melhor. É que, tal como dizem os comentários acima, é preciso saber prever as consequências para as populações locais e para a ilha em si. Eu sei que todos queremos ver os melhores do mundo a partir a loiça em Portugal mas calma, não é preciso apressar, temos tempo. Sei ou tenho ideia que a comunidade surfista nos Açores não é muito grande e não tem os mesmo meios e recursos que a do continente mas mesmo assim, será que era um 6* WQS que eles queriam para projectar o surf insular ? Ok, tudo bem , a USBA está envolvida o que supostamente é um garante do respeito pela comunidade mas será que esta concilia de facto os interesses da comunidade surfista Açoreana? Para além de que é preciso ir "preparando" e "adaptando" a população local para o maralhal de gente que a vai "invadir"..
Terceiro, como qualquer outro surfista, também eu anseio por surfar ondas boas, perfeitas e sozinho. Mas não estava a pensar ir até aos Açores para o fazer, posso ir ali até à Costa Alentejana ou ao Litoral Norte. Há sempre ondas, é preciso é querer lá chegar e procurar lá chegar. E há muitas mais ondas nos Açores para além da Ribeira Grande, de certeza que os surfistas e audiência não vão ocupar todas as ondas de todas as ilhas ! Fale das ondas quem as surfa todos os dias e não quem nunca vai lá ou nunca as surfou.
Extenso mas está dito.
Diogo
www.linhadeonda.blogspot.
P.S. Sim, já surfei nos Açores"

07/06/2009

Ribeira, fim de semana passado (dias 30 e 31 de Maio)..

Como se calhar alguns de vocês já sabem, a malta aqui do blog esteve em Ribeira de Ilhas no fim-de-semana passado a aproveitar o bom tempo e as boas ondas, que, infelizmente, não se repetiram este fim-de-semana. Aproveitámos e levámos uma amiga nossa que têm muito jeito para tirar fotografias (e não "fotos") de surf e outra amiga que, ninguém sabia, mas acabou por revelar algum talento para apanhar momentos da acção dentro d'água ! Como a malta não é profissional e a máquina fotográfica era sempre a mesma, não sabemos quem tirou cada fotografia mas como elas, a Raquel e a Patrícia, iam trabalhando em conjunto (estilo : "Raca, olha aquele !!!", "Pat, aquele está a remar !!"), atribuímos cada fotografia à dupla Raquel/Patrícia. Dêem uma olhada e digam o que acham..
Em baixo, um ilustre desconhecido num estiloso floater reentry..

Em baixo, Miguel Blanco, uma das maiores esperanças sub-14 do surf nacional a voar..

Em baixo, Aécio Flávio na manobra número 4 naquela onda..

Ribeira de Backside, sempre difícil. Desconhecido tenta manobrar no pocket..

No fim de contas, quem manda em Ribeira são sempre os longboarders. Em baixo, alguém num cutback power..

Em baixo, uma mini-sequência de uma rasgada a mandar muita água de um surfista anónimo..


Em baixo, uma sequência do futuro do surf português. Vasco Ribeiro abre o leque..

Jadson Andre

Há uns tempos aqui no blog, falei da nova geração de surfistas brasileiros que está aí a atacar o WQS e WT (http://linhadeonda.blogspot.com/2009/04/brazil-levanta-bandeira-bem-alto.html). Falei, em específico, do Jadson Andre e do Alejo Muniz, dois surfistas brasileiros sub-21 (será que é legal usar termos normalmente utilisados no futebol, em surf?) que nesse f.d.s em que escrevi o post, tinham acabado de ganhar um 6* Prime e um 6*, respectivamente.
Pois bem, mesmo a propósito, o Surfline.com fez um perfil e um apanhado desta nova-estrela do surf brasileiro e, quiçá, mundial ou como o site chama, "Rising Star". Fica aqui para verem que vale muito a pena.
http://www.surfline.com/surf-news/rising-stars-jadson-andre_27302/1/
Em baixo, Jadson Andre voa alto...





Josh Kerr 2

E só para alegrar a vista, mais um vídeo do Josh Kerr, desta feita relativamente ao Tahiti e ao Billabong Pro Teahupoo. Vale a pena ver, principalmente porque no fim, aparece o Occy com uma piela do caraças eheheh !


KERRAZY TIMES EPISODE 5 from KERRAZY PRODUCTIONS on Vimeo.

05/06/2009

Fucked times

Shaun Cansdell num momento...
Há uns tempos fiz um post chamado "Billabong faz o bem, Billabong faz o mal" (http://linhadeonda.blogspot.com/2009/03/billabong-faz-o-bem-e-billabong-faz-o.html) em que falo sobre um erro que a Billabong teria cometido ao abandonar um surfista chamado Shaun Cansdell, um dos meus surfistas preferidos. Digo teria porque de facto não tinha a certeza que a marca tinha cometido esse erro. Agora, tenho a certeza. Deixo-vos aqui um pouco da entrevista de Shaun Cansdell à Stab Mag e um vídeo deste surfista e mais uns amigos a surfar. É triste pá mas é a realidade..
"Shaun Cansdell: Hello…
STAB: Shaun, how’s it going? It’s Jed from Stab magazine.
Ah, good. What’s this about?
I just saw a little snippet of footage of you and was like, ‘No way, Cansdell. What happened to that guy?’ So I thought I’d give you a call. I thought you might have died in a light plane crash or something?

(Laughter) Yeah, I dunno what happened. I don’t have a sponsor anymore so I’m just trying to get one and get back into it.
It was only a couple of years ago you were getting sections in Taylor’s vids and getting runner-ups in ‘CTs. What happened?

I don’t know you might want to ask Billabong. I felt like I was doing alright. They told me it came down to contest results. They wanted me to requalify for the ‘CT the first year after I dropped off. And I didn’t."
O resto da entrevista podem encontrar aqui http://www.stabmag.com/jed/Shaun-Cansdell-interview/
Aqui vai o vídeo..


Cansdell and friends from Harry Triglone on Vimeo.

04/06/2009

Hemeroteca

Se calhar muitos de vocês nem nunca ouviram falar desta palavra, por isso, vou explicar-vos o que é a Hemeroteca. Como não escrevo muito bem, recorri a uma grande amiga minha, a Sra. Wikipédia, que me disse que a Hemeroteca é :

"Hemeroteca (do grego heméra, que significa "dia", mais théke, que significa "depósito" ou "colecção"), refere-se a qualquer colecção ou conjunto organizado de periódicos (jornais e/ou revistas). Pode ser uma secção de biblioteca apenas reservada à conservação de material escrito deste género, a uma coleção temática de recortes de jornais e revistas ou, mesmo, uma base de dados, em suporte informático, com material proveniente deste tipo de publicações."


Elucidados? Talvez. Mas agora estão vocês a questionar-se (digam em voz alta), "O que raio tem isto a ver com Surf ? Este gajo tá parvo?". Bom, para dizer a verdade, eu também achava que nada tinha a ver com surf mas hoje, por motivos ligados à faculdade e a trabalhos para uma cadeira, tive que me dirigir a este local. Na verdade, a Hemeroteca onde fui, não é uma seccção de uma biblioteca, é um bonito edifício situado no Bairro Alto em Lisboa onde estão todas as publicações tipo jornais, revistas, fascículos publicados na Imprensa Portuguesa, desdo o início dessa mesmo publicação. Eu fui lá consultar, só a título de curiosidade, as publicações das revistas Visão e Sábado dos meses de Agosto a Novembro. Contudo, confrontado com aquela imensidão de informação, aquela imensidão de publicações, só uma coisa me passava na cabeça "Será que têm....sim, advinharam, a Surf Portugal !" Dei-me ao luxo de poder consultar os 5 primeiro números da Surf Portugal (!!!!!), números que nunca tinha visto, eu tive na mão o número um do ano um da SurfPortugal! Pode parecer pouco mas isto foi um momento de grande emoção! Pude ler com atenção e passo a especificar o que me chamou mais a atenção :


N1, - Noções básicas de finologia (um artigo sobre fins); o facto de ser quem escreve quem também tirava as fotografias, neste caso específico o João Valente ; um artigo sobre patrocínios em Portugal;


N2, - O facto de Nuno Jonet e José Seabra escreverem para a revista e também tirarem fotografias; a revista ter uma secção de classificados; um reportagem sobre Bali; referirem a presença do conhecido shaper de qualidade mundial Maurice Cole em Portugal; um secção chamada Beach Girls que bem...mostra beach girls, algumas em trajes menores (tipo topless, estão a ver?);


N3, - O facto de ter um "aéreo" (uma espécie de aéreo de backside que mais parece um kickout num dia de vento onshore em que o surfista agarra a prancha no ar); ter uma entrevista com o surfista que na altura liderava o circuito mundial, Barton Lynch; o facto de aparecerem imagens dos próprios colaboradores da revista a surfar, nomeadamente o João Valente e o Nuno Jonet; o facto de ter uma reportagem sobre "ondas grandes" (em aspas porque actualmente aquelas seriam ondas médias, mal eles julgavam o que a malta anda a surfar agora...;


N5, o primeiro anúncio da Billabong (nos números anteriores já apareciam alguns anúncios da Rip Curl, OP e O'Neill).


É ainda importante realçar que a Surf Portugal não era exclusivamente uma revista de surf , tinha, também, (e frequentemente) windsurf e bodyboard.


Como devem calcular, eu estava em êxtase, afinal eu quero ser jornalista de surf e é importante saber, conhecer e contactar com os primórdios da Imprensa so Surf em Portugal. Infelizmente, fiquei cansado e não pude consultar e recolher artigos e informações de todos os números até à primeira revista que tenho em casa pelo que amanhã, dia 5, vou passar provavelmente o dia no tal edifício a curtir à brava as Surf Portugal. Depois amanhã à noite deixo-vos aqui umas ideias sobre como correu a minha investigação.


Deixo-vos com duas coisas muito engraçadas. Caso não soubessem, em tempos a Surf Portugal teve uma pequena secção em que pedia a um surfista para completarem a frase "Eu leio a Surf Portugal porque..". Aqui ficam as respostas de dois conhecidos surfistas da praça nacional na altura.


Gonçalo Lopes "Eu leio a Surf Portugal porque....com ela vou mais longe".


Tiago Oliveira " Eu leio a Surf Portugal porque....com ela eu "surfo" dentro e fora d'água"


A outra coisa interessante, era um lema espalhado pela revista que eu achei...bom, pensem por vocês :


"Seja radical, leia a Surf Portugal !"


P.S. Aproveito e deixo-vos aqui o sítio na internet daquela sagrada instituição chamada Hemeroteca http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/ .

Em baixo, a capa da primeira Surf Portugal de sempre.